DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO
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PV retira pré-candidatura de Eduardo Jorge e aprova apoio a Covas em SP

Sigla entendeu que teria dificuldades para levar campanha à frente, com pouco acesso ao fundo eleitoral

Tulio Kruse, O Estado de S.Paulo

05 de setembro de 2020 | 13h46

Correções: 05/09/2020 | 21h00

O Partido Verde (PV) retirou neste sábado, 5, a pré-candidatura de Eduardo Jorge à Prefeitura de São Paulo. A sigla decidiu em convenção fazer parte da coligação do PSDB, que vai lançar o prefeito Bruno Covas à reeleição. Um programa com 10 critérios para formação de alianças do PV foi entregue aos tucanos.

A sigla entender que teria dificuldades para levar a campanha à frente, com pouco acesso ao fundo eleitoral. A estratégia do partido é tentar priorizar a eleição de vereadores, para garantir o cumprimento de cláusulas de barreira e manter-se em atividade.

“Nós chegamos a essa conclusão para podermos ajudar mais vereadores, porque vamos ter à facilidade de ter mais acesso à televisão e poderemos projetá-los, infelizmente o nosso partido é pequeno”, disse o presidente do PV, Roberto Tripoli, durante a convenção. “Muitos discordam, eu sempre digo que procuro errar o mínimo possível e eu fiz esse trabalho em conjunto com inúmeras pessoas no partido.”

O partido chegou a debater compor uma chapa com a Rede, além de estudar apoiar as candidaturas de Andrea Matarazzo (PSD) ou Márcio França (PSB). Segundo o PV, ideia foi abandonada após Matarazzo e França não deixarem claro que farão oposição ao bolsonarismo durante a campanha, uma exigência dos candidatos verdes. Além disso, as conversas para apoiar a chapa de uma das pré-candidatas da Rede, a deputada estadual Marina Helou, não prosperaram. A coordenadora do diretório paulistano da Rede, Duda Alcântara, também concorre pela indicação. 

Outra dificuldade é a decisão do vereador Gilberto Natalini de não buscar reeleição na Câmara Municipal neste ano, além da saída do vereador Reginaldo Trípoli do partido (está no PSDB). Com isso, o partido calcula que deve deixar de receber cerca de 120 mil votos por causa das desistências, o que complica as perspectivas da legenda

Durante a convenção, Eduardo Jorge justificou que a retirada da candidatura era justificável tanto quanto pela concentração de esforços na eleição de vereadores quanto a construção de alianças para as eleições presidenciais de 2022. O PV quer apoiar uma candidatura centrista que se oponha tanto ao presidente Jair Bolsonaro quanto ao PT. 

“Nossas alianças são coerentes com essa política nacional de buscar, no campo do centro, da centro-direita-democrática e na centro-esquerda democrática, uma alternativa ao que ocorreu no segundo turno de 2018”, disse Eduardo Jorge. “Nós somos um partido parlamentarista: antes de candidato, num partido parlamentarista, vem o programa.” 

Covas fez uma aparição durante a convenção partidária, agradeceu o apoio e prometeu levar o programa do PV em consideração. “Vamos nos debruçar sobre elas, identificar o que pode ser feito ainda neste ano, até dezembro, e o que pode entrar para o próximo ano”, disse, por meio de videoconferência.

O PV foi o único partido que apresentou um plano de governo para as eleições municipais, elaborado com orientação de Eduardo Jorge. O documento, com propostas preliminares, tem 100 diretrizes para a cidade de São Paulo.

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Já no documento entregue a Bruno Covas, uma das dez propostas é o compromisso de propor que o teto salarial do funcionalismo seja aplicado para os professores da rede municipal. Além disso, o partido pede análise imediata de um dossiê que mostra a devastação das áreas de mananciais com o crescimento de loteamentos irregulares na extrema zona sul da cidade. O PV tem feito oposição a Covas no Legislativo paulistano, e tem denunciado a negligência da gestão municipal na questão ambiental.

A coligação foi aprovada com 23 votos a favor, dos 32 da executiva. A convenção municipal do partido foi feita principalmente de forma virtual, com alguns membros em um auditório da Câmara Municipal.   

Correções
05/09/2020 | 21h00

O vereador Reginaldo Trípoli está no PSDB, diferentemente do que informou a primeira versão desta reportagem. O texto já foi corrigido.

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