Às vésperas da eleição, Eduardo Paes vira réu por corrupção e é alvo de busca e apreensão

Às vésperas da eleição, Eduardo Paes vira réu por corrupção e é alvo de busca e apreensão

Juiz Flávio Itabaiana Nicolau aceitou denúncia do MP; ex-prefeito do Rio é acusado de corrupção, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica eleitoral

Caio Sartori/RIO

08 de setembro de 2020 | 12h02

Atualizado às 15h40*

O ex-prefeito do Rio, Eduardo Paes. Foto: Marcos de Paula/Estadão

A menos de 20 dias do início da campanha, o ex-prefeito carioca Eduardo Paes (DEM) virou réu na Justiça Eleitoral por corrupção, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica eleitoral. O juiz Flávio Itabaiana Nicolau, o mesmo do caso das “rachadinhas” envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), aceitou no dia 31 de agosto a denúncia em que o Ministério Público Eleitoral acusa Paes pelo suposto recebimento de propinas de cerca de R$ 10,8 milhões do Grupo Odebrecht, destinadas ao financiamento de sua campanha de reeleição em 2012.

No mesmo despacho em que acolheu a acusação da Promotoria, Nicolau ainda autorizou o cumprimento de mandado de busca e apreensão contra ele. A ordem foi cumprida na manhã desta terça, 8, na casa do ex-prefeito em São Conrado, zona sul do Rio. Em meio à impopularidade do prefeito Marcelo Crivella (Republicanos), Paes é o líder das pesquisas de intenção de voto para a eleição deste ano na capital fluminense.

Além de Paes, a denúncia apresentada no dia 17 de julho pelo MPE atinge ainda o deputado federal Pedro Paulo (DEM-RJ) e os empresários Benedicto Barbosa da Silva Junior, Leandro Andrade Azevedo, Renato Barbosa Rodrigues Pereira e Eduardo Bandeira Villela. Assim como o juiz Itabaiana, o núcleo da Promotoria que denunciou Paes é o mesmo que investiga Flávio Bolsonaro: o Grupo de Atuação Especializada no Combate à Corrupção (Gaecc). Itabaiana é o titular da 204ª zona eleitoral.

O fato de ter virado réu não impede o ex-prefeito de concorrer na eleição – ele só seria proibido se fosse condenado. O impacto para sua imagem, porém, pode ser decisivo. Favorito na disputa, Paes tem como calcanhar de Aquiles a antiga relação com o ex-governador Sérgio Cabral, preso desde novembro de 2016 e condenado a quase 300 anos de prisão. Ele vinha buscando se desvencilhar dos escândalos de corrupção que assolaram seu antigo grupo político.

O ex-prefeito começava a formar uma aliança sólida para a eleição, com partidos como Cidadania e Avante já confirmados e o PSDB prestes a embarcar. Seu principal adversário no pleito é o atual prefeito, Marcelo Crivella (Republicanos), que se alinhou ao bolsonarismo para tentar driblar a impopularidade e se manter no cargo.

Na semana passada, veio à tona o caso conhecido como Guardiões do Crivella, revelado pela TV Globo. Servidores da Prefeitura ficavam nas portas dos hospitais para impedir que a população reclamasse, em entrevistas, das más condições dos hospitais durante a pandemia. O escândalo chegou a motivar um pedido de impeachment contra o mandatário, mas a Câmara o rejeitou.

COM A PALAVRA, EDUARDO PAES

“Às vésperas das eleições para a Prefeitura do Rio, Eduardo Paes está indignado que tenha sido alvo de uma ação de busca e apreensão numa tentativa clara de interferência do processo eleitoral – da mesma forma que ocorreu em 2018 nas eleições para o governo do estado. A defesa sequer teve acesso aos termos da denúncia e assim que tiver detalhes do processo irá se pronunciar”.

COM A PALAVRA, O DEPUTADO PEDRO PAULO

“Uso político de instrumentos da justiça para interferir na eleição. Não nos intimidarão. Ao ter acesso ao conteúdo da denúncia, farei a minha defesa no processo”.

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