Postagem engana ao usar informação antiga sobre devolução de urnas eletrônicas
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Postagem engana ao usar informação antiga sobre devolução de urnas eletrônicas

Equipamento de votação brasileiro foi emprestado ao Paraguai e devolvido em 2013; na época, modelo estava defasado tecnologicamente

Tiago Aguiar

25 de setembro de 2020 | 13h00

Uma postagem no Facebook reproduz uma manchete — sem indicação da data — de uma reportagem de 2013 do jornal Gazeta do Povo para sugerir que o Paraguai não quer usar urnas eletrônicas brasileiras por não considerá-las confiáveis. A alegação, sem contexto, é enganosa. O post analisado não deixa claro que as urnas em questão eram de um modelo antigo, que não é mais utilizado atualmente. Além disso, a publicação não dá o link para a matéria original.

A reportagem da Gazeta do Povo informava que o Paraguai estava deixando de usar um lote de urnas eletrônicas brasileiras que estavam sendo implementadas desde 2001 no país. A manchete era “Paraguai veta uso de urnas eletrônicas brasileiras e voto é manual”.

As urnas brasileiras descartadas pelo Paraguai naquela época foram fabricadas em 1996 e estavam defasadas tecnologicamente. Tanto que, no Brasil, o modelo não era utilizado desde 2002. Quando as unidades emprestadas ao Paraguai foram devolvidas ao País, elas foram descartadas, conforme mostrou reportagem da revista Época.

Brasil possui atualmente 470 mil urnas. Foto: TSE/Reprodução

O Paraguai utilizou urnas eletrônicas brasileiras emprestadas em eleições em 2001, 2003, 2004 e 2006. Já na época do primeiro empréstimo, em 2001, o Brasil era procurado por diversos países latino-americanos por ter um “sistema destacado pela sua transparência e alto grau de informatização”, segundo avaliação da coordenadoria da Organização dos Estados Americanos (OEA).

Procurado pelo Estadão Verifica, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou que, após essas primeiras experiências, o Paraguai solicitou o empréstimo definitivo das urnas modelo 1996. A última vez que esse tipo de urna foi utilizado no Brasil foi durante as eleições de 2002. O modelo foi descontinuado no País porque não tinha capacidade de processamento suficiente para efetuar a assinatura digital, definida em lei nacional de 2003.

Ainda segundo o TSE, essas urnas possuíam processador Intel 386 SX 33Mhz, com 2Mb de memória RAM, e devido à obsolescência tecnológica que dificultava a manutenção, peças de outras unidades eram usadas em reparos.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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