TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO
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Com bandeira anti-Doria, Márcio França oficializa sua candidatura em São Paulo

Socialista divide os oponentes em dois campos: os que estão alinhados e os que se opõem à gestão do Estado

Paula Reverbel, O Estado de S.Paulo

11 de setembro de 2020 | 14h08
Atualizado 11 de setembro de 2020 | 20h05

Com críticas tanto ao governador do Estado, , João Doria (PSDB), quanto ao presidente da República, Jair Bolsonaro – essas mais brandas –, o ex-governador Márcio França foi confirmado candidato à Prefeitura de São Paulo pelo PSB na manhã desta sexta-feira, dia 11, durante evento na Câmara Municipal. Ao contrário, no entanto, de campanhas que se colocam como anti-Bolsonaro, o socialista procura polarizar a disputa com seu sucessor no governo do Estado. 

Durante a coletiva de imprensa realizada após a convenção, França dividiu os candidatos da disputa pela Prefeitura em dois campos: os que estão alinhados a Doria e os que se opõem ao governo. Ele se coloca como o candidato mais forte do segundo grupo e cita como um dos fundamentos o fato de ter ganhado do rival na cidade de São Paulo quando foi derrotado na eleição em 2018. Além disso, cita a fatia de tempo de Rádio e TV que terá a sua disposição – faixa que só é menor que a do prefeito, Bruno Covas (PSDB).

“O Celso Russomanno (pré-candidato do Republicanos) é um nome conhecido e disputa com o Bruno”, afirmou França na coletiva. “Eu vou disputar a outra faixa com (Guilherme) Boulos (PSOL), (Jilmar) Tatto (PT), Orlando Silva (PCdoB). Mas eu quero lembrar que, na eleição passada, no primeiro turno, eu tive 23% dos votos na cidade. Com muitos candidatos, quem tiver 20% dos votos aqui em São Paulo estará no segundo turno”, argumentou.

A campanha do ex-governador aposta que terá sucesso em um segundo turno contra Covas, cuja imagem é muito associada ao atual Doria, que sofre rejeição.

“Quando ele fala do Doria, não é pelo fato de ele ser governador, mas pelo fato de o Bruno, o atual prefeito, estar no mandato para o qual o Doria foi eleito. E claro que também temos noção da rejeição do governador que se estende para o Bruno na capital. As pesquisas que apontam a liderança dele também indicam um descontentamento muito grande. Um governo que é desaprovado por mais de metade da população tem muita dificuldade no segundo turno”, afirmou ao Estadão o deputado estadual Caio França (PSB), filho do candidato.

Críticas

Diferentemente de outros eventos em que elogiou a gestão federal, o discurso de França na convenção dirigiu algumas críticas brandas ao presidente da República. “Aqui, em São Paulo, nenhum dos dois manda”, discursou, citando Doria e Bolsonaro. O ex-governador poupou Bruno Covas, seu oponente, de críticas, citando sua proximidade com o falecido avô do mandatário, Mário Covas. Limitou-se a dizer que não concorda com a forma de o prefeito governar por avaliar que a Prefeitura atende a muitas exigências do governo do Estado.

Ao falar do desempenho do governo federal, França citou a recessão e alta do preço do saco de arroz, assunto que tem causado desgaste ao presidente da República. “E, além de tudo, vai o arroz a R$ 40. Daqui a pouco você vai ter que trabalhar o mês todo para comprar um saco de arroz”, disse. 

Antes, Caio França havia feito um discurso em que criticou Doria por associar sua imagem à de Bolsonaro nas eleições de 2018. Atualmente, Doria nega a estratégia e afirma que a campanha “Bolsodoria” foi uma criação de seu eleitorado do interior.

Márcio França também criticou o presidente e o governador por “não ter plano” para a economia. Disse ter elaborado um projeto de investimento emergencial em São Paulo, para ser implementado em janeiro. A campanha se refere à iniciativa como uma espécie  de “Plano Marshall para São Paulo”, em referência ao plano de recuperação econômica por meio do qual os Estados Unidos ajudaram os países da Europa a se recuperarem após a Segunda Guerra Mundial. 

O plano envolve a criação de uma frente de trabalho em que pessoas prestam serviços de zeladoria para a cidade três vezes por semana em troca do recebimento de um auxílio emergencial nos moldes dos R$ 600, pagos pelo governo federal. Uma parte do dinheiro necessário viria da demissão de ocupantes de cargos comissionados na prefeitura.

Articulador

Com perfil de articulador político, França é o único candidato além de Covas - este capaz de fazer nomeações na Prefeitura – , que conseguiu formar uma coligação no seu entorno. Além de seu partido, o PSB, França conta com o apoio de PDT - que indicou o vice, Antônio Neto – , Solidariedade, Avante e PMN. A colocação deverá assegurar ao candidato cerca de 20% do horário eleitoral gratuito de rádio e televisão, mas os números ainda não foram computados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Covas, que compôs aliança com PP, DEM, PL, PSC, Podemos e Pros, terá cerca de 40% do tempo. O terceiro e o quarto maior tempo de TV ficará com PT (cujo candidato é Jilmar Tatto) e com PSL (que lançou a deputada Joice Hasselmann), que detêm as maiores bancadas federais, com 55 e 41 deputados, respectivamente. Eles terão cerca de 10% do tempo de TV.

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