EFE/ Joédson Alves
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Com a saída de Teich, sobe para nove o número de ministros que deixaram o governo Bolsonaro

Ex-ministro da Saúde é o que permaneceu menos tempo no governo, tendo comandado a pasta por 28 dias

Renato Vasconcelos, O Estado de S.Paulo

15 de maio de 2020 | 13h08

Com o pedido de demissão de Nelson Teich do Ministério da Saúde, subiu para 9 o número de ministros que deixaram o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Entre os que romperam com o governo, cinco saíram dos cargos após conflitos com o Planalto.

Teich pediu para deixar o cargo na manhã deste sexta-feira, 15. Entre os demitidos, o médico oncologista é o que menos tempo permaneceu no governo, tendo ficado apenas 28 dias à frente da pasta. O ex-ministro assumiu o cargo em meio à pandemia da covid-19, substituindo Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS), em uma troca polêmica pelo cenário em que ocorreu. Agora, o general Eduardo Pazuello é quem assume o cargo interinamente, tornando-se o terceiro ministro da Saúde a tentar controlar a pandemia no país.

O médico alegou questões técnicas para deixar o cargo. Ele vem travando uma queda de braço com Bolsonaro sobre a recomendação do uso de cloroquina em pacientes de covid-19. Desde que assumiu o cargo, Teich não conseguiu montar sua própria equipe e vinha sendo tutelado pela ala militar do governo, como revelou o Estadão.

Antes de Teich, o último a se demitir havia sido o ex-juiz Sérgio Moro, que ocupava a pasta da Justiça e Segurança Pública. Moro deixou o governo fazendo graves denúncias ao presidente, a quem acusou de tentar interferir na direção-geral da Polícia Federal com a intenção de ter acessos a investigações em curso. Atualmente, Moro é parte em um inquérito que investiga as acusações contra Bolsonaro.

Outro demitido durante a pandemia foi Luiz Henrique Mandetta, que antecedeu Teich na Saúde. Mandetta chegou a participar da cerimônia de posse do sucessor, despediu-se do cargo e chegou a cumprimentar o presidente ao deixar o governo. No entanto, a saída do médico ortopedista do governo ocorreu após uma série de desentendimentos com Bolsonaro sobre a condução da crise causada pelo novo coronavírus.

Gustavo Canuto, ex- ministro do Desenvolvimento Regional, foi  demitido "de surpresa" pelo presidente no dia 6 de fevereiro, antes do início da crise na Saúde. Antes da exoneração de Canuto, Bolsonaro vinha se queixando da falta de entregas no ministério. A pasta foi entregue a Rogério Marinho (DEM-RN), então secretário Especial da Previdência e Trabalho. Após a demissão, o presidente ofereceu um cargo de consolação a Canuto, a presidência da DataPrev (Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência).

Ainda simpático ao presidente e atualmente cotado para substituir Teich na Saúde, Osmar Terra (MDB-RS) foi demitido do Ministério da Cidadania no dia 13 de fevereiro, após uma polêmica envolvendo a contratação de uma empresa de tecnologia suspeita de ser usada como laranja para desviar dinheiro dos cofres públicos. À época, Terra afirmou ter demitido todos os envolvidos na contratação suspeita, porém uma reportagem do Estadão mostrou que aliados do emedebista foram mantidos no cargo. O ex-ministro acabou saindo, mas manteve relações com o presidente.

Outro que saiu deixou o cargo, mas não o governo, foi o ex-ministro da Secretaria-Geral, o general Floriano Peixoto. Substituído por Jorge Oliveira, Peixoto foi remanejado para o comando dos Correios. Em entrevista ao Estado, o general chegou a afirmar que não via a saída do ministério negativamente. "Não vejo essa questão de rebaixamento e isso não passa pela cabeça de ninguém, nem na minha, nem do presidente. Zero preocupação com isso", disse.

O general Carlos Alberto Santos Cruz foi o primeiro ministro militar a ser demitido do governo Bolsonaro. Santos Cruz foi demitido da Secretaria de Governo após uma polêmica envolvendo mensagens de WhatsApp em que teria criticado os filhos do presidente. Meses depois da demissão, a Polícia Federal concluiu que as mensagens eram falsas. Antes do embróglio envolvendo os áudios, o general já vinha sendo alvo de críticas de Olavo de Carvalho e Carlos Bolsonaro.

A demissão de Ricardo Velez do Ministério da Educação aconteceu logo no começo do govenro, no dia 8 de abril. Alvo de críticas dentro e fora do governo, o ministro enfrentava uma crise desde sua posse, com disputa interna entre grupos adversários, medidas contestadas, recuos e quase 20 exonerações no ministério. Ele foi substituído por Abraham Weitraub.

Primeiro a ser demitido do governo, o ex-ministro da Secretaria-Geral Gustavo Bebianno era, até a demissão de Teich, o que menos tempo havia passado ocupando o cargo. Bebianno, um dos principais aliados de Bolsonaro durante o período eleitoral, foi demitido após 48 dias de governo, em 18 de fevereiro. O ministro é outro que deixou o cargo após se desentender com Carlos Bolsonaro e ter seu nome associado à denúncia de candidaturas de laranjas do PSL durante as eleições 2018.

Bebianno morreu no dia 14 de marçode um infarto agudo do miocárdio. Em uma carta revelada ao Estadão antes de morrer, o ex-aliado acusou o presidente de cultivar "teorias da conspitação e ódio".

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