Rafael Arbex/Estadão
Rafael Arbex/Estadão

Busca por eleição na internet é a maior desde 2004

Levantamento sobre eleições 2018 mostra aumento de 66,7% em pesquisas sobre tema no primeiro semestre deste ano, na comparação com 2014 e 2016

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S.Paulo

26 Junho 2018 | 05h00

As eleições 2018 são as que mais despertaram o interesse dos eleitores na internet durante um primeiro semestre desde 2004. Levantamento feito pelo Estado na plataforma Google Trends – que analisa estatísticas de pesquisas no maior buscador da rede – marca cinco pontos de interesse pelo tema neste primeiro semestre, contra 3 em 2014 e 2016, por exemplo, anos também marcados pela realização de eleições. Em 2004, o resultado foi de 6, numa escala que vai de 0 a 100 - (veja o levamento abaixo).

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Historicamente, o pico das pesquisas costuma acontecer a partir de agosto, se prolongando até o momento da eleição. O levantamento mostrou ainda que, em junho, o interesse dos internautas pelo tema “eleição” foi 66,7% maior do que no mesmo período de 2016 e de 2014.

O Google Trends utiliza uma fórmula que relativiza a quantidade de acessos por período, permitindo a comparação nessa série histórica sem distorções. Ou seja: mesmo que, em números absolutos, mais pessoas tenham acesso à internet e pesquisem mais por um determinado tema em 2018 do que na década passada, o que será captado é o total de buscas por um tema em relação a todas as pesquisas feitas na plataforma naquele período. 

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O mesmo vale para comparar diferentes Estados, por exemplo. A plataforma vai dizer qual Estado teve mais buscas sobre um tema de acordo com o total de buscas naquela região, de forma relativa. Com isso, é possível fazer comparações entre Estados com populações diferentes.

Os dados acompanham a “antecipação” do período eleitoral feito por pré-candidatos na internet. Conforme mostrou o Estado no início de junho, embora o horário eleitoral na TV só comece no dia 31 de agosto, pré-candidatos se anteciparam a esse prazo e passaram a veicular em suas redes sociais programas políticos no estilo usado para pedir votos na TV e no rádio. Segundo especialistas, esse é um dos motivos para o resultado da pesquisa.

“Não se tem ainda o início da propaganda da TV e na rádio. A formalização das candidaturas não foi feita e existe um ambiente de incerteza. Isso já é uma diferença em relação aos anos anteriores, por causa da minirreforma política. Hoje é possível fazer a propaganda nas redes, fazer crowdfunding. Isso muda o comportamento dos pré-candidatos”, diz a professora de Ciência Política da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (Fespsp), Tathiana Chicarino.

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Cadastramento da biometria gerou aumento de buscas

As estatísticas até junho apontam apenas o início do interesse pelo tema. Quando se considera a série histórica em períodos eleitorais desde 2004, é possível perceber que há aumento constante nas buscas a partir de agosto (entre 10 e 20 pontos), com pico em outubro (90 ou mais pontos). O ano de 2016 foi o que registrou o maior interesse em outubro, com 100 pontos. 

Se analisadas as consultadas relacionadas ao tema das eleições, a plataforma aponta que as principais preocupações do brasileiro nos últimos 12 meses estão relacionadas ao cadastramento da biometria: 8 dos 25 termos mais buscados dizem respeito a como e quando se recadastrar para votar. A mudança passou a ser obrigatória em parte dos municípios no País neste ano.

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Tocantins foi o que mais buscou pelo tema neste período no País, em termos proporcionais (em relação à população total) – os eleitores do Estado tiveram de escolher um novo governador no domingo passado, depois da cassação do ex-governador Marcelo Miranda (MDB) e de sua vice, Cláudia Lelis (PV).

Ambos foram considerados culpados por captação ilegal de recursos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) durante a campanha de 2014. Pela mudança de agenda, os internautas de Tocantins tiveram um pico de buscas por eleição entre os dias 3 e 9 de junho.

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