Postagem inventa afirmação de Palocci sobre urnas eletrônicas
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Postagem inventa afirmação de Palocci sobre urnas eletrônicas

Boato surgiu na semana em que delação premiada do ex-ministro foi homologada e voltou a ser compartilhado no Facebook

Tiago Aguiar

30 de julho de 2020 | 16h53

Um boato alega que o ex-ministro da Fazenda Antônio Palocci teria afirmado que urnas eletrônicas foram “encomendadas para fraudar as eleições” e que “eleições eram decididas pela cúpula”. As alegações são falsas. A postagem é antiga e voltou a circular no Facebook nesta semana.

Palocci fechou acordo de delação premiada no âmbito da Operação Lava Jato em 2018. A delação, em todos os seus depoimentos, não traz menção a urnas eletrônicas ou fraude em votações. Desde aquele ano, já foram divulgados 23 anexos da colaboração. Os depoimentos foram dados a partir de abril.

Em outras declarações públicas feitas pelo ex-ministro também não há qualquer registro de acusação contra urnas eletrônicas. Palocci cumpre regime semi-aberto em casa desde agosto de 2019.

Desde 2018, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reitera que  “nunca foi comprovado um caso de fraude, ao longo de mais de 20 anos de utilização de urnas eletrônicas”.

Histórico de compartilhamento do boato

Pela ferramenta CrowdTangle, o Estadão Verifica encontrou dezenas de postagens com a mesma frase sobre urnas eletrônicas a partir de 25 de junho de 2018. Palocci teve a delação homologada três dias antes, pelo desembargador João Pedro Gebran Neto, relator da Lava Jato no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4).

Naquela mesma semana, o Estadão Verifica checou uma publicação que fazia referência falsa a um falso vazamento da delação onde, entre os temas, estaria a suposta confissão que as urnas eletrônicas seriam “um projeto para a implantação do socialismo na América Latina”, também falso.

A segunda onda de compartilhamento do boato ocorreu no final do primeiro turno das eleições de 2018, em outubro de 2018, logo após a primeira retirada de sigilo de um dos anexos da delação. Naquela semana, o boato foi checado pela Agência Lupa e pelo Aos Fatos.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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