Para criticar Datafolha, post usa foto de protesto contra Dilma como se fosse ato pró-Bolsonaro

Para criticar Datafolha, post usa foto de protesto contra Dilma como se fosse ato pró-Bolsonaro

Peça de desinformação circula após levantamento mostrar Lula em vantagem nas intenções de voto para presidente em 2022

Samuel Lima

17 de maio de 2021 | 11h36

Uma postagem viral nas redes sociais usa uma imagem fora de contexto para criticar dados de uma pesquisa eleitoral do Datafolha. A peça de desinformação mostra duas fotos que supostamente seriam de atos em apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao presidente Jair Bolsonaro, com uma legenda irônica dizendo: “Lula tem 55%. Bolsonaro tem 32%”.

Boato usa foto antiga de manifestação contra Dilma como se fosse ato pró-Bolsonaro; origem da imagem associada a Lula não foi encontrada. Foto: Reprodução

O conteúdo faz referência aos números de um levantamento do Datafolha, divulgado na última quarta-feira, 12 de maio. De acordo com o instituto de pesquisa, Lula lidera as intenções de voto para presidente nas eleições de 2022. O petista venceria Bolsonaro no segundo turno, com uma vantagem de 55% a 32%, caso o pleito ocorresse naquele momento, de acordo com a pesquisa. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

O post checado critica esses números com duas fotos que supostamente indicariam um cenário inverso em termos de popularidade. Na foto atribuída a Bolsonaro, apoiadores estariam em maior número. O registro original, no entanto, é de uma manifestação que pedia o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Ela foi tirada em Brasília, no dia 13 de março de 2016, pelo fotógrafo da Agência Brasil Wilson Dias.

A segunda fotografia, associada ao ex-presidente Lula, mostra integrantes da Central Única de Trabalhadores (CUT) em menor quantidade, em um local que parece ser a Praça da República, em São Paulo. O Estadão Verifica não conseguiu rastrear a origem e a data do registro. Procurada pela reportagem, a organização sindical também não identificou o evento.

Algumas versões da peça de desinformação tiveram mais de 4,8 mil compartilhamentos no Facebook. Ela ainda gerou engajamento no Twitter, disseminada por perfis como o do cantor Roger Moreira e o do vereador de São Bernardo do Campo Paulo Chuchu (PRTB).

A agência de checagem Aos Fatos também investigou o conteúdo e concluiu que é falso.

Cuidado com boatos frequentes

O blog já desmentiu vários conteúdos virais com supostas fotos de manifestações políticas. Após o 1º de maio, por exemplo, uma série de boatos surgiram exaltando os atos pró-Bolsonaro, incluindo uma falsa capa do jornal norte-americano The New York Times, uma reportagem fora de contexto da Globo News e uma manchete inventada do portal de notícias G1.

O mesmo se pode dizer das investidas nas redes contra pesquisas de opinião pública que apuram cenários eleitorais. O Estadão Verifica investigou recentemente um conteúdo enganoso que acusava um funcionário de fraude por recusar a participação de um homem no levantamento. Outra tática comum de desinformação é o compartilhamento de pesquisas inventadas ou de meras enquetes, que não têm validade estatística. / COLABOROU PEDRO PRATA


Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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