Manuela D’Ávila volta a ser alvo de boato que a liga a frase de John Lennon sobre Jesus
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Manuela D’Ávila volta a ser alvo de boato que a liga a frase de John Lennon sobre Jesus

Peça de desinformação já havia circulado nas redes durante a campanha eleitoral presidencial 2018

Pedro Prata

28 de setembro de 2020 | 15h28

É falso que a ex-deputada federal Manuela D’Ávila (PCdoB) tenha dito que “o cristianismo vai desaparecer”. Uma postagem com a falsa citação alega que a candidata à prefeitura de Porto Alegre teria dito ser “mais popular do que Jesus”, mas esta frase na verdade foi dita pelo ex-beatle John Lennon. A publicação checada pelo Estadão Verifica foi compartilhada mais de 4 mil vezes no Facebook.

Esta é uma das frases mais conhecidas e polêmicas de Lennon. Ela foi feita em uma entrevista ao jornal inglês The Evening Standard, em 4 de março de 1966, durante o auge da Beatlemania, a idolatria pelo quarteto de Liverpool. A fala cruzou o Atlântico e causou uma forte reação de setores religiosos nos Estados Unidos, onde algumas cidades registraram fogueiras de revistas com entrevistas e discos dos Beatles. Responsável pela entrevista, a jornalista Maureen Cleave comentou a história em artigo publicado em 2005 no jornal The Telegraph.

Frase é do ex-beatle John Lennon, não de Manuela D’Ávila. Foto: Reprodução

Em 2008, o jornal do Vaticano L’Osservatore Romano informou que a Igreja Católica perdoou John Lennon pela afirmação. “A declaração de John Lennon, que provocou tanta indignação nos Estados Unidos, depois de todos estes anos soa como uma bravata de um jovem proletário inglês às voltas com um sucesso inesperado”, disse o jornal.

Não é a primeira vez que este boato circula nas redes sociais. Em 2018, o Projeto Comprova já havia feito checagem semelhante. À época, Manuela era candidata à vice-presidência na chapa com Fernando Haddad (PT). A coligação divulgou uma nota na qual afirmava que o conteúdo era fake news e que “tanto Manuela quanto Haddad respeitam todas as religiões e crenças e continuarão defendendo a liberdade de expressão e de culto”. 

O boato foi resgatado em um momento em que Manuela D’Ávila concorre à prefeitura de Porto Alegre pelo PCdoB. Ela também foi alvo de montagens que falsamente a mostravam com uma camiseta escrita “Jesus é travesti” e outra que ela teria dado ao cantor Caetano Veloso com ofensas ao presidente Jair Bolsonaro. Ambas foram desmentidas pelo Estadão Verifica.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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