Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Flávio nega acusação de empresário: 'Tem interesse em me prejudicar'

Paulo Marinho diz que filho mais velho do presidente Jair Bolsonaro teria recebido vazamento da Polícia Federal sobre investigações envolvendo seu ex-assessor Fabrício Queiroz

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

17 de maio de 2020 | 12h26

RIO - O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho mais velho do presidente Jair Bolsonaro, rebateu a acusação, feita pelo empresário Paulo Marinho, pré-candidato à Prefeitura do Rio pelo PSDB, de que teria recebido vazamento da Polícia Federal (PF) sobre investigações envolvendo seu ex-assessor Fabrício Queiroz. O senador classificou a acusação de “invenção” e afirmou que o empresário tem interesse em prejudica-lo, já que é suplente de Flávio Bolsonaro no Senado Federal.

Na tarde deste domingo, a Procuradoria-Geral da República (PGR) informou, em nota, que vai analisar o caso. "O procurador-geral da República analisará o relato junto com a equipe de procuradores que atua em seu gabinete em matéria penal." O órgão não informou se abrirá um procedimento para investigação.

A acusação foi feita em entrevista de Marinho à Folha de S. Paulo. Marinho disse, na entrevista, que o senador relatou numa reunião em dezembro de 2018 que teve conhecimento de forma antecipada que a Operação Furna da Onça, que alcançou Queiroz, seria desencadeada.

Segundo Marinho, Flávio Bolsonaro contou que recebeu o aviso de um delegado da PF do Rio. O agente teria recomendado ao senador que tirasse Queiroz do cargo. Marinho, amigo do ex-ministro Gustavo Bebianno, colaborou com a campanha presidencial de Bolsonaro, principalmente ao ceder sua mansão, na zona sul do Rio, como palco de reuniões e gravações de propaganda eleitoral. Acabou escolhido como suplente de Flávio Bolsonaro.

Em nota publicada na manhã deste domingo, 17, em suas redes sociais, Flávio Bolsonaro diz que “o desespero de Paulo Marinho causa um pouco de pena” e que o empresário “preferiu virar as costas a quem lhe estendeu a mão”, ao trocar a “família Bolsonaro por Doria e Witzel”, e “parece ter sido tomado pela ambição”.

Marinho foi nomeado presidente regional do PSDB no Rio numa articulação feita pelo governador de São Paulo, João Dória (PSDB). Quando Bebianno foi exonerado do ministério de Jair Bolsonaro, ainda no início de 2019, e rompeu com o presidente, filiou-se ao PSDB, despontando como pré-candidato à Prefeitura do Rio nas eleições deste ano. Com o falecimento de Bebianno, que teve um infarto em março passado, Doria indicou Marinho como candidato.

“É fácil entender esse tipo de ataque ao lembrar que ele, Paulo Marinho, tem interesse em me prejudicar, já que seria meu substituto no Senado. Ele sabe que jamais teria condições de ganhar nas urnas e tenta no tapetão. E por que somente agora inventa isso, às vésperas das eleições municipais em que ele se coloca como pré-candidato do PSDB à Prefeitura do Rio, e não à época em que ele diz terem acontecido os fatos, dois anos atrás? Sobre as estórias, não passam de invenção de alguém desesperado e sem votos”, diz a nota de Flávio Bolsonaro.

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