Fabio Motta/Estadão, Luis Macedo/Câmara dos Deputados, e Henry Romero/Reuters
Fabio Motta/Estadão, Luis Macedo/Câmara dos Deputados, e Henry Romero/Reuters

Eleições 2020 no RJ: veja quem são os cotados para disputar a prefeitura carioca

Mal avaliado, Crivella (PRB) tentará a reeleição; o deputado federal Marcelo Freixo (PSOL) e o ex-prefeito Eduardo Paes (DEM) despontam como fortes candidatos

Caio Sartori e Wilson Tosta, O Estado de S.Paulo

04 de outubro de 2019 | 05h00
Atualizado 05 de julho de 2020 | 21h36

RIO - A  sete meses do primeiro turno das eleições municipais de 2020, pelo menos doze possíveis pré-candidatos se articulam para disputar a prefeitura do Rio em um quadro de possível nacionalização da disputa. Haverá pelo menos três concorrentes fortes na cidade, berço político do presidente Jair Bolsonaro e quartel-general de outro possível presidenciável em 2022, o governador Wilson Witzel (PSC). A possível briga entre concorrentes com apoio de presidenciáveis, no segundo maior colégio eleitoral municipal do País, fortalece a tendência de campanha marcada por temas nacionais, ao lado de assuntos locais.

Em busca da reeleição, o prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) conta com a máquina pública e o bom trânsito entre evangélicos - é bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus - para tentar se viabilizar. Tem tentado se aproximar de Bolsonaro, o que poderia lhe dar chance como candidato da direita radical. O presidente, porém, tem evitado um compromisso que possa lhe custar votos em 2022. A gestão Crivella teve 72% de ruim e péssimo no Datafolha em dezembro. Por isso, o prefeito deverá recorrer ao discurso ideológico e a temas de costumes, como quando mandou recolher livros com conteúdo LGBT na Bienal do Livro, para se fortalecer.

Pela esquerda, o deputado federal Marcelo Freixo (PSOL) tentará chegar ao Executivo carioca pela terceira vez. Em 2016, perdeu para Crivella no segundo turno. Desta vez, contudo, o psolista deve vir com nova roupagem. Além de ter agora um mandato federal, ele tem defendido a formação de uma grande aliança em torno de sua candidatura. O movimento incluiria tanto legendas de esquerda quanto algumas mais ao centro, como o PV e a Rede de Marina Silva. Essa frente, porém, não deverá se viabilizar, pelo menos não na amplitude inicialmente ambicionada pelo partido.

O PDT, que pretende lançar a deputada estadual Martha Rocha, e o PSB, cujo postulante é o deputado federal Alessandro Molon, tendem a manter as suas postulações. Nos últimos dias, porém, cresceu a possibilidade de o PT apoiar Freixo. Em baixa no Rio de Janeiro desde que se aliou a Anthony Garotinho (então no PDT), no início dos anos 2000, o petismo tende a indicar Benedita da Silva como vice de Freixo. Evangélica, Benedita poderia ajudaria o psolista a vencer resistências entre eleitores desse público, decisivo em 2018. Mas mesmo no PSOL a aliança é questionada, sobretudo por setores que rejeitam a acusação de “puxadinho do PT”.

Ao centro, o ex-prefeito Eduardo Paes (DEM) é um nome forte, que tende a ir ao segundo turno, avaliam adversários. Por essa ótica, Paes poderia adotar um discurso de combate à polarização, jogando Crivella para um lado ultraconservador e pintando Freixo como um esquerdista radical. Além disso, pegaria embalo na má avaliada gestão Crivella para despertar no eleitor o fator “saudade”. Até o momento, no entanto, Paes trabalha pela eleição sem assumir oficialmente a candidatura. Há ainda um fator de difícil avaliação: a Lava Jato. Paes foi aliado do ex-governador Sérgio Cabral Filho, que está preso, e ainda há processos tramitando.

Um mistério que ainda ronda a eleição é: quem será apoiado por Wilson Witzel? O governador, que está em baixa com antigos aliados do PSL, ainda não tem um candidato claro. Já acenou para Paes e, mais recentemente, aproximou-se do governador de São Paulo, João Doria (PSDB). O tucano paulista declarou apoio a Gustavo Bebianno, ex-secretário-geral da Presidência no início do governo Bolsonaro, com quem rompeu. Tenta conseguir que Witzel faça o mesmo. O governador do Rio, porém, poderá apoiar um nome do mundo jurídico, a juíza Gloria Heloiza. Oficialmente, porém, não há nenhuma definição.

Relevante na eleição de 2018 no Rio, o PSL enfrenta problemas internos para se definir. Apesar de alguns nomes serem cotados, crescem as chances de a sigla não ter candidato próprio. Há ainda o processo de criação do Aliança pelo Brasil, legenda lançada por Jair Bolsonaro que ainda recolhe assinaturas para se registrar. É improvável que o Aliança consiga se viabilizar para 2020.

Veja abaixo os nomes que podem concorrer à Prefeitura do Rio:

Marcelo Crivella (PRB)

Bispo licenciado da Igreja Universal, prefeito Marcelo Crivella  assumiu a cidade em contexto de ressaca dos grandes eventos.  Sua gestão descreveu uma curva decrescente de popularidade: 40% de ruim e péssimo em outubro de 2017, 61% em março de 2018 e 72%  em dezembro de 2019.

Nos últimos meses, porém, de olho em 2020, Crivella tem articulado nos bastidores para chegar forte à disputa pela reeleição. Usou o episódio da Bienal do Livro, considerado censura pelo Supremo Tribunal Federal (STF), para aparecer no noticiário e reforçar um posicionamento conservador.

Marcelo Freixo (PSOL)

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O deputado federal Marcelo Freixo tem recall (memória de voto) grande das últimas eleições. Por outro lado, tem como desafio driblar a rejeição, que foi decisiva para ele perder o segundo turno em 2016.

No momento, Freixo trabalha para construir o que chama de uma frente  em torno de sua candidatura. A aliança não deverá ser tão ampla quanto o planejado, mas o possível apoio do PT, com a candidatura de Benedita da Silva a vice, lhe daria tempo de rádio e televisão e penetração entre evangélicos.

Durante os governos de Sérgio Cabral Filho (MDB) no Estado, e de Paes (atualmente no DEM), na Prefeitura, o PSOL foi o único partido de esquerda que em nenhum momento compôs as bases aliadas ou ocupou cargos nas gestões. Com isso, a legenda, que é pequena nacionalmente, construiu no Rio sua principal trincheira.

Eduardo Paes (DEM)

Há um consenso entre todos os prefeitáveis do Rio: se Eduardo Paes entrar na disputa, despontará como o candidato a ser batido.  O ex-prefeito, porém, ainda vai demorar um pouco a se declarar candidato. Paes vem articulando discretamente. Uma aproximação com o governador Wilson Witzel, que o derrotou na eleição para governador no ano passado, chegou a ocorrer. Mas a tendência é que haja uma chapa mais ao centro, unindo DEM e partidos menores.

Os aliados de outros partidos, contudo, são receosos quando questionados se apoiarão Paes. Todos reconhecem a força política do ex-prefeito, que poderia confrontar Crivella com dados efetivos de sua gestão, que se deu num período em que o Rio passou por grandes obras e mudanças urbanísticas. “Vamos caminhar juntos em algum momento”, avalia um deles.

Apesar de derrotado por Witzel na eleição para governador no ano passado, Paes venceu na capital. O resultado eleitoral do ex-prefeito do Rio o Estado foi ruim na periferia da Região Metropolitana e no interior do Estado, que votaram maciçamente no hoje governador.

Rodrigo Amorim (PSL)

Conhecido como o deputado estadual que quebrou uma placa com o nome da vereadora assassinada Marielle Franco na eleição do ano passado, Rodrigo Amorim chegou a ser apresentado oficialmente como pré-candidato do PSL no Rio. Sua aproximação do governo Witzel, porém, o afastou dos Bolsonaros e também do Aliança pelo Brasil - partido que  ainda não existe. O partido também passa por um momento de indefinição.

Gustavo Bebianno (PSDB)

Dissidente do bolsonarismo, Gustavo Bebianno foi escolhido pelo PSDB como pré-candidato do partido à prefeitura do Rio do Janeiro. A indicação de seu nome foi feita pelo empresário Paulo Marinho que, assim como ele, foi aliado de Bolsonaro, mas rompeu com o presidente. Bebianno foi o primeiro ministro a perder o cargo no governo Bolsonaro. Ele deixou a Secretaria-Geral da Presidência após desentendimentos com a família do presidente, contra quem tem assumido um discurso duro, com ataques ao presidente e a seu governo.

Marcelo Calero (Cidadania)

Ex-ministro da Cultura, o deputado federal Marcelo Calero (Cidadania) é apresentado pelo partido como pré-candidato. Calero é muito próximo ao apresentador Luciano Huck e faz parte do grupo que mantém contatos frequentes com ele a fim de criar um projeto presidencial para 2022. 

Calero está entre os que poderiam abrir mão da candidatura a depender de como será construída a aliança em torno de Eduardo Paes. Em evento do PSDB no final de setembro, chamou Paes de “o melhor prefeito que essa cidade já teve”. 

Martha Rocha (PDT)

Deputada estadual por um partido que tem história no Rio de Janeiro, o PDT, Martha Rocha conta ainda com outro ativo: é delegada da Polícia Civil e chegou a presidir a corporação. Ela já chegou a ser apontada como “vice dos sonhos” de Marcelo Freixo, mas reafirma sua candidatura sempre que lhe perguntam a respeito. 

A deputada estadual é próxima a outro nome da centro-esquerda carioca que resiste em aceitar a ideia de que todos os progressistas devem se unir em torno de Freixo: o deputado federal Alessandro Molon, do PSB, com quem mantém conversas. 

Alessandro Molon (PSB)

Candidato à Prefeitura duas vezes em condições adversas, em 2008 e 2016, Alessandro Molon é cotado pelo PSB para concorrer de novo no ano que vem. Terceiro deputado federal mais votado do Rio no ano passado, o parlamentar tem votações crescentes para o cargo, mas ainda não empolgou o eleitorado em disputas para o Executivo.

Junto com Martha Rocha e seus partidos, tenta viabilizar uma alternativa à candidatura de Freixo dentro do campo progressista.

Paulo Messina (PRTB)

Ex-braço direito de Marcelo Crivella, de quem foi secretário da Casa Civil, o vereador Paulo Messina, que está no terceiro mandato, rompeu com o prefeito e tem manifestado o desejo de concorrer ao Executivo carioca. 

Hugo Leal (PSD)

Presidente no Rio do PSD de Gilberto Kassab, o deputado federal Hugo Leal foi recentemente lançado como pré-candidato. Tem o apoio do próprio Kassab e do senador Arolde de Oliveira.

Fred Luz (Novo)

Ex-CEO do Flamengo, Fred Luz trabalhou na campanha do presidenciável João Amoedo (Novo) em 2018 e agora deve se candidatar a prefeito pela legenda.

Clarissa Garotinho (PROS)

Filha dos ex-governadores Rosinha e Anthony Garotinho, a deputada federal Clarissa Garotinho se apresenta como pré-candidata à Prefeitura do Rio, apesar de o reduto da família ser em Campos dos Goytacazes, no norte do Estado.

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