Fabio Motta/Estadão, Luis Macedo/Câmara dos Deputados, e Henry Romero/Reuters
Fabio Motta/Estadão, Luis Macedo/Câmara dos Deputados, e Henry Romero/Reuters

Eleições 2020 no RJ: veja quem são os cotados para a disputar a prefeitura carioca

Mal avaliado, Crivella (PRB) tentará a reeleição; o deputado federal Marcelo Freixo (PSOL) e o ex-prefeito Eduardo Paes (DEM) despontam como fortes candidatos

Caio Sartori, O Estado de S.Paulo

04 de outubro de 2019 | 05h00

A um ano do pleito, a eleição de 2020 para a Prefeitura do Rio tem mais de dez possíveis pré-candidatos ao cargo. Berço político do presidente Jair Bolsonaro e de outro possível presidenciável em 2022, o governador Wilson Witzel (PSC), o Rio deve ter pelos menos três concorrentes fortes na disputa do ano que vem. A cidade é o segundo colégio eleitoral municipal do País, o que aumenta a importância da disputa. 

prefeito Marcelo Crivella (PRB) buscará a reeleição. Ele conta com as máquinas pública e evangélica. Por isso, não é desprezado pelos adversários, mesmo com muitos deles apontando seu governo como impopular. Crivella deve lançar mão do discurso ideológico durante a campanha, como demonstrou quando mandou recolher livros com conteúdo LGBT na Bienal do Livro.

Pela esquerda, o deputado federal Marcelo Freixo (PSOL) tentará chegar ao Executivo carioca pela terceira vez. Em 2016, perdeu para Crivella no segundo turno. Desta vez, contudo, o psolista deve vir com nova roupagem. Além de ter agora um mandato federal, ele tem defendido a formação de uma grande aliança em torno de sua candidatura. Isso incluiria tanto legendas de esquerda quanto algumas mais ao centro, como o PV e a Rede de Marina Silva.

A maior dificuldade de Freixo tem sido nas conversas com o PDT, que pretende lançar a deputada estadual Martha Rocha, e o PSB, cujo nome cotado é o do deputado federal Alessandro Molon. Adversários de Freixo têm apresentado o parlamentar como um nome forte para disputar a eleição na atual conjuntura, já que é o único de oposição a Crivella que já se lançou com clareza e tem um forte ‘recall’ de eleições anteriores. 

Mais ao centro, o ex-prefeito Eduardo Paes (DEM) é uma peça-chave. Os demais concorrentes o consideram um nome forte, que dificilmente deixaria de ir ao segundo turno. Por essa ótica, Paes poderia adotar um discurso de combate à polarização, jogando Crivella para um lado ultraconservador e pintando Freixo como um esquerdista radical. Além disso, pegaria embalo na má avaliada gestão Crivella para despertar no eleitor o fator “saudade”. Até o ano que vem, no entanto, Paes continuará trabalhando pela eleição sem assumir oficialmente a candidatura. Só em 2020 irá às ruas como postulante à prefeitura. 

Um mistério que ainda ronda a eleição é: quem será apoiado por Wilson Witzel? O governador, que está em baixa com antigos aliados do PSL, ainda não tem um candidato. O próprio PSL também tem problemas internos. Apesar de alguns nomes serem cotados, crescem as chances de a sigla não ter candidato próprio. 

Veja abaixo os nomes que podem concorrer à Prefeitura do Rio:

Marcelo Crivella (PRB)

Bispo licenciado da Igreja Universal, prefeito Marcelo Crivella  assumiu a cidade em contexto de ressaca dos grandes eventos. Impopular, Crivella era mal avaliado por 58% dos cidadãos cariocas na última pesquisa feita por um grande instituto, o Datafolha, no início de 2018. Desde então, episódios como as mortes por causa das chuvas na cidade podem ter puxado ainda mais para baixo a aprovação do prefeito.

Nos últimos meses, porém, de olho em 2020, Crivella tem articulado nos bastidores para chegar forte à disputa pela reeleição. Usou o episódio da Bienal do Livro, considerado censura pelo Supremo Tribunal Federal (STF), para aparecer no noticiário e reforçar um posicionamento conservador. 

Recentemente, cresceu a possibilidade de o PSL de Jair Bolsonaro apoiar Crivella. O partido indicaria o vice da chapa em troca de um apoio futuro em 2022, tanto para o governo do Estado quanto para a Presidência. 

Marcelo Freixo (PSOL)

O deputado federal Marcelo Freixo tem recall grande das últimas eleições. Por outro lado, tem como desafio driblar a rejeição, que foi decisiva para ele perder o segundo turno em 2016.

No momento, Freixo trabalha para construir o que chama de uma frente ampla em torno de sua candidatura. As negociações estão avançadas com PT e PCdoB, mas o psolista precisa cooptar legendas mais moderadas. Conversa, por exemplo, com o PV e a Rede de Marina Silva. As maiores dificuldades estão sendo com duas siglas tradicionais da centro-esquerda: o PSB, que pode lançar o deputado Alessandro Molon, e o PDT, que tem a deputada estadual Martha Rocha como o nome escolhido para o pleito. 

Durante os governos de Sérgio Cabral Filho (MDB) no Estado, e de Paes (atualmente no DEM), na Prefeitura, o PSOL foi o único partido de esquerda que em nenhum momento compôs as bases aliadas ou ocupou cargos nas gestões. Com isso, a legenda, que é pequena nacionalmente, construiu no Rio sua principal trincheira. 

Eduardo Paes (DEM)

Há um consenso entre todos os prefeitáveis do Rio: se Eduardo Paes entrar na disputa, desponta como o candidato a ser batido.  O ex-prefeito, porém, só deve se apresentar como candidato no início do ano que vem. Paes vem articulando discretamente. Uma aproximação com o governador WIlson Witzel, que o derrotou na eleição para governador no ano passado, chegou a ocorrer. Mas a tendência é que haja uma chapa mais ao centro, unindo DEM, PSDB, Cidadania, PSD e Solidariedade, por exemplo.

Os aliados desses outros partidos, contudo, são receosos quando questionados se apoiarão Paes. Todos reconhecem a força política do ex-prefeito, que poderia confrontar Crivella com dados efetivos de sua gestão, que se deu num período em que o Rio passou por grandes obras e mudanças urbanísticas. “Vamos caminhar juntos em algum momento”, avalia um deles. 

Apesar de derrotado por Witzel na eleição para governador no ano passado, Paes venceu na capital. O resultado eleitoral do ex-prefeito do Rio foi prejudicado por causa da periferia da Região Metropolitana e do interior do Estado, que votaram maciçamente no hoje governador. 

Rodrigo Amorim (PSL) / Hélio Lopes (PSL)

Conhecido como o deputado estadual que quebrou uma placa com o nome da vereadora assassinada Marielle Franco na eleição do ano passado, Rodrigo Amorim chegou a ser apresentado oficialmente como pré-candidato do PSL no Rio. Sua candidatura é encampada pelo senador Flávio Bolsonaro, presidente do partido no Estado.

No entanto, há uma forte resistência ao nome de Amorim no partido, com origem na Presidência da República. Jair Bolsonaro é contra lançar o deputado e defende outras soluções. Cogita-se o nome do deputado federal Hélio Lopes, conhecido como Hélio Negão, que é muito próximo ao presidente, como alternativa. 

Braço direito do presidente Jair Bolsonaro – ao lado de quem é fotografado com frequência –, Hélio Lopes é uma das opções do PSL. Não é a primeira alternativa do comandante da legenda no Rio, Flávio Bolsonaro, mas tem a simpatia do presidente da República. Até então virtualmente desconhecido, Hélio foi o deputado federal mais votado do Rio no ano passado, quando concorreu com a alcunha de ‘Hélio Bolsonaro’.

Esquentou, também, a hipótese de o PSL apoiar um candidato de outro partido, especialmente o prefeito Marcelo Crivella (PRB). Nesse caso, o partido do presidente ficaria com a vaga de vice na chapa. 

Gustavo Bebianno (sem partido)

Dissidente do bolsonarismo, o ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência Gustavo Bebianno já afirmou que deseja concorrer à Prefeitura. Depois de abandonar o PSL, o advogado ainda não escolheu nova legenda. Há uma tendência natural a se filiar ao PSDB, pela proximidade com o empresário Paulo Marinho, ou ao DEM. No entanto, as duas siglas já têm planos para a eleição municipal. 

Marcelo Calero (Cidadania)

Ex-ministro da Cultura, o deputado federal Marcelo Calero (Cidadania) é apresentado pelo partido como pré-candidato. Calero é muito próximo ao apresentador Luciano Huck e faz parte do grupo que mantém contatos frequentes com ele a fim de criar um projeto presidencial para 2022. 

Na eleição do ano que vem, Calero está entre os que poderiam abrir mão da candidatura a depender de como será construída a aliança em torno de Eduardo Paes. Em evento do PSDB no final de setembro, chamou Paes de “o melhor prefeito que essa cidade já teve”. 

Martha Rocha (PDT)

Deputada estadual por um partido que tem história no Rio de Janeiro, o PDT, Martha Rocha conta ainda com outro ativo: é delegada da Polícia Civil e chegou a presidir a corporação. Ela já chegou a ser apontada como “vice dos sonhos” de Marcelo Freixo, mas reafirma sua candidatura sempre que lhe perguntam a respeito. 

A deputada estadual é próxima a outro nome da centro-esquerda carioca que resiste em aceitar a ideia de que todos os progressistas devem se unir em torno de Freixo: o deputado federal Alessandro Molon, do PSB, com quem mantém conversas. 

Alessandro Molon (PSB)

Candidato à Prefeitura duas vezes em condições adversas, em 2008 e 2016, Alessandro Molon é cotado pelo PSB para concorrer de novo no ano que vem. Terceiro deputado federal mais votado do Rio no ano passado, o parlamentar tem votações crescentes para o cargo, mas ainda não empolgou o eleitorado em disputas para o Executivo.

Junto com Martha Rocha e seus partidos, tenta viabilizar uma alternativa à candidatura de Freixo dentro do campo progressista.

Paulo Messina (PRTB/PSD)

Ex-braço direito de Marcelo Crivella, de quem foi secretário da Casa Civil, o vereador Paulo Messina, que está no terceiro mandato, rompeu com o prefeito e tem manifestado o desejo de concorrer ao Executivo carioca. Ele está no PRTB, mas pode ir para o PSD de Gilberto Kassab, presidido no Rio pelo deputado Hugo Leal. Há, no entanto, uma forte resistência à ideia entre vereadores do partido na cidade, que ainda são aliados de Crivella. 

Mariana Ribas (PSDB)

A fim de construir palanque para o governador de São Paulo, João Doria, na eleição presidencial de 2022, o PSDB busca se estruturar numa cidade que não tem tradição tucana. Agora comandado no Rio pelo empresário Paulo Marinho, o partido realizou um evento com contornos nacionais no dia 28 de setembro para anunciar a pré-candidatura da gestora Mariana Ribas à Prefeitura da capital fluminense. 

Mariana é da área da Cultura. Além de secretária municipal, já ocupou cargos de direção na RioFilme e na Ancine. Ela é apresentada por Marinho e Doria como alguém que representa o que o ‘novo PSDB’ tem tentado pregar: uma maior participação de mulheres e jovens nos quadros partidários.

No entanto, há uma forte tendência de que o partido componha uma aliança com o ex-prefeito Eduardo Paes — podendo, por exemplo, ficar com a vaga de vice na chapa. 

Fred Luz (Novo)

Ex-CEO do Flamengo, Fred Luz trabalhou na campanha do presidenciável João Amoedo (Novo) em 2018 e agora deve se candidatar a prefeito pela legenda.

Clarissa Garotinho (PROS)

Filha dos ex-governadores Rosinha e Anthony Garotinho, a deputada federal Clarissa Garotinho se apresenta como candidata à Prefeitura do Rio, apesar de o reduto da família ser em Campos dos Goytacazes, no norte do Estado.

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