Entre o lar de Geddel e bunker dos R$ 51 mi, uma caminhada de 12 minutos

Entre o lar de Geddel e bunker dos R$ 51 mi, uma caminhada de 12 minutos

Seguindo dados de satélite do Google Street View a rota em Salvador também pode ser feita de carro em apenas oito anos

Luiz Vassallo, Julia Affonso e Beatriz Bulla

08 Setembro 2017 | 11h35

Em apenas 12 minutos, o ex-ministro Geddel Vieira Lima poderia caminhar de sua casa, no bairro da Graça, em Salvador, até o apartamento onde a Polícia Federal achou a fortuna de R$ 51 milhões com marcas de seus dedos, no âmbito da Operação Tesouro Perdido. O peemedebista, preso nesta sexta-feira, 8, mora em um imóvel a apenas 1,2 quilômetro do local onde as malas e caixas recheadas de dinheiro vivo foram confiscadas.

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A mãe do ex-ministro, que também foi alvo de busca e apreensão, mora no mesmo prédio de seu filho.

Partindo da rua Plínio Moscoso, 64, no Chame-Chame, onde mora o ex-ministro e sua mãe, seguindo até a rua Barão de Loreno, 360, na Graça, onde fica o bunker de R$ 51 milhões, a distância é de pouco mais de um quilômetro.

A rota também poderia ser feita de carro, em apenas 8 minutos, seguindo dados de satélite do Google Street View.

Na representação pelo encarceramento de Geddel a Procuradoria da República no Distrito Federal vê indícios de que o político era o responsável pelo dinheiro. O Ministério Público Federal ainda aponta relação do montante escondido naquele imóvel com os R$ 20 milhões que o doleiro Lúcio Funaro afirmou ter entregue, em espécie ao peemedebista, em delação premiada.

Segundo o delator, Geddel cobrava propinas de empresas que buscavam empréstimos junto à Caixa Econômica Federal à época em que foi vice-presidente de Pessoa Jurídica do banco.

Exames periciais confirmaram as digitais do ex-ministro de Temer e Lula nas notas de dólares e reais que constituíram a maior apreensão de dinheiro vivo na história do país.  Até mesmo a fatura de uma empregada do deputado Lucio Vieira Lima (PMDB-BA), irmão de Geddel,, foi achada no apartamento.

As marcas dos dedos do diretor da Defesa Civil de Salvador, Gustavo Pedreira Couto Ferraz, apontado como interposto de Geddel e Eduardo Cunha, também foram identificadas no apartamento.

Além disso, duas testemunhas – uma delas, o dono do imóvel – confirmaram à polícia que Geddel usava o apartamento emprestado, a pretexto de guardar pertences do pai que morreu no ano passado.

A prisão do peemedebista foi decretada pelo juiz federal Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara, em Brasília.

COM A PALAVRA, GEDDEL

A defesa do peemedebista afirma que vai se manifestar quando tiver acesso aos autos.