DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO
DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO

Delegado diz que ataque à caravana de Lula deve ser tratado como tentativa de homicídio

Wilkinson Fabiano Oliveira de Arruda não está mais no comando das investigações

Ricardo Galhardo, enviado especial, O Estado de S.Paulo

28 Março 2018 | 19h05

CURITIBA (PR) - O delegado de Polícia Wilkinson Fabiano Oliveira de Arruda afirmou que os disparos contra dois dos três ônibus da caravana do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva devem ser tratados como uma tentativa de homicídio. Arruda publicou uma nota oficial na tarde quarta-feira. 

"Não há precipitação alguma em concluir o óbvio, que se há disparo de arma de fogo em direção a diversas pessoas em um ônibus, isso será considerado, em um primeiro momento, tentativa de homicídio, aqui e em qualquer lugar do mundo, embora se respeite opiniões diversas, desde que juridicamente fundamentadas." 

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No entanto, segundo ele, é preciso que a perícia seja concluída para total elucidação dos fatos.

Na nota, Arruda afirma que não foi afastado de suas funções ou sofreu qualquer retaliação por em razão do caso. Ele disse que era o delegado de plantão em Laranjeiras do Sul, no Paraná, na noite de terça-feira quando os dois ônibus da caravana do ex-presidente foram atingidos por tiros.

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Arruda foi primeiro delegado que confirmou que um dos ônibus da carava havia sido atingido por ao menos um tiro. No entanto, de acordo com apuração do Estado, suas declarações logo após o incidente não foram bem recebidas pela cúpula da Secretaria de Segurança do Paraná (Sesp). A apuração do caso será comandada pelo delegado Helder Andrade Lauria.

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O delegado disse que jamais permitiria sofrer "interferências políticas, de quem quer que seja, no exercício de suas atribuições" e que o "enquadramento legal dado a um caso por um delegado de Polícia deve se fundamentar exclusivamente em critérios técnicos, jamais em critérios políticos, pois Polícia é neutra."

Arruda disse ainda que deseja sucesso na condução do inquérito pelo delegado Hélder Andrade Lauria.

Precariedade na Polícia

Na nota, o policial também reclamou da "extrema precariedade" da estrutura da Polícia Civil do Paraná. Segundo Arruda, não há delegados suficientes para todos os municípios do Estado. Ele destacou que Santa Catarina tem 100 delegados a mais, mesmo tendo 100 cidades a menos e quase a metade da população e da extensão territorial.

De acordo com Arruda, a situação "obriga os delegados do interior a se submeterem a uma escala ininterrupta de sobreaviso, o que atenta contra a saúde e segurança das autoridades policiais e também dos seus servidores, os quais também são submetidos a condições precárias de trabalho".

Arruda apontou ainda dificuldades no Instituto de Criminalística do Estado do Paraná. De acordo com o delegado, o perito responsável pelo caso teve que se deslocar 120 km para chegar ao local do ataque.

"Essa desestruturação e sucateamento da Polícia Civil do Estado do Paraná é fruto de, no mínimo, 20 anos de investimentos insuficientes e/ou inexistentes e contratações meramente pontuais, que praticamente repõem aposentadorias e exonerações de servidores, fazendo com que a ocupação dos cargos efetivos da PCPR esteja hoje na ordem de 50%", escreveu.

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