Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Com a candidatura suspensa, Sabará diz ser alvo de perseguição por 'ala esquerdista' do Novo

Representante do partido na corrida ao executivo paulista  teve a candidatura suspensa liminarmente após decisão do diretório nacional; deputado estadual protocolou nova contestação nesta quinta

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2020 | 08h05
Atualizado 24 de setembro de 2020 | 23h13

Após ter a candidatura à Prefeitura de São Paulo suspensa pelo partido Novo, Filipe Sabará disse ser alvo de perseguição promovida por João Amoêdo, ex-presidente nacional da sigla, e de "uma ala esquerdista minoritária" do partido. Sabará teve a candidatura suspensa nessa quarta-feira, 23, em caráter liminar, após decisão do conselho de ética do diretório nacional. A legenda não explica a razão da suspensão, alegando que o motivo é "sigiloso". No fim da manhã desta quinta-feira, 24, a candidatura de Sabará foi alvo de nova contestação, desta vez pelo líder do Novo na Assembleia Legislativa de São Paulo, Daniel José.

"Estou sendo perseguido pelo João Amoêdo e por uma ala esquerdista minoritária do partido Novo, por ser uma pessoa de direita. As críticas são infundadas", disse Sabará. E completou: "Estou entrando com todos os meios jurídicos e medidas judiciais cabíveis, tanto para reverter a situação, quanto para processar os responsáveis. Infiltrados do MBL também estão nesse grupo de pessoas que estão tentando me derrubar." Renato Battista, coordenador do MBL, disse que “não existe infiltrado do grupo na campanha de Sabará”. 

A suspensão foi confirmada após a análise de um pedido de impugnação assinada por Kauan Gonçalves Viscardi, de Santa Catarina. Segundo um comunicado do partido, obtido pelo Estadão, Sabará terá prazo estabelecido pelo estatuto para a manifestação de sua defesa, mas sua candidatura está temporariamente suspensa. 

"O Diretório Nacional reforça a determinação do CEP (conselho de ética do partido) de suspensão temporária de todas as ações de pré-campanha em nome do candidato até o assunto seja efetivamente julgado", diz o texto divulgado pelo partido.

"Fiz isso como militante. A maneira como o sr. Filipe Sabará reagiu (à suspensão da campanha) é mais uma evidência de que ele não tem condições de representar a sigla", disse Daniel José ao Estadão.  Questionado sobre os argumentos de seu pedido, o parlamentar afirmou que não pode revelar pois o caso corre em sigilo na comissão de ética da legenda. "Eu não sou de esquerda,  mas me preocupo com os valores do Novo."

As iniciativas revelam uma divisão interna na legenda entre um grupo mais alinhado com o presidente Jair Bolsonaro, do qual fazem parte o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, e parte da bancada de deputados federais, e outro que faz oposição ao Planalto. Sabará também é alvo de contestação por parte de pré-candidatos a vereador da capital.

Um grupo criado no WhatsApp intitulado “Tentando Salvar o Novo” tem criticado duramente as declarações de Sabará em defesa de Bolsonaro. Na semana passada, o debate interno foi acirrado após o candidato ter dito, em um programa de rádio, que Paulo Maluf foi o melhor prefeito que a capital paulista já teve.

Na semana passada, Sabará também se envolveu em uma polêmica com o ex-porta-voz do Vem Pra Rua Rogério Chequer, que foi candidato do Novo ao governo paulista em 2018. Na mesma entrevista em que elogiou Maluf, o candidato foi questionado sobre uma declaração contra Chequer feita durante a campanha, na qual o chamou de "oportunista".

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