Joesley afirma que não recebeu orientação de ex-procurador para gravar Temer

Joesley afirma que não recebeu orientação de ex-procurador para gravar Temer

Em depoimento de cerca de três horas na Procuradoria-Geral da República, principal acionista da JBS confirmou que Marcelo Miller se apresentou a ele como advogado, antes de pedir exoneração do Ministério Público Federal

Beatriz Bulla e Ligia Formenti, de Brasília

07 Setembro 2017 | 20h50

Empresário Joesley Batista. FOTO DIDA SAMPAIO/ESTADÃO

O empresário Joesley Batista, do Grupo J&F, prestou depoimento de cerca de três horas na tarde desta quinta-feira, 7, na sede da Procuradoria-Geral da República no qual disse que não recebeu orientação do ex-procurador Marcelo Miller para gravar o presidente Michel Temer. A gravação do peemedebista, em uma conversa no Palácio do Jaburu, abriu a porta para que os empresários do grupo conseguissem negociar um acordo de delação premiada.

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Joesley chegou a Brasília de manhã junto com o diretor jurídico do grupo Francisco de Assis e o diretor Ricardo Saud. No total, os executivos permaneceram quase dez horas no local. Os três prestaram esclarecimentos à Procuradoria no procedimento que deve revogar o benefício de imunidade penal concedido aos delatores. Em gravação, Saud e Joesley falaram sobre uma suposta influência de Miller nas tratativas para a delação.

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Aos procuradores, Joesley confirmou que conheceu Miller em data anterior à que ele foi exonerado da PGR. Segundo o empresário, no entanto, Marcelo Miller se apresentou como advogado e disse que já tinha pedido a exoneração do Ministério Público – o que só teve efeito oficialmente a partir de abril.

Segundo Joesley disse aos procuradores, Miller não trabalhou no acordo de delação nem quando deixou oficialmente o Ministério Público. Ele afirmou, no entanto, que conversou superficialmente com o ex-procurador sobre o acordo de delação.

Na mesma época em que fez os contatos com Miller, Joesley buscava um nome para assumir a área de compliance e combate à corrupção da JBS.

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O empresário minimizou as menções que fez durante a conversa gravada ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

O primeiro a ser ouvido foi o advogado Francisco de Assis, questionado sobre a relação com Miller, e o último foi Ricardo Saud.

O procedimento de revisão do acordo é conduzido pela subprocuradora Cláudia Marques. Nesta sexta-feira, 8, ela vai ouvir Marcelo Miller e analisar informações do escritório Trech, Rossi e Watanabe – onde o procurador chegou a trabalhar após ser exonerado do Ministério Público.

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COM A PALAVRA, A J&F:

“Joesley Batista, Ricardo Saud e Francisco de Assis e Silva prestaram depoimento hoje (quinta-feira, 7) na Procuradoria-Geral da República, em Brasília. Não é possível fornecer detalhes em razão de sigilo. O empresário e os executivos continuam à disposição para cooperar com a Justiça.”

J&F Investimentos