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Empresário diz que PF avisou Flávio Bolsonaro sobre operação

Marinho foi às redes sociais e parodiou o slogan eleitoral de Jair Bolsonaro. “Verdade acima de tudo. Fazer a coisa certa acima de todos”

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

17 de maio de 2020 | 12h47

RIO - Suplente do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), o empresário Paulo Marinho ouviu do filho mais velho do presidente Jair Bolsonaro que ele teria recebido informações sigilosas da Polícia Federal (PF) sobre investigações envolvendo seu ex-assessor Fabrício Queiroz. Marinho afirmou que, segundo relato do próprio Flávio Bolsonaro feito em dezembro de 2018, um delegado da PF avisou das investigações pouco após o primeiro turno das eleições gerais daquele ano e informou que membros da Superintendência da PF no Rio adiariam a Operação Furna da Onça para não prejudicar a disputa de Jair Bolsonaro contra Fernando Haddad (PT), no segundo turno de 2018.

Na tarde deste domingo, a Procuradoria-Geral da República (PGR) informou, em nota, que vai analisar o caso. "O procurador-geral da República analisará o relato junto com a equipe de procuradores que atua em seu gabinete em matéria penal." O órgão não informou se abrirá um procedimento para investigação.

Em nota, publicada na manhã deste domingo, 17, Flávio Bolsonaro classificou a revelação de “invenção” e afirmou que Marinho, pré-candidato à Prefeitura do Rio pelo PSDB, tem interesse em prejudicá-lo, justamente porque é seu suplente no Senado Federal.

O empresário fez as revelações em entrevista à Folha de S.Paulo, publicada neste domingo, 17. Após a publicação da entrevista, Marinho também recorreu às redes sociais na manhã deste domingo, unindo o slogan eleitoral de Jair Bolsonaro à frase pronunciada por Sérgio Moro ao deixar o Ministério da Justiça e Segurança Pública: “Verdade acima de tudo. Fazer a coisa certa acima de todos.

Segundo disse Marinho na entrevista, toda a história do vazamento foi relatada pelo próprio Flávio Bolsonaro, em reunião com advogados. De fato, a Furna da Onça foi deflagrada em 8 de novembro de 2018, pouco mais de uma semana após o segundo turno que elegeu Jair Bolsonaro presidente.

A operação da PF e do Ministério Público Federal (MPF), a cargo da força-tarefa da Lava Jato do Rio, investigou a participação de deputados estaduais fluminenses em esquema de corrupção que pagava propina mensal (“mensalinho”) durante o mandato 2011-14. De acordo com as investigações, a propina resultava do sobrepreço de contratos estaduais e federais. Dez deputados tiveram a prisão decretada.

Flávio Bolsonaro, que era deputado estadual, ficou de fora da operação de novembro, mas foi nessa investigação que foi produzido o relatório do então chamado Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que colocaria o ex-assessor Queiroz no noticiário político nacional após ter sua existência revelada pelo Estadão, em dezembro de 2018.

“Eu estou contando o que eles me relataram, o delegado falou: ‘Vai ser deflagrada a Operação Furna da Onça, que vai atingir em cheio a Assembleia Legislativa do Rio. E essa operação vai alcançar algumas pessoas do gabinete do Flávio [o filho do presidente era deputado estadual na época]. Uma delas é o Queiroz e a outra é a filha do Queiroz [Nathalia], que trabalha no gabinete do Jair Bolsonaro [que ainda era deputado federal] em Brasília’”, disse Marinho na entrevista à “Folha”.

Fabrício Queiroz e sua filha, Nathalia Queiroz, foram exonerados no dia 15 de outubro, mesma época do suposto vazamento relatado por Marinho.

Marinho, amigo do ex-ministro Gustavo Bebianno, colaborou com a campanha presidencial de Jair Bolsonaro, principalmente ao ceder sua mansão, na zona sul do Rio, como palco de reuniões e gravações de propaganda eleitoral. Acabou escolhido como suplente de Flávio Bolsonaro.

Na nota publicada na manhã deste domingo, Flávio Bolsonaro diz que “o desespero de Paulo Marinho causa um pouco de pena” e que o empresário “preferiu virar as costas a quem lhe estendeu a mão”, ao trocar a “família Bolsonaro por Doria e Witzel”, e “parece ter sido tomado pela ambição”.

Marinho foi nomeado presidente regional do PSDB no Rio numa articulação feita pelo governador de São Paulo, João Doria (PSDB). Quando Bebianno foi exonerado do ministério de Jair Bolsonaro, ainda no início de 2019, e rompeu com o presidente, filiou-se ao PSDB, despontando como pré-candidato à Prefeitura do Rio nas eleições deste ano. Com o falecimento de Bebianno, que teve um infarto em março passado, Doria indicou Marinho como candidato.

“É fácil entender esse tipo de ataque ao lembrar que ele, Paulo Marinho, tem interesse em me prejudicar, já que seria meu substituto no Senado. Ele sabe que jamais teria condições de ganhar nas urnas e tenta no tapetão. E por que somente agora inventa isso, às vésperas das eleições municipais em que ele se coloca como pré-candidato do PSDB à Prefeitura do Rio, e não à época em que ele diz terem acontecido os fatos, dois anos atrás? Sobre as histórias, não passam de invenção de alguém desesperado e sem votos”, diz a nota de Flávio Bolsonaro.

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