Postagens no Facebook espalham desinformação sobre contagem de votos nas eleições dos EUA
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Postagens no Facebook espalham desinformação sobre contagem de votos nas eleições dos EUA

Não é verdade que o Partido Democrata tenha impedido a contagem de votos para favorecer Joe Biden; resultado demora por causa de votos por correios

Alessandra Monnerat

04 de novembro de 2020 | 12h22

Não é verdade que o Partido Democrata e a imprensa tenham paralisado a contagem de votos das eleições dos Estados Unidos para favorecer Joe Biden. A apuração dos votos continua, mas demora mais tempo por causa do alto número de cédulas enviadas por correios. Postagens no Facebook afirmam que a apuração foi interrompida depois que o candidato à reeleição, Donald Trump, passou a vencer na Pensilvânia e em outros quatro estados-chave. Embora seja verdade que o republicano liderava a disputa à presidência no início da manhã em alguns dos estados que ainda apuravam a votação, nessas regiões ainda faltava contar uma parcela significativa dos votos enviados por correspondência, que tendem a ser mais democratas.

O The New York Times informou que, às 7h no horário de Brasília, Trump liderava as eleições na Pensilvânia por cerca de 700 mil votos. O republicano esteve na dianteira durante a maior parte da apuração. Naquele estado, no entanto, ainda faltava a apuração de cerca de 1,2 milhão de cédulas de voto enviadas por correios. Até aquele momento, a votação à distância na Pensilvânia tinha sido majoritariamente democrata, com Biden levando 78% dos votos por correspondência. Às 12h, a vantagem de Trump sobre Biden nesse estado já tinha caído para 589 mil votos.

No Michigan, onde até as 12h 90% dos votos tinham sido apurados, Trump também começou a manhã liderando a disputa. Mas à medida que votos enviados pelos correios foram contabilizados, Biden passou a frente — por uma margem pequena, de pouco mais de 9 mil votos. Nesse estado, 68,7% da votação à distância foram para o candidato democrata, segundo o The New York Times.

Biden também virou no Wisconsin, onde tem 49,5% dos votos — pouco mais de 20 mil a mais que seu oponente. Até as 12h, 97% dos votos tinham sido apurados. Assim como nos outros estados mencionados, as cédulas de votação por correios foram contabilizadas na manhã desta quarta-feira, 4.

No Arizona, o candidato democrata também está à frente, com 51% dos votos. Nesse estado, Trump só liderou no início da noite de terça-feira, mas Biden manteve a dianteira durante a maior parte da apuração.

Na Geórgia, o presidente republicano continua em primeiro, assim como esteve durante a maior parte da contagem dos votos. A dianteira, no entanto, diminuiu ao longo da apuração, e agora Trump tem 50,5%. Na Carolina do Norte, onde Biden liderava durante grande parte da noite, o republicano virou e conquistava 50,1% do eleitorado às 12h.

A pandemia de covid-19 fez com que a votação pelo correio aumentasse, o que dificultou a apuração das eleições americanas. Cada estado tem um prazo de contagem diferente — Arizona, Flórida e Carolina do Norte, por exemplo, contabilizaram as cédulas enviadas por correspondência primeiro, ao passo que Nova York e Alasca não contaram os votos por correio na noite das eleições.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

Tudo o que sabemos sobre:

Donald TrumpJoe Biden

publicidade

publicidade

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.