Marcos de Paula/Estadão
Marcos de Paula/Estadão

Cenário: Denúncia contra Paes abala sua imagem em momento-chave para formação de aliança

Com o episódio 'Guardiões do Crivella', a disputa no Rio começa com os dois principais pré-candidatos implicados com a Justiça

Caio Sartori, O Estado de S.Paulo

09 de setembro de 2020 | 05h00

Líder das pesquisas de intenção de voto no Rio, Eduardo Paes (DEM) vê sua imagem pública em xeque em um momento crucial da pré-campanha, quando começava a anunciar os partidos da sua aliança. O Cidadania já formalizou apoio, o PSDB caminha nesse sentido e partidos como PL e PSL são cortejados. É nesse ponto, segundo analistas e políticos que atuam no Rio, que a denúncia do Ministério Público Eleitoral o alveja, já que Paes “perde força na negociação com a futura base”.

Entre aliados do ex-prefeito, no entanto, a avaliação é a de que a denúncia é “política” e, portanto, nada muda na composição. Afirmam que os tucanos, por exemplo, devem definir até esta sexta-feira o apoio a Paes. Apesar disso, esses mesmos aliados temem que o caso seja usado por adversários para tentar colar em Paes a imagem do ex-governador Sérgio Cabral – condenado a quase 300 anos de prisão na Lava Jato – e de outros caciques do seu antigo partido, o MDB, de quem o ex-prefeito quer distância.

Com o episódio “Guardiões do Crivella”, a disputa no Rio começa com os dois principais pré-candidatos implicados com a Justiça. Para o cientista político Ricardo Ismael, da PUC-Rio, a denúncia não é algo irreversível. Paes, no entanto, se vê em situação delicada uma semana depois de ter se aproveitado do caso envolvendo Marcelo Crivella para turbinar a formação de sua aliança.

“Ninguém vai querer entrar num barco que pode vir a afundar depois. Há dois anos, na eleição estadual, o Paes já tentava se desvencilhar dos casos de corrupção do antigo grupo político dele. Agora, sendo o questionamento em cima dele próprio, sua imagem pode sofrer um abalo”, afirmou o cientista político.

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