DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO
DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO

Dois ônibus da caravana de Lula são atingidos por tiros no Paraná

Dois ônibus que acompanham ex-presidente são alvejados no interior do Paraná, segundo relatos de passageiros; ninguém se feriu

Ricardo Galhardo, enviado especial, O Estado de S.Paulo

27 Março 2018 | 20h31

LARANJEIRAS DO SUL (PR)  - Dois dos três ônibus da caravana do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela Região Sul foram alvejados com tiros nesta terça-feira, 27, na estrada entre Quedas do Iguaçu e Laranjeiras do Sul, no interior do Paraná. Os disparos foram relatados por integrantes da caravana do petista. Ninguém ficou ferido.

Um dos veículos apresentava marcas de três tiros. Um disparo perfurou a lataria e outros dois atingiram os vidros. O ônibus transportava jornalistas que fazem a comunicação da caravana, de blogs e sites que acompanham a comitiva, e repórteres estrangeiros. 

+ Delegado confirma que ônibus de caravana de Lula foi alvejado por tiro

Dois pneus do veículo que conduzia os jornalistas foram atingidos por “miguelitos” – objetos pontiagudos usados para furar pneus e bloquear vias. O outro ônibus, que foi atingido por um tiro, levava convidados da caravana do petista. O ônibus em que estava o ex-presidente Lula não foi atingido.

A Polícia Civil do Paraná informou que uma equipe da Delegacia de Laranjeiras do Sul realizou uma perícia no local do fato. Um inquérito vai apurar o episódio. 

O delegado Fabiano Oliveira confirmou ao Estado que um dos ônibus da caravana foi alvejado por ao menos um tiro. “Pelo menos uma das marcas é de arma de fogo”, afirmou. “Se as outras (marcas) são, apenas a perícia irá dizer.” Oliveira é o responsável pela investigação do caso no município paranaense. 

+ Palanque de Lula é atingido por ovos e ex-presidente reage: 'canalha não tem cara'

+ 'Ou eu estou louco ou quem me condenou está louco', diz Lula

Conforme a nota da corporação, a Polícia Militar do Paraná reforçou o policiamento nos locais de manifestação determinados previamente pela caravana do ex-presidente e “não houve, por parte do ex-presidente, o pedido de escolta”.

BARULHO NA LATARIA ​

Segundo relato da jornalista Eleonora de Lucena, do site Tutaméia, cerca de cinco minutos depois de sair da cidade de Quedas do Iguaçu rumo a Laranjeiras do Sul, os ocupantes do ônibus ouviram um barulho na lataria, mas pensaram que se tratava de uma pedra. 

Conforme relatos, alguns quilômetros adiante, quando a caravana já estava próxima ao trevo para Laranjeiras do Sul, o motorista de um dos ônibus percebeu uma redução na velocidade e achou que poderia ser um pneu furado. E foi então que eles desceram dos ônibus e viram as marcas de tiro e encontraram os “miguelitos”.

O ex-presidente publicou nas redes sociais duas fotos com os ônibus alvejados. Mais tarde, durante ato em um assentamento na cidade, ele discursou e tratou do episódio: “Atirem pedra, deem tiros no ônibus como fizeram hoje, mas não se pensam que vão acabar com minha disposição de lutar estão enganados.”

+  Segurança da caravana de Lula agride repórter de 'O Globo'

Deputados do PT se reuniram nesta terça-feira com o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, para cobrar providências.  O líder do PT no Senado, Lindbergh Farias (RJ), disse que o País está entrando num “momento novo” de violência política.  

INACEITÁVEL, DIZ RAUL JUNGMANN

Jungmann, classificou como “inaceitável” o episódio no Paraná. “É absolutamente inaceitável que aconteça. Isso não é convivência democrática. Isso não pode acontecer e, se acontecer, é preciso identificar os responsáveis porque não pode se repetir dentro do regime democrático”, disse. Jungmann também condenou confrontos entre militantes petistas e antipetistas. “Não podemos admitir confrontos, isso é absolutamente democrático, e é preciso ter respeito.” 

Jungmann afirmou que a Polícia Federal não irá investigar o caso dos tiros porque o crime não foi federal e cabe às autoridades estaduais atuar. 

PETISTAS ACUSAM AUTORIDADES DE OMISSÃO

Homens armados foram flagrados em outras manifestações durante a passagem da caravana pela Região Sul. Estradas chegaram a ser bloqueadas para evitar a passagem da comitiva do petista. No domingo, veículos da caravana foram alvo de pedras e ovos. Anteontem, um integrante da equipe de segurança da caravana agrediu um repórter do jornal O Globo na cidade de Francisco Beltrão (PR). 

Durante o trajeto da caravana no Sul do País, ao longo dos últimos oito dias, petistas acusaram as autoridades da área de segurança, tanto federais como estaduais, de omissão em relação aos atos de violência contra a comitiva. 

Nesta quarta-feira haverá ato programado em Curitiba, que vai marcar o encerramento da caravana. 

O deputado federal e presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) também passará pela região da capital paranaense hoje. No fim da manhã ele desembarca no aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais, onde será recebido por apoiadores. Depois segue para a cidade de Ponta Grossa. O MBL também programou uma manifestação contra Lula em Curitiba nesta quarta-feira. / COLABORARAM DAIENE CARDOSO e ISADORA PERON

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.