Boato resgata foto de 2018 para sugerir fraude na eleição presidencial dos EUA

Boato resgata foto de 2018 para sugerir fraude na eleição presidencial dos EUA

Correspondência foi deixada irregularmente por funcionário dos correios em Nova Jersey, não no Michigan

Pedro Prata

05 de novembro de 2020 | 15h07

Um post no Facebook resgata uma foto antiga de caixas de correspondências encontradas na beira de uma estrada para sugerir uma fraude na eleição presidencial dos Estados Unidos. A postagem alega que a imagem mostraria cédulas com votos “pró-Trump” que teriam sido encontradas no estado do Michigan durante a apuração de votos deste ano. Na verdade, a foto foi tirada em 2018, em uma cidade de Nova Jersey e mostra cartas comuns. Naquele ano, o presidente norte-americano, Donald Trump, que atualmente disputa a reeleição, não concorreu a nenhum cargo. Este conteúdo foi compartilhado ao menos 2,3 mil vezes no Facebook.

Foto é de 2018 e não tem relação com as eleições deste ano. Foto: Reprodução

Usando o mecanismo de busca reversa do Google, encontramos uma reportagem publicada em um site de jornalismo local de Nova Jersey em 3 de outubro de 2018. O texto dizia que as cartas e demais itens teriam sido postados em 8 de agosto na Filadélfia.

Quem encontrou as encomendas e postou uma foto da correspondência abandonada foi o usuário do Facebook Kewnoneal Bennett. “Se você estiver esperando a sua correspondência, talvez ela esteja na River Road… Compartilhem essa informação, pessoal”, escreveu Bennett.

Em entrevista ao jornal local, os correios informaram que identificaram o funcionário responsável pelo descarte irregular das encomendas. Ele deixou o emprego em setembro daquele ano.

Eleição nos Estados Unidos 2020

A foto voltou a circular em meio a uma das eleições mais polarizadas da história dos Estados Unidos. A peça de desinformação foi compartilhada pela candidata ao Senado no Arizona Suzanne Sharer e desmentida por uma rede de televisão local.

Com a pandemia de covid-19, muitos estados norte-americanos adotaram o sistema de voto antecipado pelo correio a fim de evitar filas e aglomerações. O método de votação já era utilizado anteriormente por alguns estados, sem qualquer indício de fraudes. Apesar disso, Trump acusa o sistema de ser manipulado pelos democratas. O Twitter decidiu colocar um aviso sobre os tuítes do presidente, informando que não há provas do que ele afirma.

O democrata Joe Biden lidera a corrida pela Casa Branca com uma margem apertada em alguns estados. No Michigan, citado pelo boato, o candidato democrata Joe Biden virou e venceu com 50,6% dos votos. A CNN o considerou vencedor da disputa por volta das 18h de ontem. A votação no estado também foi alvo de outro boato, que afirmava que o FBI estaria investigando possíveis fraudes.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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