PF acha R$ 5 mil na mala do deputado Marquezelli

PF acha R$ 5 mil na mala do deputado Marquezelli

Agentes da Operação Registro Espúrio, terceira fase, vasculharam gabinete do parlamentar na Câmara, recolheram documentos e fizeram cópia do conteúdo dos computadores

Felipe Frazão / BRASÍLIA

05 Julho 2018 | 12h58

Deputado Nelson Marquezelli (PTB-SP).
FOTO: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO

A Polícia Federal apreendeu nesta quinta-feira, 5, R$ 5 mil em dinheiro vivo na mala do deputado federal Nelson Marquezelli (PTB-SP), durante nova fase da Operação Registro Espúrio. Os policiais revistaram o gabinete do deputado na Câmara, onde recolheram documentos e copiaram o conteúdo dos computadores.

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O assessor dele Jonas Antunes de Lima foi preso e presta depoimento aos policiais, assim como funcionários comissionados do Ministério do Trabalho, controlado politicamente pelo PTB. O partido anunciou em nota que o ministério está à disposição do presidente Michel Temer.

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Marquezelli negou ter feito audiências com o ministro afastado Helton Yomura e que o conheceu apenas quando ele foi indicado para a secretaria executiva da pasta.

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“Na minha mala tinha R$ 5 mil que eu uso para viagens no interior de São Paulo”, disse Marquezelli, que vai pedir a restituição do dinheiro ainda hoje. O deputado relatou ter sido interrogado pelos investigadores. “Prestei meu depoimento. Citaram cinco ou seis nomes do ministério que eu não conheço. Me informaram que o Jonas está sendo interrogado, ele e mais 3 ou 4 funcionários do Ministério do Trabalho.”

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Marquezelli afirmou que discorda da participação do PTB no Ministério do Trabalho, pelo fato de ser contra o aumento do número de sindicatos e a favor da reforma trabalhista. Ele sugeriu que o partido pleiteasse outras pastas, como Esporte, Agricultura ou Turismo.

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“Nós sabemos aqui, os bastidores sabem, que essa evolução do número de sindicatos no País, quase 18 mil sindicatos, não é de graça. Um forçamento de barra para ter sindicato de tudo quanto é jeito”, disse o deputado a jornalistas na Câmara. “Não há nada a temer. O gabinete é limpo, o nosso trabalho é limpo. Mas sou deputado do PTB, estou há 36 anos no partido e, lamentavelmente, o PTB dirigindo o MT, houve denúncias que estão sendo investigadas. Acredito que elas não procedem, mas a PF tem que investigar, não só o PTB, mas todos os partidos que nos últimos dez anos passaram no ministério. O PTB nosso, nosso trabalho, nosso grupo de amigos, (tem) mãos limpas. Pessoas corretas, que eu confio. Vamos colaborar com as investigações que estão sendo realizadas.”

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O deputado disse também que foi questionado sobre o marco regulatório do transporte de cargas, do qual é relator. Ele afirmou que os policiais levaram cópia do documento. “Estão levando cópia do marco regulatório do transporte, que nós fizemos. Envolve 18 mil caminhoneiros do País. A Justiça multou multou várias transportadoras que proporcionaram a greve no Estado de SP e no Brasil. Também faz parte da investigação. Jonas atuou muito pesado nesses dois anos no marco regulatório do transporte e teve muitos contatos com sindicatos, associações cooperativas ele conhece e pode dar informações que serão úteis no caminho da investigação.”

COM A PALAVRA, A DEFESA DE HELTON YOMURA

O ministro do Trabalho, Helton Yomura, adotou rigorosas providências institucionais para a garantia do interesse público, podendo se destacar: exoneração imediata de todos os servidores sob investigação, abertura de sindicância e processos administrativos para averiguação dos fatos e suspensão de todos os atos que pudessem provocar repercussões no âmbito da investigação.

Quanto à suspensão de suas funções no Ministério do Trabalho, todas as medidas jurídicas serão tomadas para possibilitar à turma do STF se manifestar sobre tal importante tema. Neste sentido, foi em razão do entendimento do próprio ministro Edson Fachin que foram encaminhados para o plenário do Supremo casos de grande repercussão.

Tendo a certeza de não ter cometido nenhum ato ilícito e que suas ações correspondem a uma política de valorização dos trabalhadores e das instituições, o ministro Helton Yomura, mesmo não sabendo de que atos está sendo acusado, nega veementemente qualquer imputação de crime ou irregularidade.

César Caputo Guimarães, criminalista do núcleo de Direito Penal do Nelson Wilians e Advogados, e André Hespanhol, advogado criminalista

COM A PALAVRA, O PALÁCIO DO PLANALTO

Procurado, o Palácio do Planalto afirmou que não vai se manifestar.

COM A PALAVRA, NELSON MARQUEZELLI

O deputado Nelson Marquezelli (PTB-SP) disse ao Broadcast Político que não tem “atuação nenhuma” no Ministério do Trabalho. “Não tenho trabalho com o Ministério do Trabalho. Minha atuação é no Ministério da Agricultura, da Saúde, do Esporte e do Turismo. São os que eu trabalho. No (Ministério do) Trabalho não tenho atuação nenhuma. Não indiquei ninguém lá, não ajudei ninguém”, disse.

“O PTB tem o Ministério do Trabalho. O ministro é afastado, eu sou o vice-líder do partido. Me informaram que todos os deputados do PTB teriam o gabinete vistoriado. Já fizeram (a vistoria) em vários e não iam pular o meu. Tem que fazer no meu também. Sempre chego aqui às seis horas da manhã. Eu cheguei e eles já estavam com minha chefe de gabinete fazendo a vistoria. Ofereci tudo o que eles precisam e é bom que faça (vistoria). Tem que fazer (no gabinete de) todo mundo”, afirmou o parlamentar.

COM A PALAVRA, O PTB

NOTA À IMPRENSA

O Partido Trabalhista Brasileiro vem a público mais uma vez para reafirmar seu apoio às investigações da Operação Registro Espúrio no âmbito do Ministério do Trabalho.

Como já foi dito, se houve irregularidade na Pasta caberá aos responsáveis responder à Justiça por seus atos.

Não concordamos, todavia, com inferências divulgadas antes que as investigações estejam concluídas. Pessoalmente, insisto: não participei de qualquer esquema espúrio no Ministério do Trabalho. E acrescento que minha colaboração restringiu-se a apoio político ao governo para que o PTB comandasse a Pasta.

Comunico ainda que a Executiva Nacional do PTB coloca o Ministério do Trabalho à disposição do governo Michel Temer.

Brasília, 5 de julho de 2018

Roberto Jefferson
Presidente Nacional do PTB