Postagens adulteram manchete para inventar que 25 milhões foram a atos pró-Bolsonaro
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Postagens adulteram manchete para inventar que 25 milhões foram a atos pró-Bolsonaro

Reportagem não existe no portal do G1; PM de Estados nega fazer divulgação de dado de participantes de manifestações

Pedro Prata

03 de maio de 2021 | 15h00

Postagens nas redes sociais compartilham uma manchete forjada do portal G1 para alegar que as manifestações de apoio ao presidente Jair Bolsonaro deste sábado, 1º de maio, teriam contado com 25 milhões de pessoas em 1,2 mil cidades. Além de a reportagem não existir, a Polícia Militar dos três Estados brasileiros mais populosos e do Distrito Federal negaram ter feito a divulgação de dados de participação nos atos.

Manchete foi falsificada para enganar sobre o número de manifestantes favoráveis ao presidente. Foto: Reprodução

A manchete falsa diz: “Mesmo com pandemia, manifestação pró-governo do dia 1º de maio é maior que as manifestações a favor do impeachment da ex-presidente Dilma.” Já a linha-fina diz que o dado se basearia em levantamento da Polícia Militar feito em “mais de 1.200 cidades brasileiras, inclusive capitais importantes como São Paulo e Rio de Janeiro”.

Procuramos por essa manchete no site G1, mas não há qualquer reportagem semelhante publicada pelo portal de notícias. Uma busca no Google pelo termo “25 milhões de manifestantes” também não trouxe nenhuma reportagem na imprensa profissional.

Um detalhe chama a atenção para a fraude. Na aba do navegador da pessoa que fez o print é possível ler “Grupos contra e a favor de Bo…”.

Título original pode ser identificado na aba do navegador de quem fez o print. Foto: Reprodução

Buscando por essas palavras é possível encontrar uma matéria de 21 de junho de 2020 com o título “Grupos contra e a favor de Bolsonaro fazem atos em Brasília”. Esta reportagem foi assinada pelos mesmos repórteres que aparecem na manchete falsa e foi publicada também no mesmo horário. No texto original publicado no G1, não há qualquer comparação com as manifestações contra a ex-presidente Dilma. Além disso, as fotos na reportagem mostram atos esvaziados.

A manchete forjada (cima) e a reportagem real (baixo) são assinadas pelos repórteres Afonso Ferreira e Pedro Henrique Gomes. Foto: Reprodução

PM dos Estados nega fazer divulgação do dado

O tradicional feriado de 1º de maio teve manifestações em apoio a Jair Bolsonaro, em um momento em que o governo federal está sob forte pressão da CPI da Covid no Senado. Temas presentes nos protestos eram críticas e ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF), críticas a governadores e pedidos pelo fim das restrições ao comércio dentre as medidas de combate à pandemia de covid-19.

O Estadão Verifica entrou em contato com a PM de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, os três Estados brasileiros mais populosos, para saber se haviam feito a estimativa de participantes nos protestos. As polícias paulista e fluminense informaram que não divulgam a estimativa, ao passo que a mineira negou que faça o levantamento.

Também entramos em contato com a PM do Distrito Federal, onde supostamente teria sido publicada a falsa reportagem, mas a corporação também negou fazer a divulgação da estimativa de adesão aos protestos.

Portanto, o número de 25 milhões de manifestantes não possui fundamento.

Nas redes

As postagens com o número inventado de manifestantes viralizaram no Twitter e no Facebook; um dos posts foi compartilhado ao menos 1,1 mil vezes. Este conteúdo ganhou visibilidade após o deputado estadual Coronel Sandro (PSL), de Minas Gerais, gravar vídeo citando os 25 milhões de manifestantes. Sua postagem teve ao menos 789 compartilhamentos e 2.854 reações.

O deputado foi procurado por e-mail para comentar sobre o vídeo, mas não respondeu até a publicação desta checagem. O espaço está aberto.

Também desmentimos que a GloboNews tenha reportado que estas manifestações eram as maiores da história. Postagens que viralizaram com essa alegação usavam uma reportagem da emissora feita durante manifestações pelo impeachment da então presidente Dilma Rousseff em 2015.

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