Não, cédulas de votação nos EUA não têm ‘marca d’água secreta’

Não, cédulas de votação nos EUA não têm ‘marca d’água secreta’

Grupos conspiratórios inventam que Donald Trump mandou inserir 'sinal' para diferenciar votos verdadeiros de falsos

Alessandra Monnerat

06 de novembro de 2020 | 18h22

Circula nas redes sociais e no WhatsApp a alegação fantasiosa de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teria mandado inserir uma marca d’água secreta nas cédulas de votação para diferenciar votos verdadeiros de falsos. Nada disso é verdade. Nos EUA, as eleições são administradas pelos estados e pelos governos locais, sem interferência da Casa Branca. O boato sobre a “marca d’água secreta” surgiu em grupos americanos que divulgam teorias conspiratórias e foi importado para postagens brasileiras. Um vídeo que contém a alegação falsa alcançou mais de 116 mil visualizações no YouTube.

O candidato democrata à presidência, Joe Biden, está na frente em quatro estados americanos que ainda não tiveram seus vencedores declarados — Geórgia, Pensilvânia, Nevada e Arizona. Trump cantou vitória já na noite da eleição, 4 de novembro, quando grande parte dos votos enviados por correios, majoritariamente democratas, ainda não haviam sido computados. Depois da virada de Biden em estados-chave, o presidente americano passou a fazer falsas acusações de fraude, sem apresentar provas.

De acordo com o site de fact-checking americano Politifact, a alegação sobre marcas d’água secretas em cédulas surgiu em grupos de teoria conspiratória QAnon. Os seguidores desse movimento, que surgiu nas redes sociais, acreditam que o mundo é dirigido por uma organização de pedófilos satânicos que, entre outras coisas, conspiram para derrotar Trump.

As postagens sobre a marca d’água secreta afirmam que Trump mandou imprimir cédulas de votação especiais que poderiam ser diferenciadas das “falsas”. Um vídeo no YouTube chega a afirmar que o Partido Democrata teria confeccionado papéis de votação na China — algo completamente inventado. Até o momento, não houve nenhuma denúncia oficial de cédulas falsas ou impressas na China.

Nos Estados Unidos, cada estado é responsável por gerir suas eleições. Em Rhode Island, por exemplo, é o Secretário de Estado que fica a cargo de definir o design das cédulas. Na Califórnia, as gráficas contratadas para imprimir as cédulas devem ser primeiramente certificadas pelo governo. As empresas devem seguir à risca regras de formato, diagramação, tinta e marca d’água. 

Esse boato também foi checado pelo site FactCheck.Org.

Sem provas, alegações sobre fraude eleitoral nos EUA têm se espalhado pelas redes sociais brasileiras. Veja outras checagens do Estadão Verifica.

publicidade

publicidade

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.