‘Homem de confiança do PMDB’ buscou propinas para Geddel com operador de Cunha, diz Procuradoria

‘Homem de confiança do PMDB’ buscou propinas para Geddel com operador de Cunha, diz Procuradoria

Investigação mostra elo e encontros em hotel em São Paulo de Gustavo Ferraz, diretor da Defesa Civil de Salvador e ligado ao partido, com operador do ex-presidente da Câmara

Luiz Vassallo, Julia Affonso e Beatriz Bulla

08 Setembro 2017 | 12h33

Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) e Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Fotos: Ueslei Marcelino / Reuters e Fábio Motta / Estadão

Ao pedir a prisão do diretor da Defesa Civil de Salvador, Gustavo Pedreira Couto Ferraz, a Procuradoria da República no Distrito Federal afirmou que o agente público seria o interposto de Geddel Vieira Lima que foi buscar propinas em um hotel em São Paulo junto ao operador de Eduardo Cunha, Altair Alves Pinto.

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Procuradores veem Ferraz como homem de confiança do PMDB da Bahia e ligado politicamente ao ex-ministro.

As digitais do diretor da Defesa Civil foram identificadas nos sacos plásticos que envolviam os R$ 51 milhões no apartamento emprestado pelo empresário Silvio Antônio Cabral Silveira. Digitais de Geddel também aparecem nas notas de dinheiro da maior apreensão da história da Polícia Federal brasileira. Até mesmo a fatura da empregada do deputado Lucio Vieira Lima (PMDB-BA), irmão de Geddel, foi achada no apartamento, que fica a apenas 1,2 km da casa do ex-ministro e de sua mãe.

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Segundo o Ministério Público Federal, ‘Gustavo Ferraz foi identificado pela polícia como sendo pessoa que vem ocupando cargos de confiança vinculados aparentemente ao PMDB/BA e, ainda conforme consta na representação policial, é ligado politicamente a Geddel’.

A Polícia Federal anexou nos autos inclusive uma foto em que os dois aparecem, lado a lado, com a legenda: “FESTA DE YEMANJÁ COM O PRÓXIMO GOVERNADOR DA BAHIA”.

Ferraz, segundo os procuradores, ‘aparece como sendo pessoa que representa e representava (em diversas ocasiões) Geddel junto a Eduardo Cunha e a Altair (operador de Cunha)’.

Mensagens apreendidas no âmbito da Cui Bono?, que investiga desvios de Geddel à época em que era vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal, entre 2011 e 2013, no governo Dilma Rousseff, entre o ex-ministro e o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), apontam para um encontro marcado no Hotel Clarion Faria Lima, em São Paulo.

“Na ocasião desse encontro (e, ao que tudo indica, em outros), firmam o compromisso de enviar pessoas para representá-los. A pessoa indicada por Eduardo Cunha seria Altair, enquanto Geddel indicaria Gustavo. Ao constatar o registro no Hotel Clarion, percebe-se que Altair Alves Pinto ficou lá hospedado, no quarto 1302, entre os dias 5 e 6 de setembro de 2012. Isso sugere que o encontro entre Altair e Gustavo pode ter realmente ocorrido e pode ter havido a retirada de dinheiro em espécie por este, a mando de Geddel Vieira Lima. Assim sendo, percebe-se a real possibilidade de Gustavo ter participado e continuar a participar das atividades ilícitas atreladas a Geddel Vieira Lima”, diz a Procuradoria.

No âmbito da Cui Bono?, Geddel e Eduardo Cunha são investigados por supostamente tomar propinas de empresas para a liberação de empréstimos bilionários da Caixa Econômica Federal.

Em delação, o doleiro Lúcio Funaro alega ter repassado R$ 20 milhões em dinheiro vivo ao peemedebista. A versão dele é corroborada pelo empresário Joesley Batista, da JBS.

COM A PALAVRA, GEDDEL

A defesa do peemedebista afirma que vai se manifestar quando tiver acesso aos autos.