Ala do PSL combate favoritismo de Augusto Aras para a chefia do Ministério Público

Ala do PSL combate favoritismo de Augusto Aras para a chefia do Ministério Público

Subprocurador-geral é visto como o mais forte para suceder a Raquel Dodge no comando da Procuradoria-Geral da República; nome de indicado deve sair até segunda

Breno Pires, Julia Lindner, Rafael Moraes Moura e Mateus Vargas / BRASÍLIA

09 de agosto de 2019 | 05h05

Em ‘campanha’ para assumir a Procuradoria, Aras já se encontrou pelo menos quatro vezes com Bolsonaro. FOTO: ROBERTO JAYME/ASCOM/TSE

Aliados do presidente Jair Bolsonaro tentam demovê-lo da ideia de indicar Augusto Aras como procurador-geral da República. O nome do subprocurador-geral é considerado hoje o favorito para o cargo. A intenção do presidente é anunciar o sucessor de Raquel Dodge até a segunda-feira.

Aras é tratado como favorito após ter se reunido ao menos quatro vezes com o presidente nos últimos meses. Nos encontros, segundo relatos de pessoas que acompanham o processo de escolha, ele demonstrou alinhamento com a agenda do governo e se apresentou como um conservador. Entre os nomes cotados, o subprocurador, que não se candidatou à lista tríplice da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), foi o que mais vezes foi recebido pelo presidente.

A reação vem de alas do PSL e de núcleos de apoiadores nas redes sociais, que se baseiam no histórico do subprocurador para sustentar que o seu perfil não se encaixaria no bolsonarismo.

Os argumentos, segundo esses apoiadores do presidente, são um suposto “esquerdismo” de Aras, críticas à Lava Jato, além da defesa de movimentos sociais como o MST – o que iria de encontro ao posicionamento de Bolsonaro.

A deputada Carla Zambelli (PSL-SP) faz parte do grupo que tem ressalvas à indicação de Aras. Ela enviou ao Palácio do Planalto um material com informações que, na visão do grupo, descredenciam o subprocurador a assumir o cargo. “Como representante de movimento social, não posso receber uma crítica e deixar quieto. Me preocuparam algumas declarações do Aras em relação à Lava Jato”, disse a deputada ao Estado. “Mas não conversei com o Augusto Aras e tenho dificuldade de opinar quando não conheço.”

As críticas ao nome do subprocurador ecoaram nas redes sociais e a hashtag #ArasnaPGRnão estava nesta quinta-feira, 8, entre os assuntos mais comentados do Twitter.

A reação do presidente, porém, foi de desdém. “Augusto Aras ganhou um pontinho mais positivo”, disse nesta quinta ao citar reportagem da Folha de S.Paulo com, segundo ele, “críticas” ao candidato. O jornal mostrou declarações de Aras alinhadas a pensamentos de esquerda.

Nomes. Bolsonaro declarou nesta quinta que tem cinco nomes em mente. Além de Aras, primeiro a ser citado, mencionou o “primo”, o procurador-regional Vladimir Aras; o “capitão”, referência ao procurador regional Lauro Cardoso; e a própria Raquel. O mandato dela termina em 17 de setembro.

Outros nomes ventilados são os dos subprocuradores Paulo Gonet e Mario Bonsaglia – este o único representante da lista tríplice da ANPR.

Uma das lideranças do PSL que se colocaram publicamente contra Aras foi a deputada estadual por São Paulo Janaina Paschoal. “Não é prudente nomear para procurador-geral da República alguém que concilie as atividades de procurador e de advogado. As duas funções são importantes (essenciais), mas não me parecem compatíveis, mormente em se tratando da chefia de uma instituição como o Ministério Público!”, escreveu no Twitter.

Um dos expoentes da rede bolsonarista, o empresário Leandro Ruschel também foi às redes sociais para criticá-lo. “Augusto Aras é claramente um esquerdista, sua indicação ao comando da PGR seria gravíssimo retrocesso no processo de limpeza do País.”

Procurado por meio de sua assessoria, Aras não se manifestou. Um dos principais interlocutores do subprocurador com Bolsonaro, o ex-deputado Alberto Fraga (DEM-DF) negou que ele seja um nome alinhado à esquerda.

Embora seja alvo de bolsonaristas, Aras tem a simpatia dos filhos parlamentares do presidente, o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) e o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP).

Beija-mão. O presidente recebeu nesta quinta um dos nomes vistos como alternativa a Aras, o subprocurador Paulo Gonet. Católico, conservador, ex-sócio do ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes, Gonet foi levado ao encontro com o presidente pela deputada Bia Kicis (PSL-DF), ex-colega de universidade, e pelo ministro do Tribunal de Contas da União Walton Alencar Rodrigues. Tem o apoio do ex-presidente do Tribunal Superior do Trabalho Ives Gandra.

Defensora de Gonet, Bia disse ao Estado que Bolsonaro tem procurado alguém “alinhado” ao governo e que as conversas com Aras estão “mais adiantadas”. Em relação a críticas ao nome, a deputada afirmou que Bolsonaro disse estar olhando para frente, e não para trás.

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