Fábio Motta|Estadão
Fábio Motta|Estadão

Segundo colocado nas pesquisas, Freixo desiste de concorrer à prefeitura do Rio

Além da dificuldade de formar uma aliança que unisse a esquerda, deputado avalia que tem adquirido importância na oposição ao bolsonarismo em Brasília

Caio Sartori, O Estado de S.Paulo

15 de maio de 2020 | 16h52

RIO - Principal nome da esquerda carioca, o deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ) desistiu de concorrer à prefeitura do Rio de Janeiro neste ano. Seria a terceira tentativa do psolista, que ficou em segundo lugar em 2012, quando o então prefeito Eduardo Paes foi reeleito em primeiro turno, e em 2016, ano em que foi derrotado por Marcelo Crivella no segundo turno. 

Na pesquisa Datafolha de dezembro do ano passado, Freixo aparece em segundo lugar, com 18% das intenções de voto, atrás apenas de Paes, que tem 22%. Resultados parecidos são observados em avaliações internas feitas por partidos. 

A dificuldade de formar uma aliança ampla de esquerda em torno de si já vinha há meses desgastando Freixo, que costuma apontar a necessidade de os progressistas caminharem juntos nas eleições municipais como uma espécie de laboratório para o pleito de 2022. Até o momento, o PT tinha sido o único partido a sinalizar com mais firmeza a essa ideia. 

Partidos como o PDT e o PSB, por exemplo, tidos como importantes para compor uma aliança que olhasse mais para o centro, dificultavam as articulações.

Até dentro do próprio PSOL, por motivos opostos, havia resistência de alas mais radicais à aproximação com outros partidos. Chegaram a criticar o fato de Freixo se colocar como o nome definitivo da legenda e a propor a realização de prévias internas.

A informação sobre a desistência foi noticiada pelo jornal O Globo na tarde desta sexta-feira, 15, e confirmada pelo Estadão. O vereador carioca Tarcísio Motta, um dos principais aliados do deputado, disse que a decisão ainda não é definitiva e que “espera que não se concretize”. 

Além da dificuldade de unir a esquerda, Freixo tem avaliado que é uma figura importante em Brasília no combate ao governo de Jair Bolsonaro. Trata-se do primeiro mandato dele na Câmara dos Deputados, depois de 12 anos de protagonismo como oposição na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) durante governos do MDB

Essa oposição quase solitária ao MDB no Rio, inclusive no âmbito municipal, o colocou na posição de maior nome da esquerda na cidade, já que partidos como PT, PCdoB, PDT e PSB compuseram os governos emedebistas. Os petistas, inclusive, chegaram a ter o vice-prefeito durante a gestão de Eduardo Paes. 

Por falar em Paes, o ex-prefeito - hoje no DEM - pode ser o principal beneficiado pela ausência de um nome forte da esquerda. Isso porque a campanha de reeleição do impopular Marcelo Crivella (Republicanos), rejeitado por 72% da população, pretendia ideologizar e polarizar ao máximo com o psolista - com quem teria, em tese, um embate mais fácil num segundo turno. 

No mês passado, Crivella chegou a filiar a seu partido dois filhos - Carlos e Flávio - e uma ex-mulher de Bolsonaro, Rogéria, como parte desse projeto de aproximação com a família. O Republicanos vai servir como abrigo temporário aos entusiastas do Aliança Pelo Brasil, partido que o clã Bolsonaro pretende criar.

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