Checamos a sabatina de Celso Russomanno no Estadão: veja o resultado
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Checamos a sabatina de Celso Russomanno no Estadão: veja o resultado

Candidato do Republicanos à Prefeitura de São Paulo exagerou números sobre a dívida com a União e o recebimento de recursos para enfrentamento da covid-19

Alessandra Monnerat, Pedro Prata, Tiago Aguiar e Guilherme Bianchini, especial para o Estadão

19 de outubro de 2020 | 16h44

O Estadão Verifica checou as declarações do candidato à prefeitura de São Paulo pelo Republicanos, Celso Russomanno, durante a sabatina do Estadão realizada nesta segunda-feira, 19. Russomanno errou ao citar números sobre a dívida de São Paulo e os recursos recebidos para enfrentamento da covid-19. Veja abaixo o resultado da checagem.

O candidato à Prefeitura de São Paulo pelo Republicanos, Celso Russomanno. Foto: Reprodução/YouTube

“A dívida hoje tá em R$ 57 bi. Em 2030, vai ser em torno de R$ 200 bilhões. Tem que ser renegociada.”

Em 2015, no governo Haddad, um acordo de renegociação foi feito entre a cidade e a União para reduzir o valor total da dívida. A negociação trocou o índice usado para o cálculo de juros, mudando do índice IGP-DI para o IPCA. Dessa forma, a dívida, na época, caiu de R$ 64,8 bilhões para R$ 28 bilhões e está sendo quitada em dia pelo governo Bruno Covas.

Dados do relatório anual do Tribunal de Contas do Município mostram que o saldo do refinanciamento da dívida era de R$ 27,3 bilhões em 31 de dezembro de 2018. Um ano depois, ao final de 2019, o montante da dívida pública do financiamento era de R$ 25, 9 bilhões.

Os dados estão de acordo com a as informações do Tesouro Nacional, que informa que atualmente a dívida da Prefeitura com o governo federal soma R$ 26 bilhões. Segundo dados do Tesouro Nacional, o atual prefeito e candidato à reeleição, Bruno Covas (PSDB), pagou R$ 2,31 bilhões em 2019.

“(Sobre covid-19 na população de rua de São Paulo) temos 28 óbitos em 28 mil pessoas… Dá 0,1% de morte, muito menor que a classe média, que tá em torno de 4%. (…) A incidência é muito menor nas pessoas em situação de rua”. 

Em duas ocasiões durante a campanha eleitoral, Russomanno levantou a hipótese de que a falta de banho teria deixado moradores de rua e pessoas da região da cracolândia imunes à covid-19 — alegação rechaçada por especialistas ouvidos anteriormente pelo Estadão.

A comparação feita por Russomanno entre a letalidade do coronavírus na população de rua e na classe média é imprecisa pois os dados sobre o tema sofrem com subnotificação. A Prefeitura de São Paulo informou que 300 pessoas em situação de rua foram diagnosticadas com covid-19 nos programas Consultório na Rua e Redenção. Deles, 30 morreram em decorrência da doença.

Como disse o médico infectologista do Hospital Emílio Ribas Jamal Suleiman ao Estadão, é comum que pessoas em situação de rua nem cheguem a procurar atendimento médico, em razão da desconfiança que têm em relação às instituições — principalmente entre os dependentes químicos.

A Prefeitura de São Paulo estima haver mais de 24 mil moradores em situação de rua, entre os que ficam em abrigos e os que não têm vaga. Deles, 2,2 mil têm mais de 60 anos de idade.

Uma análise publicada pelo Instituto Questão de Ciência indicou que a taxa de mortalidade pela covid-19 na população de rua era de 164,31 mortes a cada 100 mil pessoas, em setembro. Em toda a capital, esse índice era de 162,33 por 100 mil habitantes.

“Só de recursos para covid, veio R$ 600 milhões (para São Paulo), se eu não me engano”.

Ao citar recursos enviados pelo governo federal à capital paulista, Russomanno subestimou os números: o município de São Paulo obteve acesso a R$ 1,37 bilhão em verbas do Programa Federativo de Enfrentamento ao Coronavírus.

Por outro lado, ao mencionar o número de pessoas que recebem auxílio emergencial na cidade de São Paulo, o candidato do Republicanos acertou. De acordo com lista de junho divulgada pelo Portal da Transparência, 2.672.450 pessoas receberam o benefício na capital. 

“Nós somos obrigados a uma série de coisas, agora somos obrigados a tomar vacina? (…) Sou legalista, vamos cumprir as leis”.

Ao afastar a possibilidade da obrigatoriedade de uma vacina contra o novo coronavírus, Russomanno disse ser “legalista”. “Vamos cumprir as leis”, disse ele. No entanto, uma lei assinada em fevereiro pelo presidente Jair Bolsonaro prevê a possibilidade de realização compulsória da imunização em meio à pandemia de covid-19. Além disso, o artigo 14 do Estatuto da Criança e do Adolescente estabelece a obrigatoriedade da vacinação desse grupo.

“Sabe qual o bairro mais adensado da cidade de SP? Não é Moema. O mais adensado da cidade de SP é Sapopemba”.

De acordo com dados da Prefeitura de São Paulo, o distrito de Sapopemba, na Zona Leste, tem 21.076 habitantes por quilômetro quadrado. O distrito com a maior densidade demográfica da capital é a Bela Vista, no centro, com 26.735 moradores por quilômetro quadrado. Em seguida, vêm República, Cidade Ademar e Santa Cecília.

O distrito de Moema, mencionado na comparação pelo candidato, de fato tem adensamento bem menor que Sapopemba, com 9.263 habitantes por quilômetro quadrado.

Essa alegação também foi checada pelo site Aos Fatos. /COLABOROU PAULA REVERBEL

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