Geddel sorrateiro, diz juiz

Geddel sorrateiro, diz juiz

Ao decretar a prisão preventiva do ex-ministro dos Governos Lula e Dilma, juiz Vallisney Oliveira, da 10.ª Vara de Brasília, afirma que Geddel Vieira Lima 'reitera na atividade dlituosa de lavagem de capitais e outros delitos de forma sorrateira'

Beatriz Bulla, de Brasília, Luiz Vassallo e Julia Affonso

08 Setembro 2017 | 12h54

Geddel Vieira Lima. Foto: André Dusek/Estadão

Ao decretar a prisão preventiva de Geddel Vieira Lima, o juiz Vallisney Oliveira, da 10.ª Vara Federal de Brasília, destacou que o ex-ministro (Governos Lula e Dilma) e ex-vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa (Governo Dilma) age de ‘forma sorrateira’.

O peemedebista desembarcou em Brasília, às 16h desta sexta-feira, 8, de voo que partiu de Salvador, onde foi detido por suspeita dos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro. Ele segue ao Instituto Médico Legal e, posteriormente, será encarcerado no Complexo Penitenciário da Papuda.

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Geddel foi preso nesta sexta-feira, 8, na Operação Tesouro Perdido. A Polícia Federal atribui a ele a propriedade da fortuna de R$ 51 milhões em dinheiro vivo encontrada em um apartamento no bairro da Graça, em Salvador.

O ex-ministro estava em regime domiciliar, em um imóvel situado a pouco mais de um quilômetro do bunker de R$ 51 milhões.

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No decreto de prisão de Geddel, o juiz federal assinalou que o ex-ministro nunca havia revelado a existência da dinheirama. “Ouvido pela autoridade policial e também por este Juízo (audiência de custódia) em nenhuma dessas oportunidades revelou que detinha esses valores, sequer trouxe qualquer indicação nesse sentido, de modo que reitera na atividade delituosa de lavagem de capitais e outros delitos de forma sorrateira, em estado de permanência, pois os valores estavam ocultos em um apartamento cuja finalidade era exclusivamente para guardá-los.”

O juiz federal assinalou, ainda. “Mesmo na remota hipótese de que os vultosos valores encontrados não sejam produtos diretos dos crimes ocorridos na Caixa Econômica Federal, o certo é que Geddel Vieira Lima estava em prisão domiciliar e tais fatos repercutem desfavoravelmente na situação do requerido, por incorrer em reiterada prática criminosa que dá ensejo à prisão preventiva para asseguramento da ordem pública, inclusive diante das provas que o apontam como dono ou possuidor dos valores.”

A defesa do ex-ministro informou que só vai se manifestar quando tiver acesso aos autos da Operação Tesouro Perdido.