Divulgação/Marina Helou
Divulgação/Marina Helou

Quem é Marina Helou? Conheça a candidata da Rede à Prefeitura de SP

Deputada estadual de primeiro mandato concorre com pauta de defesa ambiental e contra desigualdades

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

28 de setembro de 2020 | 13h07

Deputada estadual de 33 anos formada em administração pública pela Fundação Getúlio Vargas, Marina Helou é a candidata a prefeita de São Paulo da Rede para as eleições 2020. Sua candidatura promete trazer uma perspectiva feminina e antirracista para a cidade, e seu candidato a vice é o ativista negro Marco Dipreto, do mesmo partido.

A candidatura de Marina para a Prefeitura foi uma das últimas a ser definida. Segundo sua equipe, a Rede aguardou possíveis definições de uma frente ampla, reunindo partidos de bandeiras diferentes em torno de uma pauta progressista, que terminou não saindo. Dessa forma, ela foi o nome escolhido.

Na Assembleia Legislativa, onde exerce seu primeiro mandato desde 2019, Marina apresentou 10 projetos de lei a assinou coautoria de outros cinco, que focam especialmente na sustentabilidade ambiental e na redução de desigualdades. 

Uma das propostas pretende estabelecer prazos para que a poluição do ar esteja dentro de limites toleráveis recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Outro é o plano estadual para a primeira infância (que prevê uma série de auxílios para a formação da criança). Por fim, há o projeto que prevê o ensino continuado da história afro-brasileira nas escolas. Nenhum desses exemplos, porém já virou lei. 

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Os temas são parecidos com os que a candidata pretende defender nesta campanha. Marina prometeu ter um secretariado que tenha 50% de mulheres e 50% de pessoas negras. Propostas como aumentar a quantidade de verde na cidade, universalizar o saneamento e preocupações com a qualidade do ar estão em seu discurso, pontuado com frases como “defender a sustentabilidade não é abraçar árvores”.

As propostas da candidata acenam para o campo da centro-esquerda. Na semana que antecedeu o início da campanha de rua, Marina Helou visitou a entidade assistencial onde o padre Julio Lancellotti, da Pastoral Povo de Rua, trabalha, por exemplo. Do padre, ouviu que era preciso pensar em tarifa zero para os ônibus e uma renda básica municipal. Ao Estadão, afirmou que é possível ter compromisso com essas pautas, mas que é preciso atenção ao orçamento. 

Como não tem tempo de TV, a campanha se dividirá entre a internet e as ruas. Da proposta de levar um perfil jovem às urnas surgem ideias fazer projeções pela cidade pedindo votos à candidata da Rede e até uma campanha dentro do Minecraft, jogo online onde milhares de jovens passam horas em rede. 

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A participação da fundadora da Rede, a xará Marina Silva, é um desejo da equipe de comunicação da candidata. Com a possibilidade de haver uma disputa por procuração entre João Doria (PSDB), com Bruno Covas, e Jair Bolsonaro, com Celso Russomanno (Republicanos), Marina pretende se apresentar como uma opção diferente para o eleitor, um papel que Marina Silva também desempenha. A Silva participou do evento que confirmou a candidatura da Helou, transmitido pela internet no dia 8 de setembro. 

Marina é uma candidata formada pela Rede de Ação Política pela Sustentabilidade (Raps), movimento de renovação política criado em 2012 para preparar jovens para a ocupação de cargos públicos que tem apoio da fundação do bilionário Jorge Paulo Lemann. A entidade dá cursos e bolsas para capacitação de futuras lideranças polícias. A candidata tem especialização em negócios e sustentabilidade pela Fundação Dom Cabral/Cambridge University.

Família

Marina Helou é casada e tem dois filhos. Ela é moradora da Vila Beatriz, bairro vizinho à Vila Madalena, em Pinheiros, zona oeste. Vem de família de renda alta e tem um patrimônio declarado superior a R$ 2 milhões. Antes de entrar para a política, trabalhou na empresa de cosméticos Natura. Quando criança, estudou no colégio Waldorf Rudolf Steiner.

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O pai da candidata, Roberto Helou, é fiscal de rendas do Estado de São Paulo e foi alvo de ataque feito pelo deputado Arthur do Val (Patriota), durante discurso na Assembleia Legislativa. Em março de 2019, Helou recebeu R$ 85 mil em pagamentos retroativos em seu holerite, referentes a 26 meses de abono de permanência (um benefício pago a servidores que continuam trabalhando quando podem se aposentar). Val expôs o pagamento em meio a ataques aos salários dos servidores. Helou havia doado recursos para a campanha de deputada da filha.

Marina respondeu dizendo que o ataque era injusto e havia sido feito de forma sensacionalista. Depois do episódio, o pai se aposentou. Ela terminou por votar contra um projeto de lei que previa reajuste para servidores de categorias como a do pai, argumentando que o impacto no orçamento era grande e que havia outras prioridades, como a primeira infância, o meio ambiente e a educação.

 

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