Checamos a sabatina do Estadão com Bruno Covas no segundo turno

Checamos a sabatina do Estadão com Bruno Covas no segundo turno

Candidato à reeleição pelo PSDB citou dados imprecisos sobre a pandemia de covid-19 em São Paulo

Alessandra Monnerat, Tiago Aguiar e Pedro Prata e Ana Carolina Santos e Victor Pinheiro, especiais para o Estadão

19 de novembro de 2020 | 14h51

Estadão Verifica checou as falas do candidato à reeleição, Bruno Covas (PSDB), na sabatina do Estadão nesta quinta-feira, 19. O prefeito citou dados imprecisos sobre o atendimento médico de paulistanos durante a pandemia do novo coronavírus. Veja o resultado abaixo.

A equipe entrou em contato com a assessoria do candidato sobre as checagens, e atualizará o texto conforme as respostas chegarem.

Covas na sabatina do Estadão. Foto: Reprodução/YouTube

“Há uma estabilidade no número de casos, de óbitos, mas aumento no número de internações”.

De fato, o secretário municipal de Saúde, Edson Aparecido, disse ao Estadão ver um quadro de estabilidade em relação à pandemia. No entanto, dados da Fundação Seade indicam que houve um aumento de 29,5% no número de casos de covid-19 na capital, na comparação entre os 17 primeiros dias de outubro e o mesmo período de novembro. Por outro lado, a Seade apontou uma redução de 16,2% na quantidade de óbitos na cidade. As internações registraram um aumento de 26% na rede municipal.

“Chegamos a ter 31 leitos a cada 100 mil habitantes, agora estamos com 19,5 a cada 100 mil habitantes”.

A informação está correta, segundo dados do governo estadual. A Capital chegou a ter 32 leitos de UTI covid-19 por 100 mil habitantes entre os dias 21 e 24 de junho. Atualmente esta taxa é de 19,4/100 mil hab.

“As pesquisas mostram uma aprovação da gestão da prefeitura em relação ao tema (controle da pandemia)“.

Pesquisa Ibope do final de setembro aponta que 54% da população aprovou a condução do prefeito no combate ao coronavírus, e 40% desaprovou. No final de outubro, o Datafolha indicou que 46% dos paulistanos aprovavam a gestão durante a pandemia, e 18% reprovavam. 

“A cidade só começou o processo de flexibilização quando 10% da população estava imunizada”.

De fato, em junho deste ano, a Prefeitura divulgou um inquérito sorológico que mostrava que 9,5% da população paulistana já havia sido infectada com o novo coronavírus. A capital entrou na fase verde da reabertura no início de outubro.

“A relação dívida/receita, que era de 97% no início da gestão, chegou agora a 38%, a melhor relação da história”.

Segundo o demonstrativo da dívida consolidada líquida da cidade, de agosto de 2020, a relação entre dívida e receita era de 38,5% em agosto deste ano. No primeiro quadrimestre de 2017, esse porcentual de fato era de 97%, mas já após quatro meses de gestão do ex-prefeito João Doria (PSDB).

No entanto, boa parte deste resultado é legado da gestão do ex-prefeito Fernando Haddad (PT), que renegociou a dívida da administração municipal com o governo federal em 2016.

“Ninguém ficou sem atendimento na cidade de São Paulo (durante a pandemia)“.

Não é verdade que ninguém tenha ficado sem atendimento na cidade de São Paulo durante a pandemia do covid-19. Em junho, por exemplo, moradores do bairro de Guaianases, na Zona Leste da capital paulista, relataram ao portal G1 que o hospital referência no combate ao coronavírus na região estava negando atendimento a pessoas que chegavam à unidade para tratar de outras doenças. A população contou que o hospital tinha alas inteiras fechadas, como a UTI neonatal, além de equipamentos, macas e cadeiras empilhadas em um galpão. (Correção: o hospital citado não faz parte da rede municipal. Leia a resposta de Bruno Covas abaixo)

Em junho, o Estadão mostrou que ao menos 409 pessoas morreram em casa em decorrência da covid-19 entre março e maio. A maioria das vítimas com suspeita ou confirmação de infecção pelo novo coronavírus que morreram em casa, sem ter acesso à assistência médica, era idosa. De acordo com os dados da secretaria, 336 (82,1%) tinham 60 anos ou mais, das quais 240 eram maiores de 75 anos, a faixa etária mais afetada.

A taxa de ocupação de leitos de UTI em hospitais municipais de São Paulo por covid-19 é a maior desde agosto, chegando a 48% na última quarta, 18, número mais alto desde 10 de agosto, quando o índice foi de 50%.

Resposta do candidato: O Hospital de Guaianases não pertence à rede municipal. Na cidade de São Paulo não faltou leito e nem houve médico tendo que escolher quem era ou quem não era entubado. A Prefeitura tratou todo mundo que buscou tratamento nos hospitais da cidade.

“A gente teria esse ano o maior valor de investimento, com R$ 7 bilhões. Vamos ficar com R$ 4,5 bi, que ainda é o maior valor dos últimos 8 anos, mas é abaixo do valor previsto para os 8 anos”.

A Lei Orçamentária Anual de 2020 fixou o valor de R$ 8,19 bilhões para despesas com investimentos na capital, como mostra o balanço consolidado da Prefeitura (abaixo). De acordo com a Secretaria de Comunicação municipal, o valor previsto para investimentos neste ano era de R$ 5,5 bilhões, sendo R$ 3,4 bilhões já empenhados e R$ 2,1 bilhões ainda por empenhar.

Nos outros anos da gestão de Bruno Covas e de João Doria, o valor empenhado em investimentos foi o seguinte: R$ 1,9 bilhão em 2017; R$ 2,3 bilhões em 2018 e R$ 3,5 bilhões em 2019. O maior investimento da gestão Haddad ocorreu em 2015: R$ 4,5 bilhões. Durante os quatro anos de mandato, o governo petista somou pouco mais de R$ 15 bilhões em investimentos empenhados.

“… com o fim da fila da pré-escola, 85 mil vagas viabilizadas”

O prefeito voltou a falar que viabilizou 85 mil vagas em creches, mas esse número ainda não se concretizou. A Prefeitura prevê criar esse número de vagas até o final de 2020. A diferença no número de crianças matriculadas em creches entre dezembro de 2016 e setembro de 2020 é de 73.333, segundo os dados mais recentes da gestão municipal. O Estadão Verifica já checou essa alegação duas vezes e a assessoria de Bruno Covas argumentou que houve um salto de matrículas em setembro e outubro.

Em relação à fila da pré-escola, de fato não havia crianças aguardando matrícula em setembro, de acordo com relatório da Prefeitura.

Documento

“Hoje, por exemplo, o distrito em que o prazo de espera está menor, a fila (de creche) está zerada é Guaianases”.

Isso é verdade de acordo com relatório de setembro da Prefeitura. No entanto, o distrito não é o único da cidade. Barra Funda, Bela Vista e Marsilac também não têm alunos na fila de espera por vagas.

“Só de ganhos para a cidade de SP, somando a concessão da Zona Azul, do Parque Ibirapuera, da PPP Iluminação Pública, da PPP Habitação, foram R$ 13 bilhões para a cidade de São Paulo”

O prefeito Bruno Covas sugere que todos esses contratos e parcerias público-privadas já foram entregues. No entanto, o edital da PPP da Iluminação Pública, que se arrasta há mais de cinco anos, ainda não teve seu processo concluído. Apesar da concessionária vencedora já ter assinado um contrato no valor de R$ 6,9 bilhões com a Prefeitura de São Paulo, a instalação dos equipamentos públicos não ocorreu, portanto o “ganho” não foi entregue à cidade.

Documento

A Zona Azul foi concedida em 2019 em um acordo que prevê o pagamento de R$ 1,3 bilhão à administração municipal. A previsão da Prefeitura, no entanto, é que o acordo gere um ganho econômico de ordem de R$ 2 bilhões. O serviço operado pela concessionária Estapar teve início na terça-feira, 17. 

A concessão do Ibirapuera foi assinada em dezembro do ano passado com um total de R$ 70 milhões pagos em outorga pela concessionária Urbia Parques. O contrato é avaliado em R$ 1,33 bilhão porque também considera a transferência da gestão dos parques Jacintho Alberto, Eucaliptos, Tenente Brigadeiro Faria Lima, Lajeado e Jardim Felicidade e eventuais despesas da concessionária com investimentos e obrigações de contrato. 

Sobre a PPP de Habitação, o Governo do Estado e a Prefeitura de São Paulo assinaram um convênio para viabilizar a parceria público-privada na cidade em maio de 2015. O projeto, segundo nota da Secretaria Estadual da Habitação, prevê o investimento de R$ 7,5 bilhões em moradias na cidade. Entretanto, dos 12 lotes ofertados, somente seis, no total de R$ 2,2 bilhões, atraíram interesse da iniciativa privada, como mostra uma reportagem da Folha.  

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