Wisconsin tem menos votos do que eleitores registrados, ao contrário do que diz boato

Wisconsin tem menos votos do que eleitores registrados, ao contrário do que diz boato

Peça de desinformação utiliza dados desatualizados para acusar fraude nas eleições presidenciais no estado americano

Pedro Prata

06 de novembro de 2020 | 12h20

São falsas as postagens de redes sociais que afirmam que o estado norte-americano de Wisconsin teria recebido mais votos do que o número de eleitores registrados nas eleições presidenciais dos Estados Unidos. Esta peça de desinformação foi publicada inicialmente nos Estados Unidos mas também chegou ao Brasil e viralizou no Facebook, onde já foi compartilhada ao menos 1,7 mil vezes.

Dados utilizados em boato viral são de 2018. Foto: Reprodução

Uma postagem diz que “Wisconsin está contando 3.239.920 votos. Eles possuem apenas 3.129.000 votantes registrados”. A informação falsa foi verificada pela agência de checagens Politifact. Dados da comissão eleitoral do Wisconsin mostram que o estado tinha 3.684.726 eleitores registrados ativos em 1º de novembro de 2020.

Foto: Comissão Eleitoral do Wisconsin/Reprodução

A própria página oficial da Comissão Eleitoral no Twitter disse que o número de eleitores ativos era superior a 3,6 milhões. “Não há mais votos do que eleitores registrados”, escreveu. Esclareceu, ainda, que o estado permite que as pessoas se registrem como eleitores no dia da eleição. Por isso, os números não-oficiais não representam o número real de votantes registrados ativos.

A divulgação da contagem feita tradicionalmente pela Associated Press indicava que às 9h13 do horário local (11h18 pelo horário de Brasília) desta sexta-feira, 6, haviam sido registrados 3.297.420 votos no estado. Biden liderava com 49,4% dos votos (1.630.541) contra 48,8% para Donald Trump (1.610.007).

Foto: New York Times/Reprodução

A agência de checagem da AFP identificou a tabela utilizada no boato como sendo da página World Population Review. Apesar da tabela dizer que os dados mostrados são de 2020, a AFP identificou que os números estavam desatualizados e representavam os eleitores registrados em 2018. A página foi atualizada e mostra o mesmo número informado pela Comissão Eleitoral do Wisconsin, com um aviso de que os dados estavam desatualizados.

Após a divulgação da contagem dos votos, tradicionalmente feita pela Associated Press, apontar vantagem para o candidato democrata, Joe Biden, o presidente Donald Trump acusou, sem provas até o momento de publicação desta checagem, alguns estados-chave de promoverem fraude na contagem de votos. Com isso, alguns estados foram alvo de desinformação nas redes sociais. O Estadão Verifica já checou alegações sobre a Pensilvânia, o Arizona e Michigan.

Esse conteúdo também foi checado por Aos Fatos.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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