Checamos o debate da Band com candidatos à Prefeitura de São Paulo
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Checamos o debate da Band com candidatos à Prefeitura de São Paulo

Imprecisões e exageros marcaram algumas das participações no encontro entre os concorrentes

Alessandra Monnerat, Bruno Ribeiro, Daniel Bramatti, Marcelo Godoy e Samuel Lima, especial para o Estadão

02 de outubro de 2020 | 16h15

Os candidatos a prefeito de São Paulo se reuniram pela primeira vez no debate da TV Band desta quinta-feira, 1º de outubro. Imprecisões e exageros marcaram algumas das participações no encontro, que contou com 11 concorrentes: Andrea Matarazzo (PSD), Arthur do Val (Patriota), Bruno Covas (PSDB), Celso Russomanno (Republicanos), Guilherme Boulos (PSOL), Jilmar Tatto (PT), Joice Hasselmann (PSL), Márcio França (PSB), Marina Helou (Rede), Orlando Silva (PCdoB) e Filipe Sabará (Novo).

Veja abaixo as frases analisadas pelo Estadão Verifica.

Candidatos à Prefeitura de São Paulo se enfrentaram no primeiro debate; Russomanno e Covas foram alvos Foto: KELLY FUZARO/BAND

Guilherme Boulos (PSOL)

“São Paulo é (…) a capital mundial do desemprego, 3 milhões de pessoas”.

Guilherme Boulos errou o número de desempregados em São Paulo. Ele afirmou que a cidade era recordista mundial de pessoas sem trabalho, registrando 3 milhões de desempregados na capital paulista. Os números estão inflados.

De acordo com os dados divulgados pelo Seade/SP Trabalho, no segundo trimestre desde ano, a cidade registrou um aumento de 13,2% para 15,3%, “com estimativa de 974 mil pessoas nesta condição”. Segundo o Seade, “vale destacar que a taxa de subutilização de mão de obra aumentou, praticamente, 7 pontos porcentuais” passando de 20,5% para 27,3%”.

Documento

“Durante a pandemia aumentaram em 45% os casos de violência contra a mulher”.

Em um ataque ao candidato Márcio França, Boulos lembrou que o ex-governador disse em 2018 que a Polícia Militar de São Paulo não necessariamente precisava intervir em brigas de casais. Nesse momento, 0 postulante do PSOL também citou que, durante a pandemia do novo coronavírus, os casos de violência contra a mulher em São Paulo cresceram 45%. Esse número é verdadeiro e se refere a dados divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública sobre atendimentos da PM a mulheres vítimas de violência.

Bruno Covas (PSDB)

“A cidade de SP é a única capital que está reduzindo a quantidade de mortes por coronavírus da região Sudeste”.

De fato, de acordo com reportagem da revista Veja publicada na quarta-feira, 30, São Paulo é a única capital do Sudeste a registrar queda no número de vítimas de covid-19. Na capital paulista, a média móvel passou de 52 mortes por dia, há duas semanas, para 36 na quarta-feira, 30 — recuo de 29,4%.

No mesmo período, em Belo Horizonte (MG), a taxa de mortes subiu 17,4%. No Rio de Janeiro, os os óbitos aumentaram 1,8%, número que indica estabilização. Em Vitória (ES), não houve variação. São Paulo também registrou queda no número de casos confirmados, enquanto as demais cidades da região estão em alta.

“O orçamento de 2017 tinha um rombo de R$ 7 bilhões”.

Covas voltou a falar no debate sobre um suposto “rombo” de R$ 7 bilhões no orçamento da cidade deixado pelo petista Fernando Haddad (PT). A prestação de contas de 2016, publicada no Diário Oficial no ano seguinte, informa que a disponibilidade de caixa, na verdade, era positiva, com R$ 5,3 bilhões de saldo. Descontadas obrigações financeiras de curto prazo, o valor em caixa era de R$ 3,1 bilhões.

A informação incorreta se originou de uma declaração feita pelo ex-prefeito João Doria (PSDB), que mencionou o valor ao contabilizar recursos federais listados no orçamento para a realização de obras, especialmente do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que não foram transferidos.

Márcio França (PSB)

“No segundo turno, ganhamos a eleição na capital com mais de 1 milhão de votos de diferença”.

Ex-governador de São Paulo, França perdeu a reeleição em 2018 para João Doria (PSDB). França mencionou, no entanto, que obteve mais votos na capital, com diferença de cerca de 1 milhão de votos — o que é verdade. Na cidade de São Paulo, 58,10% dos votos válidos foram para França, total de 3.393.092. Doria conquistou 41,90% do eleitorado, ou 2.447.309 votos. A diferença é de 945.783 votos.

Em todo o Estado, Doria teve 10.990.350 votos (51,75%) e França, 10.248.740 (48,25%).

O ex-governador se referiu a outro resultado eleitoral em um segundo momento do debate. França citou que foi reeleito prefeito com 93% — de fato, esse é o porcentual de votos que garantiu seu segundo mandato em São Vicente, no litoral do Estado, em 2000.

Joice Hasselmann (PSL)

“Celso Russomanno, você (…) também votou contra o projeto ficha limpa” – Joice Hasselmann (PSL)

No segundo bloco do debate, Joice Hasselmann (PSL) lembrou a suspeita de que o deputado federal Celso Russomanno (Republicanos) teria recebido R$50 mil não contabilizados da Odebrecht. “O senhor conhece Itacaré? Não estou falando da praia na Bahia, mas do seu codinome na planilha da Odebrecht”, perguntou.

Nesse momento, Joice também citou uma informação falsa sobre o adversário, a de que ele teria votado contra o projeto de lei da Ficha Limpa. A legislação, que impede candidatos condenados por crimes de corrupção a concorrerem às eleições, foi aprovada na Câmara dos Deputados em maio de 2010. Dos 388 deputados que votaram, apenas um foi contra a proposta — Marcelo Melo (MDB-GO) disse que apertou o botão por engano.

O site Aos Fatos já havia checado essa alegação sobre Russomanno.

Andrea Matarazzo (PSD)

“Mais de 100 mil comerciários foram demitidos”.

Matarazzo lembrou do impacto negativo que a pandemia do novo coronavírus teve sobre o desemprego em São Paulo. De acordo com números divulgados em julho pelo Sindicato dos Comerciários da capital, mais de 71 mil funcionários do comércio ficaram sem trabalho desde março. O número é menor do que o citado por Matarazzo.

Celso Russomanno (Republicanos)

“Haddad é tido como o pior prefeito da história”.

Considerando as pesquisas de opinião pública do Datafolha, o pior prefeito para os paulistanos foi Celso Pitta, que governou a cidade entre 1997 e 2000. Ele deixou a Prefeitura com 83% de reprovação (índice de pessoas que opinam que a gestão foi ruim ou péssima). Fernando Haddad, por sua vez, saiu do cargo com rejeição similar à de João Doria. O petista tinha índice de 48% e o tucano, de 47%.

Documento

Em 2013, o Datafolha fez uma pesquisa para saber quem a população considerava como o melhor e o pior prefeito de São Paulo dos últimos 30 anos. Marta Suplicy foi eleita a melhor e Celso Pitta, o pior. Haddad não foi votado porque estava no início de sua gestão.

A Agência Pública checou uma alegação similar sobre Haddad em 2018.

“Eu sou o único aqui que tem condições de renegociar a dívida de São Paulo, o que nós pagamos de juros é absurdo”.

Russomanno citou a necessidade de uma “renegociação de dívidas” entre a capital e o governo federal que, segundo ele, deveria ser feita para que a cidade tenha mais recursos para investimentos. Na verdade, a dívida pública entre o governo federal e a cidade de São Paulo, gerada durante o governo Marta Suplicy, já foi renegociada. Em 2015, no governo Haddad, um acordo de renegociação foi feito entre a cidade e a União para reduzir o valor total da dívida. A negociação trocou o índice usado para o cálculo de juros, mudando do índice IGP-DI para o IPCA. Dessa forma, a dívida, na época, caiu de R$ 64,8 bilhões para R$ 28 bilhões e está sendo quitada em dia pelo governo Bruno Covas.

Orlando Silva (PCdoB)

“No primeiro dia de mandato, eu vou revogar o Sampaprev”.

A fala é imprecisa, uma vez que o prefeito não tem poder para revogar uma lei aprovada pela Câmara Municipal. Caso o prefeito deseje revogar essa legislação, ele terá de enviar à Câmara Municipal um novo projeto de lei para revogar a lei já existente. Esse projeto terá de ser aprovado em maioria dos vereadores em duas votações.

Jilmar Tatto (PT)

“Implantei o Bilhete Único na cidade de São Paulo como secretário”.

Tatto disse que, como secretário dos Transportes, implantou o Bilhete Único. A fala foi contestada por Bruno Covas, que lembrou que o programa foi implementado durante a gestão de Marta Suplicy como prefeita. De fato, o Bilhete Único foi adotado em 2004, mas Tatto participou da criação do mecanismo. O petista foi secretário de Marta e de Haddad.

 

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