Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Alckmin se diz 'indignado' com acusações sobre recebimentos de caixa dois em campanhas

Em sabatina, o tucano também evitou comentar a condenação do ex-governador mineiro Eduardo Azeredo

Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

23 Maio 2018 | 12h13

O ex-governador Geraldo Alckmin, pré-candidato ao Planalto pelo PSDB, se disse "indignado" com as acusações contra ele sobre supostos recebimentos de caixa dois em campanhas eleitorais. O tucano é citado por delatores da Odebrecht e recentemente foi mencionado por integrantes da CCR em casos de contribuições não oficiais em campanhas ao governo de São Paulo.

Em sabatina realizada pela Folha de S.Paulo, UOL e SBT, Alckmin procurou se diferenciar de outros políticos investigados e disse que na política não é "todo mundo igual", alegando não ter enriquecido nos cargos públicos que ocupou.

Com inquéritos abertos após a delação da Odebrecht em andamento na Justiça Eleitoral e no Ministério Público de São Paulo, Alckmin negou interferências no processo judicial. Ele criticou, no entanto, a abertura de uma investigação no âmbito civil em São Paulo. "Não tem nenhum problema, pode fazer as duas investigações", pontuou.

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O tucano procurou desacreditar a revelação de que a concessionária CCR narrou ao MP de São Paulo suposto pagamento de R$ 5 milhões em caixa 2 para sua campanha em 2010. Alckmin argumentou que sua gestão agiu contra interesses da empresa ao rever contratos, baixar o preço dos pedágios e abrir concorrência para sistemas de cobrança automática nas praças. "Ninguém ajuda alguém que sabe de antemão que vai trabalhar contra seus interesses", afirmou.

O ex-governador disse que ele e seus advogados "não sabem" do que se trata a delação da CCR, apesar de ter sido relevada pela imprensa. "Precisa contar que milagre é esse."

Sobre seu cunhado Adhemar Ribeiro, apontado como arrecadador informal de suas campanhas, o tucano disse que ele participou apenas como "simpatizante do PSDB".

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"Minhas campanhas foram feitas rigorosamente dentro da lei, sem nenhuma ostentação", alegou. "Eu me sinto indignado porque há uma tendência de defenestrar a política e dizer que todo mundo é igual, e não é", afirmou o tucano. Para ele é preciso diferenciar quem enriquece na política de quem "trabalha para o povo".

Mensalão mineiro. Alckmin também defendeu que "se cumpra" a decisão que determinou a prisão do ex-governador mineiro Eduardo Azeredo, condenado a 20 anos de prisão no caso do "mensalão mineiro" e já considerado foragido.

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"O PSDB não é imune a crítica, a prestar contas ao poder judiciário e não passamos a mão na cabeça de ninguém", disse o tucano.

Alckmin repetiu que "ninguém está acima da lei" e que as decisões judiciais valem tanto para o PSDB como para o PT. O ex-governador paulista evitou, porém, comentar se considera Azeredo culpado ou inocente. "Decisão judicial se cumpre, garante-se o direito de defesa e respeita-se a decisão judicial. Tem que ser para todo mundo. Vai cumprir a decisão judicial." 

Concorrência. Com dificuldades para crescer nas pesquisas eleitorais, o pré-candidato procurou se diferenciar do que considera pré-candidaturas "do extremo" e igualou o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL) ao PT.

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"O que anda para trás é caranguejo. O Brasil não vai regredir, o sofrimento foi muito grande com esse período populista", disse Alckmin. "O Bolsonaro e o PT é a mesma coisa, é corporativismo puro", atacou.

Já sobre o ex-ministro e ex-governador do Ceará Ciro Gomes, pré-candidato ao Planalto pelo PDT, o tucano destacou que há diferenças "conceituais", mas evitou fazer críticas ao pedetista. "Tenho discordância conceitual com o Ciro, mas acho que ele tem espírito público. Ele não é corporativista", disse o tucano. Alckmin destacou, no entanto, que o presidenciável do PDT tem uma visão de "reestatizar" o País. "Eu quero reduzir o papel do Estado e privatizar", comentou.

Centro. Idealizador de um manifesto para unir o chamado "centro democrático e reformista", Alckmin pregou a união de partidos de centro em torno de uma candidatura única à Presidência, mas reconheceu que o campo não terá apenas um candidato no primeiro turno. Ele revelou que PSDB e PPS, além de parlamentares do PSD, PTB e PV, já assinaram o documento.

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O tucano repetiu que só deve crescer nas pesquisas quando a campanha começar no rádio e na TV. "O quadro é multipartidário e, para isso, tem segundo turno. O que nós vamos fazer é suar a camisa para chegar no segundo turno", afirmou o tucano, dizendo que, atualmente, o PSDB está caminhando para uma aliança com cinco partidos. Ele destacou que as pesquisas, no momento, apenas "olham para trás" e que os candidatos "fora dos extremos" devem crescer no período oficial da campanha.

"Esta é uma eleição de resistência e de chegada", declarou. "Precisa ter resistência, não aceitar todas as provocações, passar por cima delas e perseverar."

Geraldo Alckmin classificou ainda como "fake news" a especulação sobre a possibilidade do ex-prefeito de São Paulo João Doria substituí-lo como candidato do PSDB à Presidência da República. "Fake news. Não existe isso, o João Doria é candidato [ao governo de São Paulo]. É impressionante a criatividade", disse Alckmin, apontando a especulação como "criatividade" em busca de uma novidade e comparando o caso com o apresentador de TV Luciano Huck e o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa, que chegaram a considerar a hipótese de entrar na corrida presidencial

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