Delatores Joesley e Funaro afundam Geddel

Delatores Joesley e Funaro afundam Geddel

Revelações do empresário da JBS e do doleiro indicaram pistas para os investigadores fecharem o cerco ao ex-ministro dos Governos Lula e Temer e ex-diretor de Pessoa Jurídica da Caixa no Governo Dilma

Beatriz Bulla, de Brasília, Luiz Vassallo e Julia Affonso

08 Setembro 2017 | 11h20

No pedido de prisão preventiva de Geddel Vieira Lima – capturado nesta sexta-feira, 8, em Salvador -, a Procuradoria da República destacou que a descoberta do bunker de R$ 51 milhões atribuído ao ex-ministro reforça informações dos delatores Lúcio Funaro e Joesley Batista.

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Documento

O doleiro, preso na Operação Sépsis em julho de 2016, e o acionista da JBS que mergulhou o governo Michel Temer em sua mais grave crise política, revelaram que, assim como o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB/RJ), o próprio Geddel ‘solicitava vantagens indevidas de empresas que buscavam empréstimos junto à Caixa’.

Funaro relatou pagamentos ‘da ordem de R$ 20 milhões’, destaca a Procuradoria.

Foto: PF

Geddel foi vice-presidente de Pessoas Jurídicas da Caixa, entre 2011 e 2013 (Governo Dilma)
Na terça-feira, 5, a Polícia Federal deflagrou a Operação Tesouro Perdido e encontrou o bunker de R$ 51 milhões no bairro da Graça, em Salvador, localizado a um quilômetro do apartamento onde Geddel cumpria regime domiciliar sem tornozeleira eletrônica.

Geddel foi preso nesta sexta por ordem do juiz Vallisney Oliveira, da 10.ª Vara Federal de Brasília. Ele vai trocar a residência na Bahia por uma cela na Papuda.

Na petição enviada à Justiça, o Ministério Público Federal aponta ‘provas de que Geddel era o responsável pelo dinheiro apreendido há três dias’.

Exames periciais confirmaram as digitais do peemedebista nas notas de dinheiro socadas em malas e caixas – R$ 42, 8 milhões e US$ 2,68 milhões em dinheiro vivo.

Foto: PF

Duas testemunhas – uma delas, o dono do imóvel, empresário Silvio Silveira – confirmaram à polícia que Geddel usava o apartamento emprestado, ‘a pretexto de guardar pertences do pai que morreu no ano passado’.

Geddel já havia sido preso uma primeira vez, em julho, por suposta obstrução de Justiça – ele estaria pressionando Funaro, por meio de sucessivos telefonemas para a mulher do doleiro.

Na ocasião, em audiência de custódia, o ex-ministro chorou. Logo, foi beneficiado por decisão do Tribunal Regional Federal da 1.ª Região (TRF1), que o mandou para o aconchego do lar.

A Procuradoria assinala que o primeiro pedido de prisão ‘teve como fundamento a constatação de que ele (Geddel) tentava obstruir as investigações’.

“Na época, o objetivo de Geddel era evitar que o doleiro Lúcio Funaro firmasse acordo de colaboração com o Ministério Público Federal”, diz a Procuradoria.

Por esta acusação, o ex-ministro já foi denunciado em ação penal ,em curso na 10.ª Vara Federal de Brasília.

COM A PALAVRA, GEDDEL

A defesa do peemedebista afirma que vai se manifestar quando tiver acesso aos autos.

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