Preso aponta envolvimento de ex-ministro do Trabalho em fraudes sindicais

Preso aponta envolvimento de ex-ministro do Trabalho em fraudes sindicais

Ronaldo Nogueira (PTB-RS), que deixou o governo Temer em dezembro, foi citado por ex-servidor da pasta, Renato Araújo Júnior, alvo da Operação Registro Espúrio

Breno Pires/BRASÍLIA

15 Junho 2018 | 15h54

Ronaldo Nogueira. FOTO: ANDRE DUSEK/ESTADAO

Preso preventivamente na Operação Registro Espúrio, apontado como um dos principais operadores do PTB e da União Geral dos Trabalhadores (UGT) no Ministério do Trabalho, o ex-servidor da pasta Renato Araújo Júnior disse, em depoimento à Polícia Federal, que era mero “cumpridor de ordens” no esquema de fraudes na concessão de registros sindicais. Araújo Júnior apontou que trará informações sobre o “envolvimento” do ex-ministro Ronaldo Nogueira (PTB-RS), desligado em dezembro para reassumir mandato de deputado federal. Nogueira não foi alvo da operação.

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A menção a Ronaldo Nogueira ocorreu em um contexto em que Renato falava que recebeu diversos pedidos da UGT para registros de entidades vinculadas à central sindical, “muitas vezes sem os requisitos necessários para tanto” e que esses “pedidos eram, na verdade, ordens veladas”, vindas do presidente da UGT, Ricardo Patah, e de outros nomes relacionados à central sindical. Renato afirma que Patah é ligado a Ronaldo Nogueira e que fazia pedidos ao ex-ministro, sobre quem indicou que trará mais informações.

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Renato Araújo Júnior declarou que “futuramente, depois de tomar conhecimento acerca do teor dos autos, pretende prestar informações sobre o envolvimento de Ronaldo Nogueira nos fatos; que esclarece que os ‘pedidos’ (da UGT) eram direcionados não somente ao declarante, mas também a Renata Frias Pimentel, Leonardo Cabral, Carlos Lacerda e ao próprio ministro Ronaldo Nogueira; que futuramente pode declinar a participação de alguns deles nas fraudes sindicais”.

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O depoimento é do dia 31 de maio e foi o segundo a ser prestado pelo ex-servidor do Ministério do Trabalho, que está preso no Complexo Penitenciário da Papuda. Ele encerrou o depoimento afirmando que “deseja que fique consignado o seu interesse em colaborar amplamente no curso da investigação, prestando novos depoimentos se necessário”.

A reportagem tentou falar com Ronaldo Nogueira ontem à noite após ter acesso à informação, mas o telefone estava desligado.

A Operação Registro Espúrio investiga uma suposta organização criminosa, formada por políticos, lobistas, dirigentes de sindicatos e funcionários públicos, que praticou fraudes e corrupção para a liberação e o veto de registros sindicais dentro da Secretaria de Relações do Trabalho do Ministério do Trabalho de acordo com interesses privados.

Deflagrada em 30 de maio, a Registro Espúrio mirou em deputados federais como Paulinho da Força (SD-SP), Jovair Arantes (PTB-GO) e Wilson Filho (PTB-PB) e o suplente de deputado federal Ademir Camilo (MDB-MG), além do presidente do PTB, Roberto Jefferson. A segunda fase da operação foi realizada na terça-feira, 12, quando a PF vasculhou o gabinete da deputada federal Cristiane Brasil e dois endereços residenciais dela, diante de novos indícios de que ela teria feito parte do esquema. Todos os políticos citados negaram quaisquer irregularidades.

Citações. Renato Araújo Júnior afirmou que também pretende prestar informações sobre outras pessoas e sobre as centrais sindicais UGT e Força Sindical. Segundo Renato, elas “exercem fortíssima influência dentro do Ministério do Trabalho” e “frequentemente são feitos pedidos para direcionar o resultado ou burlar a ordem cronológica de análise dos processos de registro sindical, nos quais tais entidades possuem interesse direto”.

Sobre o presidente do partido, Roberto Jefferson, e o secretário Norberto, disse que nunca recebeu propina deles, mas disse que em um caso, envolvendo um sindicato em São Paulo, houve fraudes cometidas por integrantes do ministério e que “a contrapartida para a atuação de Roberto Jefferson e Norberto é apenas capital político”.

Embora não tenha citado Jovair Arantes, Renato Araújo comprometeu o sobrinho dele Leonardo Arantes, que era secretário-executivo do Ministério do Trabalho até ser preso na operação. Renato disse que “já atendeu diversos pedidos de Leonardo Arantes e Maurício para favorecimento de entidades sindicais” e que “”não eram meros ‘pedidos’, encarando-os como verdadeiras ‘ordens'” e que “se vê obrigado a atender”.