Foto de apreensão do FBI é de 2019 e não tem relação com eleições no Michigan

Foto de apreensão do FBI é de 2019 e não tem relação com eleições no Michigan

Postagens acusam, sem evidência, fraude em estado vencido por candidato democrata, Joe Biden

Alessandra Monnerat

05 de novembro de 2020 | 12h54

A foto de uma apreensão feita pelo FBI no ano passado circula fora de contexto em postagens no Facebook. Uma imagem em que agentes carregam caixas cheias de envelopes foi compartilhada com legendas que afirmam que o material apreendido era de cédulas de votação extraviadas no estado de Michigan — o que não é verdade. Na realidade, a ação do FBI se deu em uma empresa de turbinas em Saratoga Springs, cidade no estado de Nova York.

A foto dos agentes carregando caixas de papelão é creditada a Will Waldron, do Albany Times Union. No dia 25 de junho de 2019, cerca de 30 agentes do FBI fizeram apreensões na empresa Turbine Services Ltd. Eles reuniram dez caixas de provas, incluindo eletrônicos, de acordo com reportagens da imprensa local. Na época, a polícia americana não indicou o motivo da ação, mas no mês seguinte uma mulher iraniana confessou exportar turbinas de distribuidoras em Saratoga Springs para seu país natal.

Foto original no site Albany Times Union. Foto: Reprodução

A investigação não tem qualquer relação com as eleições americanas. No Michigan, estado citado pela postagem analisada, o candidato democrata Joe Biden virou e venceu com 50,6% dos votos. A CNN o considerou vencedor da disputa volta das 18h de ontem. No Twitter, o presidente concorrente à reeleição, Donald Trump, disse ter ganhado a eleição no estado e fez acusações sem evidências de fraude em Michigan. A campanha republicana entrou com ações na justiça questionando a apuração da votação.

A postagem analisada no Facebook diz que “centenas de caixas com cédulas foram achadas num lixão, onde iriam ser queimadas. Alertado por populares, o FBI impediu a queima do material e prendeu 8 pessoas. Mais tarde descobriu-se que eram todos membros do partido democrata, sendo dois deles já condenados por pedofilia”. Não há nenhum registro na imprensa de que isso tenha acontecido.

No Facebook, usuários brasileiros têm espalhado desinformação sobre a eleição dos Estados Unidos, com alegações sobre fraudes, feitas sem evidências. Na quarta-feira, o Estadão Verifica desmentiu que cédulas de votação encontradas enterradas no Arizona contivessem votos a favor de Trump.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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