Bolsonaro recebe ex-sócio de Gilmar cotado para a PGR

Bolsonaro recebe ex-sócio de Gilmar cotado para a PGR

Às vésperas de decidir quem comandará a Procuradoria-Geral da República (PGR), presidente recebeu em seu gabinete no Palácio do Planalto subprocurador-geral Paulo Gonet, ex-sócio do Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP)

Breno Pires, Rafael Moraes Moura, Julia Lindner, Mateus Vargas/BRASÍLIA

08 de agosto de 2019 | 16h42

Foto: Iusef Soares

Às vésperas de decidir quem comandará a Procuradoria-Geral da República (PGR), o presidente Jair Bolsonaro (PSL) recebeu em seu gabinete no Palácio do Planalto o subprocurador-geral da República Paulo Gonet, católico, conservador e ex-sócio do ministro do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes no Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP).

O encontro reservado, fora da agenda, foi articulado pela vice-líder do governo federal Bia Kicis (PSL/DF) e foi acompanhado pelo ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Walton Alencar Rodrigues e pelo ministro do Gabinete de Segurança Institucional, General Heleno.

A deputada relatou que Gonet disse a Bolsonaro que ‘nenhum candidato a procurador pode prometer que não vai apresentar alguma ação que desagrade ao governo, mas que não vai atrapalhar’.

Segundo o Estado apurou, na reunião, Bolsonaro afirmou que pretende trabalhar com um PGR alinhado ao governo, que prestigie o “interesse público” e não se deixe desgastar por assuntos como proteção a indígenas ou a grupos ligados a minorias. O presidente também disse que não governa sozinho e que a decisão sobre novo PGR passará por pessoas do Supremo, Congresso e até TCU.

A subida na cotação de Paulo Gonet foi informada pelo Estado na segunda-feira, 8. Muito bem articulado no Judiciário, tem muitos amigos entre autoridades e é visto como um homem sério e conservador. Um dos fiadores de sua candidatura – que é informal e não passou pela votação entre procuradores na chamada lista tríplice da categoria – é o ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Ives Gandra Filho. “Ele é competente e tem os mesmos valores morais, familiares e cristãos que Bolsonaro”, disse Gandra Filho em julho à Coluna do Estadão.

Gonet é amigo de Bia Kicis desde o tempo em que cursaram a Universidade Nacional de Brasília (UnB). O subprocurador-geral e o ministro do TCU Walton Rodrigues se aproximam no tempo em que atuavam no Ministério Público Federal do Distrito Federal. Ambos o apoiam.

Um dos poucos encontros anteriores de Bolsonaro e Gonet se deu no almoço de aniversário de Walton Rodrigues, em abril. Na ocasião, foi servido um tambaqui, trazido do Amazonas por um amigo do ministro.

Após a reunião com Gonet, o presidente Bolsonaro recebeu o procurador-geral de Justiça Militar, Jaime de Cassio Miranda, e o subprocurador-geral de Justiça Militar, Marcelo Weitzel Rabello.

Crítico à lista tríplice para escolha de PGR, Miranda levou a Bolsonaro, em fevereiro, proposta de “cisão” do cargo em duas cadeiras. O procurador propôs a criação de um posto para chefiar o Ministério Público da União (MPU), que cuidaria de questões orçamentárias e administrativas e seria escolhido em rodízio, por membros dos diferentes ramos do MP.

Agenda cheia.

Bolsonaro ainda se reuniu na quarta-feira, 7, com o procurador regional da República da 1ª Região Lauro Cardoso, nome próximo a militares e quarto colocado na disputa para entrar na lista tríplice à PGR. Os três nomes mais bem votados na categoria, Mario Bonsaglia, Luiza Cristina Frischeisen e Blal Dalloul, não tiveram a oportunidade de se reunir com Bolsonaro.

Procuradores internamente destacam que os últimos eventos mostram um desprezo do atual presidente da República pela lista, que vinha sendo levada em conta na decisão dos três últimos antecessores – Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff e Michel Temer. A atual procuradora-geral, Raquel Dodge, ficou em segundo lugar na lista tríplice em 2017.

A série de reuniões ocorreu após Bolsonaro afirmar que deve indicar o futuro PGR até a próxima segunda-feira, 12. O mandato de Dodge se encerra em 17 de setembro. Ainda ontem, o presidente disse ainda que Augusto Aras “está no radar para a vaga” e citou a possibilidade de recondução da atual PGR.

O Estado apurou que integrantes do STF fizeram chegar aos ouvidos de Bolsonaro que o procurador Aras não seria a melhor opção à PGR. Duas fontes ouvidas pela reportagem dizem que incomoda a Bolsonaro o apoio de Rodrigo Maia à recondução de Raquel Dodge.

Bonsaglia e Luiza pediram encontro Bolsonaro, mas ainda ainda não tiveram resposta. Terceiro mais votado da lista, Blal não pediu audiência

As reuniões de Bolsonaro soaram para procuradores que acompanham as discussões como o descarte da lista tríplice para escolha de PGR. Há ainda percepção entre procuradores que Dodge assumiu que está fora da disputa ao votar pelo veto do procurador Ailton Benedito para compor a Comissão Sobre Mortos e Desaparecidos Políticos. Conservador, Benetido havia sido indicado pelo governo Bolsonaro ao colegiado.

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