Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Zarattini aceita ser candidato a vice de Tatto em São Paulo

Isolado, PT está preocupado com o esvaziamento da candidatura do partido na eleição municipal; dirigentes cogitaram apoio a Guilherme Boulos, do PSOL

Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

16 de setembro de 2020 | 19h36
Atualizado 16 de setembro de 2020 | 21h03

O deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP), líder da minoria na Câmara, aceitou o convite para ser vice na chapa de Jilmar Tatto que vai disputar a prefeitura de São Paulo. O nome de Zarattini será submetido nesta quinta-feira, 17, à executiva municipal do partido para que a chapa seja oficializada.

Zarattini, que chegou a disputar com Tatto a cabeça de chapa, mas acabou desistindo, só aceitou a tarefa depois de um pedido pessoal do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva

A escolha tardia do vice reflete as dificuldades enfrentadas pela candidatura de Tatto – o que ficou evidente no evento que oficializou seu nome. Preocupados com o esvaziamento da candidatura de Tatto, dirigentes petistas cogitaram sua substituição pelo deputado Alexandre Padilha (PT-SP) ou até desistir da disputa para apoiar Guilherme Boulos (PSOL) durante reunião com Lula, na segunda-feira, 14. 

A ideia inicial do PT era dar a vice à professora Ana Estela Haddad, esposa do ex-prefeito Fernando Haddad. Depois, o partido decidiu escolher uma mulher negra. Vários nomes foram consultados, mas nenhuma aceitou.

Na semana passada o partido informou que o nome do vice seria anunciado sábado, no evento que oficializou a candidatura de Tatto, mas diante da indefinição, adiou o anúncio. A escolhida era a historiadora Selma Rocha, da Fundação Perseu Abramo, mas os advogados da campanha vetaram o nome. Ela é professora da USP e precisaria ter se desincompatibilizado em tempo hábil.

Diante da falta de alternativas e faltando pouco tempo para o fim do prazo legal para definição da chapa e do apelo de Lula, Zarattini aceitou a tarefa. Aos 61 anos, formado em economia, Zarattini está no quarto mandato de deputado federal. Ele foi secretário municipal de Transportes e das Subprefeituras na gestão Marta Suplicy (2001-2004). É filho de Ricardo Zarattini, militante histórico de esquerda e fundador do PT, morto em 2017 aos 85 anos.

Lula fez críticas à condução da campanha de Tatto e cobrou correções imediatas

Na reunião, Lula fez duras críticas à condução da campanha, cobrou correções imediatas, mas endossou a manutenção da candidatura de Tatto. Segundo participantes da reunião, vários dirigentes fizeram relatos sobre aliados históricos que se recusam a entrar na campanha de Tatto e as dificuldades encontradas junto à militância para engajar a base do partido na disputa.

O deputado José Guimarães (PT-CE), coordenador do Grupo de Trabalho Eleitoral do PT para as eleições municipais, defendeu que fossem adotadas medidas políticas urgentes. “Sugeri que fosse buscada uma solução política porque do jeito que está não dá para ficar. Estão cristianizando o Jilmar”, disse Guimarães.

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Cristianização, no jargão político, é quando o candidato é abandonado pelo próprio partido em meio a uma disputa eleitoral. Segundo Guimarães, Lula disse que não existe mais possibilidade para mudar o candidato e fez um apelo para que parlamentares, dirigentes e outras lideranças do partido entrem de fato na campanha em São Paulo.

O ex-ministro da Previdência Carlos Gabas, que também participa das reuniões virtuais às segundas-feiras com Lula, defendeu que o candidato fosse chamado para uma conversa, falou da possibilidade de o PT voltar a discutir sobre a viabilidade de uma frente de esquerda em São Paulo e lembrou que Boulos está à frente de Tatto nas pesquisas.

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Ficou combinado de a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, e Guimarães falarem com Tatto. A conversa aconteceu na terça-feira, 15, e incluiu o ex-prefeito Fernando Haddad, o presidente municipal do PT, Laércio Ribeiro, o coordenador de comunicação da campanha, José Américo Dias, além de Lula, Tato, Gleisi e Guimarães. “Ou todo mundo entra na campanha ou vai ser um vexame para todo mundo”, disse Lula, segundo fontes do partido.

O “abandono” de Tatto ficou evidente para lideranças do partido no evento que oficializou sua candidatura, sábado. O candidato fez uma live na laje de uma casa no Jardim São Luiz, Zona Sul acompanhado apenas de Haddad – que havia desistido de ir na véspera, mas foi pressionado pelo partido – e uma liderança de bairro.

Lula gravou um vídeo que foi classificado por petistas como “protocolar”. Gleisi, que alegou não ter voo para voltar a Curitiba no dia seguinte, falou ao vivo em uma live. A audiência foi considerada irrisória. Quando o evento já estava no ar dirigentes do PT de São Paulo ligavam para parlamentares e candidatos pedindo que eles participassem da live.


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