Checamos a sabatina de Arthur do Val no Estadão: veja o resultado
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Checamos a sabatina de Arthur do Val no Estadão: veja o resultado

Candidato à Prefeitura errou dados sobre a população dos distritos paulistanos e sobre o uso de dinheiro público na campanha

Alessandra Monnerat, Pedro Prata e Tiago Aguiar

20 de outubro de 2020 | 16h43

O deputado estadual Arthur do Val (Patriota) participou nesta terça-feira, 20, da série de sabatinas do Estadão com os candidatos à Prefeitura de São Paulo. O Estadão Verifica checou as declarações do parlamentar, que errou dados sobre a população dos distritos paulistanos e sobre o uso de dinheiro público na campanha.

O candidato Arthur do Val durante sabatina do Estadão. Foto: Reprodução

“Quem mora nas regiões centrais, tô falando de Vila Prudente, Tatuapé, Cambuci, Vila Mariana (…) você diminuiu o número de pessoas na região central de São Paulo. (…) Nos últimos 20 anos, todos os bairros bons de São Paulo perderam população, enquanto as periferias de São Paulo estão cada vez mais densas e cheias de pessoas.”

O Sistema Seade de Projeções Populacionais aponta que a maioria dos distritos de São Paulo teve homogeneidade na média de crescimento ano a ano na última década: 58 distritos tiveram aumento populacional entre 0% e 1%. Vila Andrade, na zona sul, e Anhanguera, na zona noroeste, foram os que mais cresceram (2,7% anualmente). Já Alto de Pinheiros, na zona oeste, e Vila Medeiros, na zona norte, diminuíram o número de moradores em 0,5%, também ano a ano.

Entre os distritos citados nominalmente pelo candidato, nenhum teve redução na contagem de habitantes. Segundo dados do Seade, o maior aumento foi em Tatuapé, cuja população passou de 92.118, em 2011, para 95.705, em 2019 — diferença de 3.587 pessoas, ou 3,89%. O maior aumento percentual na década foi registrado em Cambuci: 8,1%, de 37.317 moradores para 40.357.

Considerando os distritos com IDH mais elevado, apenas o Alto de Pinheiros perdeu população entre 2011 (42.927) e 2019 (41.191). Todos os outros mostraram aumento nesse mesmo período: Moema (de 84.044 para 88.949); Pinheiros (de 65.446 para 65.895); Perdizes (de 111.591 para 114.552); e Jardim Paulista (de 88.935 para 90.588).

O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) mede um comparativo de riqueza, alfabetização, educação, esperança de vida, natalidade e outros fatores. Dados de 2016 mostram que os cinco distritos com maior IDH da cidade eram Moema (0,961), Pinheiros (0,960), Perdizes (0,957), Jardim Paulista (0,957) e Alto de Pinheiros (0,955).

“Nos últimos 20 anos, a população de rua de São Paulo só aumentou”.

Arthur do Val disse que a população em situação de rua aumentou nos últimos 20 anos na cidade de São Paulo. A informação está correta. O censo da população de rua da Prefeitura de São Paulo registrou que o número de pessoas em situação de rua na cidade em 2000 era de 8.706 pessoas. Este número passou para 15.905 em 2015 e 24.344 em 2019.

“Sou o único candidato que não pega dinheiro de imposto para fazer santinho”.

O deputado estadual repetiu a alegação feita ao longo da campanha de que é o “único candidato” que não usa dinheiro público na campanha eleitoral. Não é bem assim. De fato, na prestação de contas do candidato do Patriota ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), não há registro de receitas do Fundo Eleitoral ou do Fundo Partidário. No entanto, o candidato a prefeito Filipe Sabará (Novo) também declarou não ter recebido dinheiro desses fundos públicos nesta campanha.

Além disso, uma reportagem do jornal Folha de S. Paulo mostrou que três assessores do gabinete de Arthur do Val na Assembleia Legislativa de São Paulo participaram de atividades de campanha. O presidente municipal do Patriota em São Paulo, Renato Battista, que está lotado na liderança do partido na Assembleia, participou de reuniões de campanha em horário comercial. A matéria da Folha também destacou que o candidato usa 16 segundo do horário eleitoral gratuito na televisão e rádio, o que configura uso indireto de dinheiro público.

“O orçamento de Assistência Social é de pouco mais de R$ 1 bilhão por ano”.

De fato, o orçamento aprovado para 2020 para o Fundo Municipal de Assistência Social foi de R$ 1,1 bilhão. A Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social teve orçamento previsto em R$ 122 milhões. Em outro momento da entrevista, o candidato também acertou o valor do orçamento da Secretaria Municipal de Cultura (R$ 472 milhões) e da Câmara Municipal (R$ 4,7 bilhões).

“O TCM tenta ali fazer um trabalho, mas muitas vezes não consegue. Até hoje eu tenho dúvidas de o porquê se estabeleceu, por exemplo, o valor de R$ 1,2 bi para privatização do Anhembi. É algo que interessa toda a sociedade, uma vez que passou na Câmara e ninguém passou adiante.” 

Quando o edital para a privatização do complexo do Anhembi foi lançado em definitivo, no ano passado, o valor do leilão era de lances mínimos de R$ 1,45 bilhão, atendendo a uma recomendação do Tribunal de Contas do Município. A venda não atraiu interessados e a gestão Bruno Covas optou agora pela concessão por 30 anos com oferta mínima de R$ 53 milhões.

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