Imagem de campanha do PT em cor verde é de 2018, e não das eleições atuais
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Imagem de campanha do PT em cor verde é de 2018, e não das eleições atuais

Postagens no Facebook tiram de contexto análise sobre estratégia de candidato petista ao governo do Acre

Tiago Aguiar

15 de outubro de 2020 | 18h11

Postagens no Facebook usam a imagem de uma campanha de 2018 para afirmar que candidatos do PT têm evitado usar o vermelho e a estrela símbolos do partido nas eleições atuais. As publicações na rede social reproduzem o título e a imagem de um artigo do site Jornal da Cidade Online de dois anos atrás; o texto afirmava que o candidato a governador do Acre petista naquele ano, Marcus Alexandre, evitava usar a cor vermelha no material de campanha. Nos posts do Facebook, não fica claro que o artigo não é recente.

Em 2018, a campanha de Marcus Alexandre de fato usou várias cores no material de propaganda. Na imagem compartilhada no Facebook, o nome do candidato e o número da legenda estão em verde. Na época, o petista negou insinuações de que estaria escondendo o vermelho característico do partido. “Acreditamos em uma campanha colorida, feita com alegria, carinho, compromisso e trabalho, por isso, decidimos brincar com os diversos tons e disponibilizar para vocês”, escreveu ele no Twitter.

Marcus ficou em terceiro lugar na corrida ao governo do Estado e não foi para o segundo turno.

Naquele ano, a campanha do petista Fernando Haddad à Presidência apostou em reduzir o vermelho e aumentar o verde e amarelo no material de divulgação no segundo turno.

Em 2020, alguns candidatos a prefeito do PT optaram por reduzir o uso da imagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como mostrou uma reportagem da revista Veja no início do mês. O texto indica que no Recife a candidata à prefeitura Marília Arraes causou desconforto por “esconder” símbolos do PT na campanha. Ainda assim, a cor vermelha segue presente nas principais imagens nas suas redes sociais e de propaganda eleitoral.

Em 2016, uma reportagem do G1 apontou que parte dos candidatos a prefeito pelo partido estava reduzindo o vermelho e o tamanho da estrela, símbolo da legenda. Naquele ano, segundo o Datafolha, o partido atingiu a sua menor preferência na série histórica, de 9%, desde 1990.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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