Bonsaglia, Luiza e Blal formam lista tríplice para PGR

Bonsaglia, Luiza e Blal formam lista tríplice para PGR

Os procuradores Mario Bonsaglia, Luiza Cristina Frischeisen e Blal Dalloul foram os mais votados pela classe na eleição interna promovida nesta terça, 18, pela Associação Nacional dos Procuradores da República; Bolsonaro disse 'tudo é possível' na escolha que vai fazer para definir o futuro procurador-geral da República

Rafael Moraes Moura e Teo Cury/BRASÍLIA

18 de junho de 2019 | 18h39

A Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) divulgou na noite desta terça-feira, 18, o resultado da votação que definiu os nomes que vão compor a lista tríplice que será encaminhada ao presidente Jair Bolsonaro. Os três mais bem colocados na votação interna foram: o subprocurador-geral Mário Luiz Bonsaglia (478 votos); a subprocuradora-geral Luiza Cristina Frischeisen (423 votos); e Blal Dalloul (422 votos, um a menos que Luiza), secretário-geral na gestão do ex-procurador-geral Rodrigo Janot. Blal é considerado o nome da lista mais ligado a Janot.

Segundo o Estado/Broadcast Político apurou, os nomes de Luiza e Blal são bem vistos por integrantes da Lava Jato nos Estados. Bonsaglia já esteve recentemente no Palácio do Planalto. O pai de Luiza é militar reformado e já atuou no Superior Tribunal Militar (STM).

A lista – que será encaminhada ao presidente Jair Bolsonaro – é formada pelos três procuradores mais votados em eleição interna promovida pela ANPR.  Ao todo, 946 membros participaram da votação, que  é eletrônica.

Sede da PGR. Foto: Antonio Augusto/Secom/PGR

Bolsonaro não é obrigado pela Constituição a escolher um dos três nomes da lista e já sinalizou que não vai necessariamente segui-la. Também não há prazo para Bolsonaro definir o nome – o mandato da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, se encerra em setembro deste ano.

Raquel já se colocou à disposição de Bolsonaro para ser reconduzida ao cargo por mais dois anos, mesmo sem se inscrever para a lista tríplice da ANPR. Conforme informou o Estadão, parlamentares do Centrão defendem a sua permanência na PGR por considerá-la “previsível” e “discreta” e por temerem um nome “linha-dura” à frente do órgão. Raquel também conta com o apoio de ministros do Supremo Tribunal Federal, que a avaliam como um nome “moderado”.

A Constituição impõe que o indicado para chefiar o Ministério Público Federal tem que integrar a carreira, com mais de 35 anos de idade. Nesta terça-feira, Bolsonaro disse que “tudo é possível” na escolha do futuro procurador-geral da República. O nome escolhido pelo presidente ainda precisa ser sabatinado pelo Senado.

Foto: ANPR

Foto: ANPR

Foto: ANPR

Tradição

A tradição da lista tríplice da ANPR começou em 2001, quando foi ignorada por Fernando Henrique Cardoso (PSDB) – FHC optou por reconduzir Geraldo Brindeiro para o cargo.

De lá pra cá, a lista começou a ser acatada em 2003, quando o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) escolheu o primeiro colocado para chefiar o Ministério Público Federal. A tradição foi mantida por Dilma Rousseff (PT).

Ao escolher Raquel Dodge para chefiar o MPF há dois anos, o então presidente Michel Temer (MDB) optou pelo segundo nome mais bem colocado da lista – o primeiro havia sido o do subprocurador Nicolao Dino, aliado de Rodrigo Janot, que havia denunciado o emedebista por corrupção passiva no caso JBS.

Racismo

Pesa contra Raquel Dodge o fato de ter denunciado Bolsonaro por racismo, em abril do ano passado. Raquel também denunciou o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente, por ter supostamente ameaçado uma jornalista.

Ao acusar Bolsonaro por racismo, Raquel considerou “ilícita, inaceitável e severamente reprovável” a conduta de Bolsonaro por dizer que quilombolas “não fazem nada” e nem “para procriador serve mais” durante palestra no Clube Hebraica, no Rio. A acusação contra Jair Bolsonaro, no entanto, acabou rejeitada pela Primeira Turma do STF pelo apertado placar de 3 a 2.

Também fora da lista, o subprocurador-geral Augusto Aras lançou candidatura avulsa na disputa pela PGR. Aras defende uma “disruptura” no Ministério Público para a instituição “retomar os trilhos” da Constituição e superar o aparelhamento em seus órgãos.

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