Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Procuradoria vai analisar suspeita de vazamento da PF para Flávio Bolsonaro

PF informou que vai investigar suposto vazamento de informações sigilosas de investigações envolvendo o ex-assessor Fabrício Queiroz, como disse ter ouvido o suplente do filho do presidente, Paulo Marinho, do próprio senador

Vinícius Valfré, O Estado de S.Paulo

17 de maio de 2020 | 17h39
Atualizado 17 de maio de 2020 | 18h34

BRASÍLIA - O procurador-geral da República, Augusto Aras, vai analisar a suspeita de vazamento de informações de operação da Polícia Federal ao senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), relatada pelo empresário Paulo Marinho (PSDB-RJ) ao jornal Folha de S.Paulo. Suplente de Flávio, Marinho disse ter ouvido do senador que ele possuía informações sigilosas acerca de investigações envolvendo o ex-assessor Fabrício Queiroz.

"O procurador-geral da República analisará o relato junto com a equipe de procuradores que atua em seu gabinete em matéria penal", informou, em nota, a Procuradoria-Geral da República (PGR). O órgão não informou se abrirá um procedimento para investigação.

Já a Polícia Federal informou que abriu uma investigação para apurar o possível vazamento de informações. “Todas as notícias de eventual desvio de conduta devem ser apuradas e, nesse sentido, foi determinada, na data de hoje (17), a instauração de novo procedimento específico para a apuração dos fatos apontados”, diz nota emitida pela PF.

A PF também destacou que suspeitas de vazamento de informações da operação em questão, a Furna da Onça, já foram investigadas em um inquérito anterior, de 2019. Além disso, ressaltou que a operação foi deflagrada no Rio em 8 de novembro, com os mandados judiciais expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 2° Região por representação do Ministério Público Federal em 31 de outubro. Ou seja, poucos dias úteis antes da deflagração. O segundo turno da eleição presidencial ocorreu em 28 de outubro. 

Na entrevista, Paulo Marinho afirmou que, segundo relato de Flávio, em dezembro de 2018, um delegado da PF avisou das investigações pouco após o primeiro turno das eleições gerais daquele ano. E teria dito, ainda, que membros da Superintendência da PF no Rio adiariam a Operação Furna da Onça para não prejudicar a disputa entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad no segundo turno.

O delegado teria, ainda, orientado Flávio a exonerar Fabrício Queiroz de seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio. No dia 15 de outubro, foram demitidos tanto Queiroz quanto a filha dele, Nathalia Queiroz, lotada no gabinete de Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados.

A Operação Furna da Onça foi deflagrada em 8 de novembro de 2018, pouco mais de uma semana após o segundo turno do qual Bolsonaro saiu vitorioso.

Toda a história do vazamento, conforme as declarações do empresário, foi relatada pelo próprio Flávio em reunião com advogados na casa de Paulo Marinho. Na campanha presidencial, o empresário era um dos apoiadores de Jair Bolsonaro. Ele ofereceu a casa para reuniões do então candidato com o grupo que o auxiliou na disputa eleitoral.

A operação da PF e do Ministério Público Federal (MPF), a cargo da força-tarefa da Lava Jato do Rio, investigou a participação de deputados estaduais fluminenses em esquema de corrupção que pagava propina mensal. De acordo com as investigações, a propina resultava do sobrepreço de contratos estaduais e federais. Dez deputados tiveram a prisão decretada.

Fabrício Queiroz não estava entre os alvos da operação, mas ela acabou por detectar movimentação financeira atípica por parte dele. Um relatório do então Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), revelado pelo Estadão, colocou o ex-assessor Queiroz no noticiário político nacional e gerou desgastes para Flávio Bolsonaro.

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