Eleições 2020: urna eletrônica é alvo preferencial da desinformação nas redes
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Eleições 2020: urna eletrônica é alvo preferencial da desinformação nas redes

Postagens dão gás a boatos e infundadas denúncias de fraudes em pleitos anteriores

Pedro Prata

26 de outubro de 2020 | 05h00

As peças de desinformação que circulam nas redes sociais sobre as eleições 2020 têm como alvo principal a confiabilidade das urnas eletrônicas. As postagens virais desmentidas pelo Estadão Verifica dão gás a boatos e denúncias infundadas de fraudes em pleitos anteriores. Algumas das publicações verificadas pela equipe de fact-checking do Estadão também tiram de contexto decisões de ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF).

Uma tática observada nas redes sociais é o resgate de boatos que já haviam viralizado durante a campanha de 2018. Um exemplo é de postagens no Facebook que divulgavam uma ação protocolada por um engenheiro e um advogado junto ao TSE sobre uma suposta “fraude” nas últimas eleições. Na verdade, a denúncia se baseava em imagens de televisão com a contagem em tempo real dos votos para presidente. A equipe técnica do Tribunal arquivou o processo por ele ter sido “construída sobre fatos que não possuem base sólida, sobre confusões ou sobre inverdades”.

Brasil possui atualmente 470 mil urnas. Foto: TSE/Reprodução

Outra peça de desinformação recuperada nas redes sociais tira de contexto uma notícia de 2013 sobre a aposentadoria de urnas brasileiras utilizadas pelo Paraguai. Postagens no Facebook não deixaram claro que o equipamento emprestado pelo governo brasileiro ao país vizinho já estava defasado tecnologicamente, e não voltou a ser utilizado em votações no Brasil.

As urnas eletrônicas também foram atacadas em peças de desinformação que tentaram ligar o equipamento de votação a países de pouca tradição democrática. Um boato desmentido pelo Estadão Verifica dizia que apenas Brasil, Venezuela e Cuba adotam o voto eletrônico. A informação é falsa: outros 13 países, além de Brasil e Venezuela, utilizam urnas eletrônicas.

Outra informação falsa que circulou nas redes sociais este ano é que a empresa chinesa Lenovo teria comprado a fabricante brasileira de computadores Positivo Tecnologia. Isto nunca aconteceu. A peça de desinformação circulou depois que a Positivo ganhou licitação para fornecer urnas eletrônicas para as eleições de 2022.

Judiciário também foi alvo de desinformação

O Judiciário também foi alvo de boatos sobre as eleições. É o caso de uma postagem que viralizou no Facebook dizendo que o TSE havia liberado as candidaturas de políticos com a ficha suja. Na realidade, o que o Tribunal decidiu foi que, com o adiamento da data da votação, candidatos enquadrados na Lei da Ficha Limpa há oito anos poderiam concorrer.

Outra decisão judicial, desta vez do STF, também entrou na mira das campanhas de desinformação. Um tuíte alegava que o Supremo considerou ilegal o voto impresso, tirando de contexto um julgamento sobre a reforma eleitoral de 2015. Na ocasião, os ministros decidiram ser inconstitucional a impressão de um comprovante do voto logo após o registro do eleitor — não o voto em si.

Outras tendências da boataria sobre eleições

Observadores internacionais veem uma tendência de monetização de vídeos no YouTube que espalham informações falsas ou sem embasamento sobre o processo eleitoral. A diretora associada da International Fact-Checking Network (IFCN), Cristina Tardáguila, explica que alguns usuários vendem produtos em seus canais e para ganhar tração, publicam vídeos que se aproveitam da polarização para atrair cliques. “O dono da conta ganha audiência e também monetiza seus vídeos. O ataque às instituições virou um negócio no YouTube.”

Sérgio Lüdtke, editor do Projeto Comprova, coalizão de 36 veículos e iniciativas de comunicação que checam peças de desinformação nas redes sociais, da qual o Estadão Verifica faz parte, notou que o volume de desinformação compartilhada pelo WhatsApp diminuiu, se comparado com 2018. Lüdtke indicou que agora há uma tendência do surgimento de sites que utilizam a narrativa noticiosa para espalhar conteúdo enviesado e desinformação.

O editor do Comprova também afirma já ser possível notar impactos da politização da pandemia de covid-19 nas eleições 2020: “Vários atores que compartilharam informações falsas checadas pelo Projeto Comprova agora se transformam em candidatos ou cabos eleitorais de candidatos.”

Veja exemplos de boatos checados pelo Estadão Verifica sobre eleições:

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