Alex Silva, Daniel Teixeira e Dida Sampaio / Estadão
Alex Silva, Daniel Teixeira e Dida Sampaio / Estadão

Eleições 2020 em SP: veja lista de cotados para disputar a Prefeitura

O tucano Bruno Covas deve disputar sua recondução ao cargo; Márcio França, ex-governador, é pré-candidato em uma aliança nacional firmada entre PSB e PDT

Vinícius Passarelli, O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2019 | 15h06
Atualizado 28 de maio de 2020 | 17h56

As eleições municipais ocorrerão em outubro de 2020, mas os partidos já se movimentam em busca dos seus nomes para a disputa da Prefeitura de São Paulo. Conquistar prefeituras de capitais e grandes cidades é fundamental para que os diferentes grupos políticos construam suas bases para projetos futuros, como a disputa presidencial de 2022.

O atual prefeito, Bruno Covas (PSDB), tentará ser reconduzido ao cargo e tem o apoio do governador João Doria (PSDB), mesmo após a descoberta de um câncer na região abdominal. Pelo PSL, a deputada federal Joice Hasselmann (PSL) deve disputar os eleitores do campo da direita, mas tentando se descolar da imagem do presidente Jair Bolsonaro.

À esquerda, o PT escolheu o ex-secretário municipal Jilmar Tatto em uma disputa interna apertada. Existe o temor que a sigla perca para a candidatura do ativista Guilherme Boulos (PSOL), que deve ter como vice a ex-prefeita Luiza Erundina. 

O ex-governador Márcio França (PSB), a ex-prefeita Marta Suplicy (Solidariedade) o apresentador de TV José Luiz Datena (MDB) são outros nomes que aparecem como pré-candidatos à Prefeitura de São Paulo. Confira abaixo quem são, até o momento, os cotados para a disputa:

Bruno Covas (PSDB)

O atual prefeito de São Paulo, Bruno Covas, deve tentar a reeleição pelo PSDB em 2020, com o apoio do governador João Doria. Em um cenário marcado pela polarização, a estratégia será focar seu discurso no centro político. Covas é neto do ex-governador Mário Covas e foi vice-prefeito de São Paulo, assumindo a cadeira de prefeito após Doria deixar a prefeitura para disputar o governo do Estado em 2018. No final de outubro, o prefeito descobriu um câncer no estômago com metástase no fígado. Mesmo em tratamento, Covas não se licenciou da prefeitura. Enquanto outros partidos ainda articulam suas candidaturas, o prefeito de São Paulo já fechou uma aliança com PSC, Podemos, Cidadania, Democratas e PL e deve concentrar 40% do espaço de propaganda na TV.

Márcio França (PSB)

Ex-vice-governador de Geraldo Alckmin em São Paulo, Márcio França ocupou a cadeira de governador do Estado em 2018 após o tucano anunciar sua candidatura à Presidência da República. Foi candidato a governador e, com 21,5% dos votos válidos, chegou ao segundo turno contra o candidato tucano João Doria, que foi eleito com 51,75% dos votos válidos. No entanto, França obteve 58% dos votos na capital, contra 42% de João Doria, o que fortalece seu nome para a disputa da Prefeitura. França recebeu o apoio do PDT em um movimento que sela  uma aliança nacional entre as duas siglas. Com chapas conjuntas em capitais, os partidos tentam quebrar a polarização entre bolsonaristas e o PT nas eleições.

Joice Hasselmann (PSL)

Ex-líder do governo no Congresso, a deputada já demonstrou publicamente seu interesse na Prefeitura de São Paulo e, antes do racha na sigla, chegou a declarar que tinha o apoio do presidente Jair Bolsonaro e de Luciano Bivar, presidente da sigla, para a campanha. "Não sou mulher de amarelar", disse durante entrevista concedida em julho ao Estadão. Joice era parte de uma disputa interna do PSL paulista, que era presidido pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do presidente. No entanto, a saída anunciada do grupo de Bolsonaro do PSL deixou o caminho livre para a deputada, que tenta se colocar como a candidata da direita, mas descolada do presidente da República.

José Luiz Datena (MDB)

A participação do apresentador da TV Bandeirantes José Luiz Datena na corrida pela Prefeitura de São Paulo ainda é uma incógnita. Em abril, ao Estadão, Datena afirmou que poderia desistir da disputa por conta da pandemia do coronavírus, dizendo que eleição não era prioridade para ele naquele momento. Depois de negociar ser vice de Bruno Covas (PSDB), o apresentador chegou a dizer em março, em outra entrevista ao Estadão, que o mais natural é que ele saísse candidato à Prefeitura de São Paulo. Naquele mês, Datena se filiou ao MDB, a quinta legenda a abrigá-lo. Ele integrou o PT por 13 anos, depois passou pelo PP, PRP e DEM. Nas duas últimas legendas, ensaiou projetos de disputar a prefeitura de São Paulo, mas acabou desistindo.

Guilherme Boulos (PSOL)

Líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto e à frente das principais mobilizações de rua de movimentos sociais, Guilherme Boulos se coloca como um nome forte da esquerda para a disputa da Prefeitura de São Paulo. Foi candidato à Presidência da República nas eleições de 2018 pelo PSOL e, com apenas 0,58% dos votos, ficou na 10ª posição no primeiro turno. Articula uma chapa com a ex-prefeita Luiza Erundina de vice. Sua candidatura, no entanto, ainda deve passar por prévias internas em disputa com a deputada federal Sâmia Bomfim e o deputado estadual Carlos Gianazzi.

Jilmar Tatto (PT)

Com a negativa do ex-ministro da Educação e ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad de se candidatar novamente à prefeitura paulistana, o PT escolheu o ex-secretário de Transportes de São Paulo Jilmar Tatto como candidato da sigla nas eleições 2020. Em eleição interna, Tatto derrotou o deputado Alexandre Padilha por pequena vantagem. O grupo de Tatto exerce domínio sobre a máquina do PT na capital, mas o pré-candidato é visto como um nome de pouca expressão eleitoral.  Para o Senado, na única eleição para cargo majoritário que disputou, em 2018, o ex-secretário ficou sétimo lugar com apenas 6% dos votos. Durante as prévias internas, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a dizer que o PT seria “esmagado” entre as candidaturas de Guilherme Boulos (PSOL), à esquerda, e Márcio França (PSB), ao centro, caso não tivesse um candidato forte como Haddad.

Andrea Matarazzo (PSD)

Figura histórica do PSDB, Andrea Matarazzo deixou o partido em 2016, após 30 anos, devido a conflitos com João Doria na disputa para a candidatura à Prefeitura de São Paulo nas últimas eleições municipais. Naquele ano, o ex-embaixador e ex-ministro se transferiu para o PSD e compôs a chapa de Marta Suplicy como candidato a vice-prefeito. Em fevereiro, Matarazzo fez acenos ao presidente Jair Bolsonaro, depois que Datena dispensou seu apoio.

Filipe Sabará (Novo)

O Partido Novo, através de um processo seletivo, escolheu o nome de Filipe Sabará, ex-secretário municipal de Assistência Social da gestão Doria à frente da prefeitura de São Paulo. Tido como uma espécie de "braço direito" do tucano, em outubro, Sabará pediu afastamento do cargo que ocupava atualmente no governo de São Paulo, a presidência do Fundo Social, órgão oficial de filantropia do Estado, para disputar o pleito. Sabará tem 36 anos e é formado em marketing, economia e comércio exterior. 

Orlando Silva (PCdoB)

O deputado federal Orlando Silva aparece como provável candidato à prefeitura paulistana pelo PCdoB. Historicamente ligado a chapas petistas, o partido deve lançar um candidato próprio em São Paulo pela primeira vez. Silva foi vereador, ministro do Esporte de Lula e Dilma e deputado federal. Na Câmara dos Deputados, foi vice-líder do governo de Dilma Rousseff entre 2015 e 2016. Atualmente, exerce seu segundo mandato como deputado.

Marta Suplicy (Solidariedade)

A ex-ministra e ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy escolheu o Solidariedade às vésperas do prazo final de filiação. A pré-candidata estava sendo cortejada por outras siglas. Sua candidatura ainda é uma incógnita - cogitou-se que ela fosse vice em uma chapa com Fernando Haddad (PT), que já avisou que não vai disputar. Marta tem defendido a formação de uma frente ampla que vá dos liberais de centro-direita aos progressistas de esquerda para enfrentar candidatos apoiados pelo presidente Jair Bolsonaro. Tentou voltar à prefeitura paulistana em 2008 e 2016, sem sucesso. Acabou em 4º lugar nas últimas eleições, com 10,14% dos votos válidos. 

Arthur 'Mamãe Falei' (Patriota)

Depois de ser expulso do Democratas, partido pelo qual se elegeu deputado estadual, Arthur do Val, conhecido como "Mamãe Falei", anunciou sua candidatura à prefeitura paulistana pelo Patriota. Val é youtuber e uma das principais lideranças do Movimento Brasil Livre (MBL). Ao longo de 2019, ficou conhecido por seus discursos inflamados na Assembleia Legislativa de São Paulo. Durante as discussões da reforma previdenciária do Estado, chamou servidores públicos de "vagabundos" e causou uma confusão na Casa. /COLABORARAM JOÃO KER, BRUNO NOMURA e FERNANDA BOLDRIN

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.