Enquetes em redes sociais não representam opinião da população brasileira
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Enquetes em redes sociais não representam opinião da população brasileira

Boato no Facebook utiliza enquete para fazer críticas ao Ibope, que apontou queda na aprovação de Bolsonaro

Alessandra Monnerat

16 de abril de 2019 | 16h38

Enquetes no Twitter não têm valor científico. Foto: Pixabay

Enquetes em redes sociais não têm valor científico e não podem ser usadas para representar a opinião de uma população. No Facebook, uma publicação do site Diário Conservador viralizou com a manchete “97% dos brasileiros não confiam em pesquisas do Ibope”. No entanto, não é possível fazer essa afirmação, uma vez que ela se baseia em uma enquete no Twitter — que não tem controle sobre quem responde à pergunta.

As pesquisas feitas por institutos oficiais, como Ibope e Datafolha, seguem regras de probabilidade e ouvem uma amostra representativa da população. Os entrevistados devem cumprir cotas de sexo, idade, escolaridade e outras características — o objetivo é conseguir selecionar um grupo proporcional ao do universo que se pretende representar (a população brasileira), ainda que em menor número.

Não existe uma quantidade de pessoas ideal para pesquisas. Isso depende da análise que se pretende fazer dos resultados. Amostras menores têm precisão menor. Caso se deseje examinar dados por segmentos como região ou renda, é necessário fazer mais entrevistas.

No caso da enquete do Twitter, não é possível dizer que ela representa a população do País. Primeiramente, nem todos brasileiros têm acesso à Internet ou contas na rede social. Mesmo os que estão no Twitter não necessariamente seguem ou acompanham as publicações do Diário Conservador. E não sabemos quantos usuários, entre os que responderam à enquete, são pessoas reais, quantos são homens, mulheres, etc.

A postagem com a enquete pretendia criticar uma pesquisa feita pelo Ibope sobre a aprovação do presidente Jair Bolsonaro. Em março, o instituto apontou que a parcela da população que considera o governo bom ou ótimo caiu 15 pontos entre janeiro e março — de 49% para 34%. O nível de satisfação dos entrevistados com o presidente é o mais baixo registrado em pesquisas feitas no terceiro mês de gestão, segundo o Ibope. O levantamento entrevistou 2.002 pessoas e tem margem de erro de dois pontos percentuais.

Durante as eleições, não faltaram boatos que pretendiam jogar dúvidas sobre institutos de pesquisa. O Estadão Verifica publicou, em parceria com o projeto Comprova, três checagens de enquetes de redes sociais que contrariavam resultados oficiais (“Enquetes em redes sociais não têm valor científico e não valem como pesquisa eleitoral”, “Pesquisa que aponta Bolsonaro com 45% das intenções de voto é enganosa”, “Pesquisa que mostra Bolsonaro vencendo em todos os Estados é falsa”).

Apesar das críticas, o resultado das eleições refletiu as pesquisas realizadas pelo Ibope. Na boca de urna do primeiro turno, o Ibope apontou que Bolsonaro teria 45% e Fernando Haddad (PT), 28%, com margem de erro de dois pontos. O resultado acabou sendo 46,03% e 29,28%, respectivamente – diferença de um ponto porcentual, dentro da margem.

Já no dia 28, data do segundo turno, a boca de urna apontou que Bolsonaro venceria com 54% dos votos válidos, ante 46% de Haddad. O candidato do PSL terminou com 55,13% e o petista, com 44,87% – também dentro da margem de erro prevista.

Este conteúdo foi selecionado para checagem por meio da ferramenta de fact checking do Facebook. Entenda mais sobre a parceria com o Estadão Verifica aqui.