PF achou digitais de Geddel e até fatura de empregada em bunker de R$ 51 milhões

PF achou digitais de Geddel e até fatura de empregada em bunker de R$ 51 milhões

Geddel Vieira Lima foi preso nesta sexta-feira, 6, em desdobramento da Operação Cui Bono

Julia Affonso, Fausto Macedo e Beatriz Bulla

08 Setembro 2017 | 09h39

Foto: Reprodução/Google Street View

A Polícia Federal encontrou digitais do ex-ministro Geddel Vieira Lima (Governo Michel Temer) nas notas dos R$ 51 milhões que estavam no bunker, em Salvador, e até uma fatura de uma empregada do deputado Lucio Vieira Lima (PMDB-BA). Geddel foi preso nesta sexta-feira, 8, na Operação Cui Bono?.

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Também foi preso o diretor da Defesa Civil, em Salvador, Gustavo Ferraz.

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As ordens de prisão foram expedidas pelo juiz federal Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª. Vara Federal, de Brasília. Na decisão, o magistrado aponta indícios de que os ‘valores vultosos estavam sendo mantidos escondidos no supracitado apartamento por Geddel Quadros Vieira Lima, com o auxílio direto de Gustavo Pedreira do Couto Ferraz’.

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“(A Polícia Federal) afirma, ainda, a existência de fortes indícios de que tal numerário ilícito pertence realmente a Geddel Quadros Vieira Lima, uma vez que no local foi encontrada uma fatura em nome de Marinalva Teixeira de Jesus, pessoa detentora de vínculos empregatícios com o Sr. Lucio Vieira Lima, irmão de Geddel”, relatou o magistrado.

Foto: PF

Gustavo Ferraz é apontado pela PF como ‘pessoa ligada a Geddel Quadros Vieira Lima, tendo sido, inclusive, indicado por ele para buscar, em 2012, valores ilícitos remetidos por Altair Alves, emissário de Eduardo Cunha’.

Vallisney anotou ainda na decisão. “Além do fato de que Sílvio Silveira (dono do apartamento onde a busca e apreensão foi realizada) ter informado que emprestou o imóvel ao referido irmão de Geddel, o que foi confirmado, também, pelas declarações de Patrícia dos Santos, administradora do Condomínio correspondente. A autoridade policial explica que foi realizado exame pericial no dinheiro apreendido, no qual os Peritos lograram localizar alguns fragmentos de impressões digitais de Geddel Quadros Vieira Lima e de Gustavo Pedreira do Couto Ferraz no material.”

Foram apreendidos R$ 51 milhões – R$ 42.643.500,00 e US$ 2.688.000,00. O dinheiro foi depositado em uma conta judicial.

Foto: PF

Geddel estava em prisão domiciliar sem tornozeleira eletrônica. O ex-ministro havia sido preso em 3 de julho e mandado para casa em 12 de julho.

A primeira prisão de Geddel teve como base um depoimento do corretor Lúcio Bolonha Funaro. Em depoimento à Procuradoria-Geral da República em Brasília, Funaro disse ter entregue ‘malas ou sacolas de dinheiro’ ao ex-ministro. O corretor declarou ter feito ‘várias viagens em seu avião ou em voos fretados, para entregar malas de dinheiro para Geddel Vieira Lima’.

“Essas entregas eram feitas na sala VIP do hangar Aerostar, localizada no aeroporto de Salvador/BA, diretamente nas mãos de Geddel”, declarou Funaro.

Em agosto, Geddel se tornou réu por obstrução de Justiça. O ex-ministro teria atuado para evitar a delação premiada do corretor Lúcio Funaro, que poderia implicá-lo em crimes de corrupção na Caixa Econômica Federal.

COM A PALAVRA, GEDDEL

A defesa do peemedebista afirma que vai se manifestar quando tiver acesso aos autos.

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