‘Por trás dele existe uma história’, diz empresário sobre o triplex pivô da condenação de Lula

‘Por trás dele existe uma história’, diz empresário sobre o triplex pivô da condenação de Lula

Empresário arrematou imóvel no Guarujá pelo valor mínimo estipulado no edital da Lava Jato, R$ 2,2 milhões

Gilberto Amendola, Luiz Vassallo, Ricardo Brandt, Julia Affonso e Fausto Macedo

15 Maio 2018 | 19h11

Triplex do Guarujá atribuído a Lula. Foto: Marcio Fernandes/Estadãotriplex

O empresário Fernando Costa Gontijo, de 64 anos, é o novo dono de um dos imóveis mais comentados do País: o triplex 164-A, no condomínio Solaris, no Guarujá (SP). O apartamento foi o pivô da condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Lava Jato. Ele foi arrematado nesta terça-feira, 15, pelo valor mínimo estipulado no edital, de R$ 2,2 milhões. Gontijo tem três dias para fazer o pagamento e oficializar o negócio.

“O triplex tem mais de 200 metros quadrados, uma vista privilegiada e, por trás dele, existe uma história. É uma aposta, mas acredito que pode ser um bom negócio”, disse Gontijo ao Estado.

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Gontijo atua no mercado imobiliário há mais de 30 anos, diz nunca ter votado em Lula e se qualifica como “apolítico”. Ele criou a empresa Guarujá Participações especificamente para comprar o imóvel. Em sua carreira de executivo, consta uma passagem pela companhia Via Engenharia – investigada no chamado mensalão do DEM – escândalo que veio à tona em 2009 e envolveu o ex-governador José Roberto Arruda. Ele também foi condenado por improbidade pela Justiça Federal da Paraíba.

O lance pelo apartamento foi dado faltando cinco minutos para o fim da primeira fase do leilão virtual, quando a página registrava 54.900 visitantes.

+++Sentença para a história

Para o leiloeiro responsável, Afonso Marangoni, a compra do imóvel já na primeira rodada foi surpreendente. “Imaginava que ele sairia apenas naquilo que chamamos de segunda praça (segunda rodada de venda), quando o preço cairia para 80% do valor estipulado. Nesse caso, R$ 440 mil a menos do que foi gasto para arrematá-lo”, afirmou Marangoni.

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Um lance já havia sido feito anteriormente, por volta das 21h de segunda-feira, por um interessado de Piracicaba. “O próprio interessado solicitou a retirada do lance. Ele, na verdade, tinha dado um lance que não correspondia ao mínimo possível nessa fase do leilão”, disse Marangoni.

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Moradores do prédio comemoraram a venda. “O Solaris é um prédio que sempre deu muito problema. Foi assim desde a construção. Ele demorou 13 anos para ficar pronto. Agora, com a venda do triplex, a gente espera que toda essa confusão tenha fim. Os moradores merecem um pouco de paz”, disse Maria Clara Hashimoto, dona de dois apartamentos.

Preço. Em agosto, na sentença em que o juiz Sérgio Moro condenou Lula, o imóvel fora avaliado em R$ 2,4 milhões. Portanto, ele já teria sofrido depreciação de R$ 200 mil no leilão. Apesar disso, corretores afirmam que o preço ficou acima do praticado hoje pelo mercado.

O consenso entre os corretores é que o metro quadrado na região varia de R$ 7 mil a R$ 8 mil – isso se o imóvel for novo. Em caso de imóvel usado, a variação seria de R$ 5 mil a R$ 6 mil. “O triplex, com muito boa vontade, vale R$ 1,8 milhão. Mas, poderia ser muito bem adquirido por R$ 1,5 milhão”, disse Luiz Lang, proprietário da corretora Verde Mar, que atua no Guarujá.

VÍDEO: Veja o triplex 164 A

O apartamento e suas reformas, custeadas pela OAS, foram apontados por Moro e pelos desembargadores do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4) como propinas de R$ 2,4 milhões da empreiteira ao ex-presidente, condenado e preso pela Lava Jato.

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O site do leilão diz que o comprador terá de arcar com dívidas pendentes. Só com o condomínio, o débito era de R$ 47.204,28 até abril, “que serão de responsabilidade do arrematante.”