Procurador avisa que delatores da JBS podem sofrer ‘perda total’ da premiação

Procurador avisa que delatores da JBS podem sofrer ‘perda total’ da premiação

Rodrigo Janot destaca, porém, que eventual revisão 'não anula as provas'

Fabio Serapião, Breno Pires, Beatriz Bulla e Rafael Moraes Moura, de Brasília

04 Setembro 2017 | 19h16

 

Rodrigo Janot. Foto: Carlos Moura/SCO/STF

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou nesta segunda-feira, 4, que se a delação da JBS for rescindida, as provas entregues pelos executivos do grupo não serão anuladas.

Segundo Janot, o áudio que chegou ao conhecimento da Procuradoria na quinta-feira às 19 horas revela uma conversa entre dois colaboradores que, ‘aparentemente, não sabiam que estavam sendo gravados’.

“Se ficar provada qualquer ilicitude, o acordo de delação será rescindido. Eventual rescisão do acordo não invalida as provas até então oferecidas”.

“A revisão do acordo pode levar à rescisão (do acordo), mas não anula as provas”, afirma Janot. “Os indícios são gravíssimos. O resultado pode ser a rescisão com a perda total da premiação sem prejuízo das provas apresentadas.”

COM A PALAVRA, A J&F
A defesa dos executivos da J&F junto ao Ministério Público Federal informa que a interpretação precipitada dada ao material entregue pelos próprios executivos à Procuradoria-Geral da República será rapidamente esclarecida, assim que a gravação for melhor examinada.

Conforme declarou a própria PGR, em nota oficial, o diálogo em questão é composto de “meras elucubrações, sem qualquer respaldo fático”. Ou seja, apenas cogitações de hipóteses — não houve uma palavra sequer a comprometer autoridades.

É verdade que ao longo do processo de decisão que levou ao acordo de colaboração, diversos profissionais foram ouvidos — mas em momento algum houve qualquer tipo de contaminação que possa comprometer o ato de boa-fé dos colaboradores.