Votos descartados por engano na Pensilvânia foram recuperados e reenviados para contagem

Votos descartados por engano na Pensilvânia foram recuperados e reenviados para contagem

Sete votos para Trump foram jogados fora por engano em setembro; autoridades do estado americano descartaram fraude

Alessandra Monnerat

05 de novembro de 2020 | 17h02

Uma notícia sobre cédulas de votação extraviadas na Pensilvânia tem circulado fora de contexto nas redes sociais. O caso ocorreu há mais de um mês — nove cédulas, sete delas com votos para o presidente Donald Trump, foram descartadas no condado de Luzerne. As autoridades concluíram que os votos foram jogados fora por erro de um funcionário temporário, que posteriormente foi demitido. De acordo com a emissora Fox News, os sete votos para Trump foram identificados e reenviados para contagem

Uma postagem no Facebook reproduz a seguinte manchete de um site: “FBI encontra cédulas de votação por correio descartadas na Pensilvânia, todas com votos para o candidato presidencial Donald Trump”. O post analisado não deixa claro quantos votos são nem quando o caso ocorreu.

A apuração das eleições no condado de Luzerne já terminou — lá, o candidato republicano conquistou 56,77% do eleitorado, ou 84.649 votos. A contagem no restante do estado continua. Até as 16h desta quinta-feira, 5, o presidente americano liderava com 50,1%, mas a dianteira vem diminuindo à medida que votos enviados pelos correios são contados.

Após o avanço do candidato democrata, Joe Biden, a campanha de Trump entrou com ações judiciais para tentar impedir a contagem de votos na Pensilvânia e em outros estados. O presidente argumenta que votos por correios que chegaram no dia das eleições não devem ser contados, o que não condiz com a legislação estadual. Trump diz haver provas de fraude eleitoral, mas não apresentou nenhuma evidência.

O caso das cédulas descartadas ocorreu na cidade de Wilkes-Barres, na Pensilvânia. Os votos foram enviados por militares, que usam envelopes diferentes dos de outros votos por correios. O vice-secretário de Eleições da Pensilvânia, Jonathan Marks, disse à Fox que provavelmente houve uma confusão na hora de separar esses votos para contagem e que o episódio trouxe à tona a necessidade de treinar melhor trabalhadores temporários.

Em coletiva no dia 30 de setembro, a secretária de Estado da Pensilvânia, Kathy Boockvar, reforçou que as cédulas erroneamente descartadas não foram fruto de “fraude intencional”, e sim de um erro. O funcionário responsável por descartar os votos foi demitido.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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