RAFAEL WALLACE- ALERJ
RAFAEL WALLACE- ALERJ

No Rio, centro-esquerda lança chapa com deputada do PDT e ex-presidente do Flamengo

Campo político faz primeiro movimento para eleição municipal após desistência de Marcelo Freixo, do PSOL

Caio Sartori, O Estado de S.Paulo

17 de junho de 2020 | 17h43

RIO – Após a desistência de Marcelo Freixo (PSOL), a centro-esquerda carioca oficializou nesta quarta-feira, 17, seu primeiro movimento efetivo para a próxima eleição municipal. Em reunião transmitida ao vivo, representantes de três partidos anunciaram uma chapa composta pela delegada e deputada estadual Martha Rocha (PDT) e o ex-presidente do Flamengo Eduardo Bandeira de Mello (Rede). Ainda não há definição de quem vai encabeçar. O PSB, comandado no Rio pelo deputado federal Alessandro Molon, também está na aliança.

Na pesquisa Datafolha mais recente, feita em novembro do ano passado, Martha aparecia com 7% das intenções de voto; Bandeira, 6%. Há quem afirme, entre quadros de esquerda que não fazem parte dessa aliança, que os números considerados positivos tenham relação apenas com o passado dos dois – ela, delegada da Polícia Civil; ele, presidente do clube de maior torcida do País. Seriam, portanto, segundo essa visão, votos voláteis.

Para os aliados, no entanto, a chapa tem chances reais de conquistar tanto o eleitorado órfão de Freixo quanto pessoas mais de centro, que não votariam numa chapa PT-PSOL-PCdoB. Com isso, conseguiria chegar ao segundo turno e vencer a disputa. O líder das pesquisas é o ex-prefeito Eduardo Paes (DEM), com 22%. O atual prefeito, Marcelo Crivella (Republicanos), é impopular – apenas 10% das intenções –, mas aposta no apoio da família Bolsonaro para tentar se reeleger. 

Ao lançar a chapa no Rio, o PDT faz mais um movimento rumo à candidatura de Ciro Gomes à Presidência em 2022, mesmo que interlocutores da aliança anunciada hoje neguem a intenção. O presidente da legenda, Carlos Lupi, mantinha ótima relação de diálogo com Freixo em prol da unidade. Semanalmente, tomavam água de coco na praia do Leme, bairro em que ambos moram na zona sul do Rio. A busca de Ciro por protagonismo, contudo, somada a outros aspectos nacionais, impossibilitava avanços nessa direção. 

Mesmo assim, ainda não está descartada uma tentativa de aproximação com os outros partidos de esquerda e até alguns mais ao centro, como o Cidadania e o PV. O entendimento é de que se trata de uma eleição para ganhar, não para marcar posição. 

Perfis

Deputada há dois mandatos, Martha é uma das parlamentares mais ativas da Assembleia Legislativa do Rio, a Alerj. Preside a Comissão de Ética e costuma ocupar postos importantes – amanhã, começa a representar o PDT na comissão especial que vai analisar o impeachment do governador Wilson Witzel. Tem bom trânsito entre colegas de diferentes visões políticas.

A decoração do gabinete de Martha ajuda a traçar seu perfil. Na parede, quadros relacionados ao trabalho na Polícia Civil, corporação em que já foi a número 1 e criou a Delegacia de Atendimento à Mulher. Numa estante, objetos sacros que simbolizam seu catolicismo. Por fim, uma capa que cobre a cadeira do escritório com a imagem do trabalhista histórico e ex-governador Leonel Brizola.

Pelas diferentes características – mulher, delegada e tida como moderada –, Martha chegou a ser cotada como vice tanto de Freixo quanto de Paes. Nos bastidores, contudo, não lhe agrada o modo como seu nome sempre é ventilado como “vice dos sonhos”.

Funcionário de carreira do BNDES, Eduardo Bandeira de Mello ficou conhecido por presidir por seis anos o Flamengo, clube de maior torcida do Rio e do Brasil. Sua gestão ficou marcada pela recuperação econômica: após décadas de crises financeiras e dívidas, o clube acertou os cofres e passou a virar modelo de gestão.

Apesar disso, a figura de Bandeira gerou muitos atritos com os torcedores. A recuperação financeira não veio acompanhada de sucessos no campo – que só chegariam no ano passado, já sob nova administração. Alguns episódios de brigas com torcedores, como um em que o presidente fez o gesto de “banana” para torcedores, também prejudicaram sua imagem. 

Ao fim da gestão no clube, restaram a seu lado poucos aliados do início do primeiro mandato. A maior parte já havia virado dissidência e acabou formando a chapa vencedora, composta por Rodolfo Landim – figura hoje muito próxima ao presidente Jair Bolsonaro

Martha e Bandeira são tidos por aliados como complementares. Ela representaria a importância da Segurança; ele, a da gestão financeira. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.